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Museu Judaico destaca obra do paisagista Burle Marx

Mostra “Plantas em Movimento” reúne desenhos, pinturas e registros do paisagista até 2 de agosto e revisita a influência de Roberto Burle Marx sobre a arquitetura, o urbanismo e a identidade cultural brasileira

3 minutos
Burle Marx no Safra

Jardim projetado pelo paisagista Burle Marx no oitavo andar do Banco Safra, na Avenida Paulista | Foto: divulgação

O Museu Judaico de São Paulo apresenta até dia 2 de agosto a exposição “Burle Marx: Plantas em Movimento”, mostra dedicada ao legado de Roberto Burle Marx, um dos nomes mais influentes do paisagismo moderno. A exposição reúne desenhos, pinturas, croquis, documentos, vídeos e referências botânicas para explorar a trajetória do artista que redefiniu a relação entre natureza, urbanismo e identidade cultural no Brasil.

Nascido em São Paulo, Burle Marx atuou como artista plástico, escultor e paisagista, acumulando mais de 3 mil projetos de paisagismo no Brasil e no exterior. Seu trabalho ajudou a consolidar o conceito de jardim tropical moderno ao incorporar espécies nativas brasileiras em composições que romperam com a predominância dos modelos europeus inspirados em jardins franceses e ingleses.

A mostra parte justamente desse movimento de valorização da flora nacional, mas sem abandonar o diálogo cosmopolita presente na obra do paisagista. Ao longo da exposição, o visitante encontra projetos públicos e privados que revelam a convivência entre espécies nativas e exóticas, além de reflexões sobre deslocamento, miscigenação cultural e identidade.

Exposição propõe leitura inédita sobre a herança judaica de Burle Marx

A exposição apresenta uma abordagem pouco explorada da trajetória do paisagista: sua herança judaica pelo lado paterno. Filho de uma pernambucana e de um judeu alemão, Burle Marx desenvolveu uma obra marcada pela combinação entre referências brasileiras e influências internacionais.

Segundo a diretora-executiva do Museu Judaico de São Paulo, Marilia Neustein, a proposta é ampliar a compreensão sobre o legado do artista a partir de uma perspectiva ligada às experiências de diáspora, deslocamento e formação de identidades múltiplas.

A curadoria, assinada por Guilherme Wisnik e Isabela Ono, evita uma organização cronológica tradicional. Em vez disso, a exposição constrói conexões entre determinadas espécies vegetais e projetos emblemáticos desenvolvidos por Burle Marx e sua equipe ao longo de décadas.

Paisagismo tropical redefiniu o urbanismo brasileiro

A mostra evidencia como Burle Marx transformou espécies antes consideradas secundárias em protagonistas do espaço urbano e arquitetônico. Entre os exemplos destacados estão projetos como o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, e o Parque del Este, na Venezuela, ambos marcados pela convivência entre vegetação tropical nativa e espécies exóticas adaptadas aos ambientes locais.

Em depoimento exibido na exposição, o paisagista resume sua relação com a natureza: “O mundo sem a planta seria um deserto. Cada planta, para mim, é uma expressão de vida.”

Vídeos e documentos também destacam as expedições realizadas por Burle Marx ao lado de botânicos, arquitetos, artistas e jardineiros. Essas viagens de pesquisa permitiram ao paisagista aprofundar o conhecimento sobre os biomas brasileiros e construir um repertório botânico que influenciaria seus projetos ao longo de sete décadas.

Acervo do Instituto Burle Marx preserva mais de 150 mil itens

Parte do material exposto integra o acervo do Instituto Burle Marx, organização fundada em 2019 para preservar e difundir o legado do paisagista. O conjunto reúne mais de 150 mil itens, entre projetos urbanísticos, estudos, desenhos, fotografias, documentos e obras de arte.

Segundo Isabela Ono, diretora-executiva do instituto, o arquivo histórico representa um esforço contínuo de preservação e ressignificação da produção desenvolvida por Burle Marx e seus colaboradores.

Parceria com o Banco Safra marcou a arquitetura paulistana

A trajetória de Roberto Burle Marx também mantém relação histórica com o Banco Safra. A parceria entre o paisagista e a instituição resultou em projetos arquitetônicos e paisagísticos emblemáticos na capital paulista.

Entre os destaques estão o jardim suspenso localizado no 8º andar do edifício-sede do Banco Safra, na Avenida Paulista, e o projeto paisagístico do edifício institucional da Rua Bela Cintra.

Croqui do jardim projetado por Burle marx para a sede do Banco Safra na Avenida Paulista | Foto: Reprodução

Burle Marx também assina o desenho do piso do hall e o painel ao fundo do Banco Safra, obras que integram a identidade arquitetônica da instituição e reforçam a presença de sua linguagem estética no ambiente corporativo brasileiro.

Mostra reforça atualidade do legado de Burle Marx

Ao aproximar paisagismo, arte, urbanismo e diversidade cultural, “Plantas em Movimento” reforça a permanência da obra de Burle Marx no debate contemporâneo sobre cidades, meio ambiente e identidade.

A exposição propõe uma leitura que ultrapassa o aspecto ornamental dos jardins para destacar o paisagismo como expressão cultural, política e social. Em um momento de crescente valorização de soluções urbanas sustentáveis e integração entre natureza e espaço construído, o legado do artista segue influenciando projetos arquitetônicos e urbanísticos no Brasil e no exterior.

Serviço

Burle Marx: Plantas em Movimento
Museu Judaico de São Paulo
Rua Martinho Prado, 128 — São Paulo
Até 2 de agosto
Terça a domingo, das 10h às 18h
Ingressos: R$ 24
Entrada gratuita aos sábados

Cley Scholz

Editor do portal O Especialista. LinkedIn

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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