Embraer lidera disputa por licitação de US$ 11 bilhões da Índia
País asiático aprova aquisição de 60 aeronaves de transporte militar e abre uma das maiores concorrências globais do setor de defesa
06/03/2026 2 minutos
A Índia planeja modernizar sua frota de transporte militar e avalia o C-390 Millennium, da Embraer, entre as principais opções da licitação | Foto: Divulgação
A Índia aprovou a aquisição de 60 aeronaves de transporte militar de porte médio para a Força Aérea Indiana, em uma licitação estimada em cerca de US$ 11 bilhões. O processo coloca a Embraer (EMBJ3) entre os principais concorrentes, ao lado da Lockheed Martin (LMT) e da Airbus (AIR), em um dos programas mais relevantes do setor de defesa nos próximos anos.
O número aprovado ficou acima das expectativas iniciais do mercado, que variavam entre 40 e 80 unidades, e reforça o esforço do país para modernizar sua frota aérea militar.
C-390 Millennium disputa espaço com rivais tradicionais
A Embraer participa da concorrência com o C-390 Millennium, aeronave de transporte tático multimissão que concorre diretamente com o C-130J, da Lockheed Martin (LMT). O A400M Atlas, da Airbus (AIR), também aparece na disputa, embora sua maior capacidade o coloque acima dos requisitos operacionais definidos pela Índia, o que pode reduzir sua competitividade.
Segundo informações divulgadas pelo governo indiano, o projeto seguirá agora para avaliação formal do Conselho de Aquisição de Defesa, etapa necessária antes do início do processo licitatório.
Produção local e transferência de tecnologia pesam na decisão
Além do desempenho operacional das aeronaves, a decisão indiana deve considerar fatores estratégicos, como transferência de tecnologia, produção doméstica e desenvolvimento de um ecossistema aeroespacial local.
Do total previsto, 12 aeronaves serão adquiridas no modelo fly-away, prontas para operação, enquanto as outras 48 deverão ser produzidas localmente por meio de parcerias com empresas indianas. A Embraer mantém uma parceria com a Mahindra & Mahindra (M&M.NS), enquanto a Lockheed Martin atua em conjunto com a Tata Advanced Systems, empresa privada do grupo Tata.
Modernização da frota
O novo programa faz parte do esforço da Índia para substituir aeronaves mais antigas, como os Antonov An-32 e os Ilyushin Il-76, que enfrentam crescentes desafios de manutenção e limitações operacionais.
A iniciativa reforça a estratégia do país de reduzir a dependência externa, estimular a indústria local e ampliar sua autonomia no setor de defesa.
Embraer vê oportunidade
Embora ainda esteja em fase inicial, a licitação é considerada estrategicamente relevante para a Embraer (EMBJ3), em linha com a expansão da companhia na Índia tanto na aviação de defesa quanto na comercial.
Entre os fatores que podem favorecer a empresa brasileira estão a superioridade técnica e operacional do C-390 em relação ao C-130J, os anúncios recentes de investimentos em infraestrutura local e o fortalecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Índia no âmbito do BRICS.
Por outro lado, a Lockheed Martin (LMT) parte com a vantagem de já ter 13 aeronaves C-130J em operação na Força Aérea Indiana e de contar com um ecossistema industrial e logístico consolidado no país, o que pode influenciar a decisão final.
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