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Equatorial supera em receita, mas custos reduzem brilho do trimestre

Companhia reporta crescimento operacional consistente, sustentado por receita e volumes, enquanto maior pressão de custos, alta do CDI e carga tributária mais elevada restringem a expansão do resultado final

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O desempenho da Equatorial no primeiro trimestre de 2026 foi marcado por expansão da receita e estabilidade operacional na distribuição, mas o lucro líquido ficou pressionado por despesas financeiras maiores e alíquota efetiva de imposto mais alta | Foto: Getty Images

A Equatorial (EQTL3), controladora da Sabesp (SBSP3), apresentou resultados do primeiro trimestre de 2026 em linha com as estimativas operacionais do Banco Safra, em uma leitura que combina crescimento sólido de receita, resiliência dos indicadores operacionais e pressão relevante na linha de custos e no resultado financeiro.

O EBITDA ajustado reportado, excluindo equivalência patrimonial e itens não recorrentes, somou R$ 2,624 bilhões, com alta de 17% na comparação anual.

O número ficou amplamente em linha com a projeção dos analistas, apenas 2% abaixo da estimativa. Na avaliação do banco, o trimestre mostrou impacto limitado dos itens não recorrentes sobre a fotografia operacional da companhia.

Na receita, o desempenho foi mais forte. Excluindo construção, a linha avançou 8% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e ficou 13% acima da estimativa do Safra.

O movimento foi impulsionado principalmente pelo crescimento de 3,8% nos volumes totais, pelos reajustes tarifários e por um efeito de curtailment de 14%, inferior ao percentual de 20% projetado anteriormente pelos analistas. Houve, porém, uma acomodação no mercado cativo, com retração de 1,7% nos volumes.

Lucro líquido decepciona após avanço de despesas financeiras e impostos

Se o resultado operacional veio sem grandes distorções, o mesmo não ocorreu no lucro líquido. A Equatorial reportou ganho de R$ 425 milhões, abaixo da estimativa de R$ 650 milhões do Safra.

O desvio, segundo a análise, foi provocado sobretudo por despesas financeiras acima do esperado, refletindo a elevação do CDI e o maior saldo de dívida, além de uma alíquota efetiva de imposto de 26%, superior aos 24% registrados no 1T25.

Esses efeitos negativos foram parcialmente compensados pela equivalência patrimonial de R$ 254 milhões relacionada à Sabesp.

Itens não recorrentes tiveram efeito contido

Os ajustes relacionados ao EBITDA no trimestre incluíram:

  • R$ 349 milhões de VNR;
  • R$ 23 milhões em instrumentos marcados a mercado;
  • R$ 39 milhões em itens não caixa.

Na visão do Safra, esses componentes não alteraram de forma relevante a leitura central do trimestre, que permaneceu ancorada na estabilidade operacional e na evolução da receita.

Distribuição sustenta desempenho, apesar de provisões mais elevadas

A unidade de distribuição seguiu como principal suporte do resultado. O PMSO ajustado consolidado atingiu R$ 1,289 bilhão, com avanço de 15% em base anual, em linha com a projeção do banco. Já as despesas ajustadas de PMSO na distribuição somaram R$ 1,100 bilhão, alta de 10%, ficando 2% abaixo da estimativa.

Ainda assim, os custos consolidados, excluindo construção e depreciação e amortização, cresceram 11% na comparação anual e vieram 14% acima do esperado. O desvio foi puxado por custos maiores com compra de energia e por provisões acima do previsto, incluindo efeitos ligados ao FUNAC.

Inadimplência e perdas seguem sob controle

Os indicadores de qualidade operacional reforçaram a avaliação de um trimestre sem deterioração relevante. A inadimplência reportada ficou em 2,1% da receita, abaixo dos 2,8% do trimestre anterior, embora ligeiramente acima da projeção de 1,9%.

Já as perdas totais de energia permaneceram praticamente estáveis, em 18,0%, contra 18,1% no trimestre imediatamente anterior, além de 0,9 ponto percentual abaixo do nível regulatório de 18,9%.

Para o Safra, a trajetória confirma a melhora contínua dos indicadores de qualidade da companhia, com redução gradual das perdas nas concessões e disciplina operacional preservada.

Alavancagem sobe, mas tese de investimento permanece positiva

A alavancagem da Equatorial encerrou o trimestre em 2,7 vezes dívida líquida sobre EBITDA, ante 2,6 vezes no período anterior. Apesar da elevação, o banco não identifica mudança estrutural na tese de investimento.

A leitura final do Safra é de que a companhia entregou um trimestre operacionalmente consistente, com receita forte, volumes resilientes e indicadores de qualidade em evolução, mas com parte desse desempenho neutralizada pela pressão de custos e pelo peso maior das despesas financeiras e da tributação.

Nesse contexto, o banco avalia que a ação segue negociando com taxa interna de retorno de 12,2%, acima da média setorial, e por isso reitera recomendação de compra.

O que o mercado deve observar adiante

Para os próximos trimestres, a leitura mais relevante para o mercado tende a se concentrar em três vetores:

  • Capacidade de recompor margens, diante da pressão de custos com energia e provisões;
  • Comportamento das despesas financeiras, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados;
  • Continuidade da melhora operacional, com controle de perdas, inadimplência e qualidade nas concessões.

Em síntese, a Equatorial mostrou um primeiro trimestre de 2026 sem surpresas relevantes no operacional, mas com um lucro líquido mais fraco do que o esperado.

Para o investidor, a principal mensagem é que os fundamentos centrais da companhia seguem preservados, embora o ambiente financeiro tenha imposto um freio de curto prazo ao resultado final.

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