Embraer registra novo recorde na carteira de pedidos e acelera entregas
A Embraer registra sexto recorde consecutivo de backlog, impulsionada pela Aviação Comercial e por novos contratos em serviços, em um sinal de maior previsibilidade de receita para os próximos trimestres
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Embraer amplia backlog no 1T26 e sustenta leitura positiva para o mercado | Foto: Divulgação
A Embraer (EMBR3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com backlog de US$ 32,1 bilhões, alta de 22% na comparação anual e de 2% frente ao trimestre anterior, no que marcou o sexto recorde consecutivo de carteira de pedidos.
Na avaliação dos especialistas do Banco Safra, a divulgação foi levemente positiva, por reforçar a visibilidade operacional da companhia e indicar continuidade do bom momento sobretudo em Aviação Comercial.
O principal vetor do avanço foi justamente esse segmento, cujo backlog alcançou US$ 15 bilhões, com expansão de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 3% sobre o trimestre imediatamente anterior.
Segundo a leitura do Safra, a evolução foi sustentada principalmente pela adição de 18 aeronaves E195-E2 ligadas ao pedido da Finnair, além da venda de três unidades E195-E2 para um cliente não divulgado.
O movimento reforça a resiliência da demanda por jatos comerciais da fabricante brasileira em um ambiente ainda favorável para renovação de frota.
Aviação Comercial lidera crescimento e melhora composição da carteira da Embraer
A área comercial permaneceu como o principal destaque do trimestre não apenas pelo volume de novas encomendas, mas também pela composição do backlog. De acordo com os especialistas do Safra, houve melhora no mix de clientes, com 61% da carteira concentrada em clientes que o banco considera de menor margem, ante 70% no primeiro trimestre de 2025.
Mix de clientes pode beneficiar rentabilidade
Esse ajuste é relevante porque, embora o crescimento do backlog amplie a previsibilidade de receitas futuras, a qualidade dessa carteira também influencia o potencial de margens. Uma participação menor de clientes tradicionalmente associados a rentabilidade mais comprimida tende a ser interpretada como fator favorável para o resultado operacional adiante.
No segmento de Aviação Executiva, o backlog somou US$ 7,6 bilhões, em linha com os níveis observados tanto um ano antes quanto no trimestre anterior. O indicador aponta estabilidade da demanda, com book-to-bill de 1,0 vez nos últimos 12 meses, sugerindo reposição equilibrada entre vendas e entregas.
Já em Defesa & Segurança, a carteira atingiu US$ 4,4 bilhões, o que representa alta de 5% em base anual, mas queda de 4% na margem. Ainda assim, o Safra chama atenção para um ponto adicional: o backlog ainda não incorpora as seleções do KC-390 pela Eslováquia e pela Lituânia, de três aeronaves cada, uma vez que os contratos ainda não foram efetivados ou seguem em negociação.
Serviços sustentam expansão e ampliam diversificação da receita
O segmento de Serviços & Suporte também voltou a registrar desempenho expressivo. O backlog alcançou US$ 5,1 bilhões, novo recorde para a divisão, com crescimento de 11% em relação ao 1T25 e de 4% frente ao trimestre anterior, equivalente a book-to-bill de 1,2 vez em 12 meses.
Durante o trimestre, a Embraer assinou contratos de longo prazo com a Airnorth, com a Força Aérea da Hungria para o KC-390 e com a Virgin Australia para a frota E2. Para o mercado, a expansão dessa vertical tende a ser acompanhada com atenção por ampliar recorrência de receitas e reduzir a dependência exclusiva do ciclo de vendas de aeronaves.
Entregas crescem 47% no trimestre e mostram início de ano mais forte
A Embraer entregou 44 aeronaves no primeiro trimestre, avanço de 47% na comparação anual, em mais um indicativo de aceleração operacional no início de 2026.
No segmento de Aviação Comercial, foram entregues 10 aeronaves, sendo seis E175, um E190-E2 e três E195-E2. O volume representa acréscimo de três unidades sobre o mesmo período do ano anterior. Mais do que isso, o Safra observa melhora no perfil de clientes atendidos: 60% das entregas foram destinadas a companhias que o banco associa a margens menores — como American Eagle, Republic, Azul e Porter — ante 70% no 1T25.
Na Aviação Executiva, a fabricante entregou 29 aeronaves, alta de 26% sobre as 23 unidades de um ano antes. O lote incluiu um Phenom 100, 15 Phenom 300, nove Praetor 500 e quatro Praetor 600.
Em Defesa & Segurança, houve a entrega de um KC-390 Millennium e quatro aeronaves A-29, frente à ausência de entregas no primeiro trimestre de 2025. O avanço ajuda a sustentar uma leitura de retomada mais consistente da divisão, embora o reconhecimento de novos pedidos ainda dependa da conversão formal de negociações em andamento.
Leitura do Safra é levemente positiva, com potencial adicional em Defesa
Na visão dos especialistas do banco Safra, o conjunto de dados do trimestre traz uma sinalização moderadamente favorável para a tese de investimento em Embraer. O recorde de backlog fortalece a visibilidade de receitas, enquanto a melhora do mix de clientes em Aviação Comercial pode abrir espaço para uma leitura mais construtiva sobre margens.
KC-390 ainda pode adicionar upside à carteira
O Safra destaca ainda que, caso as três aeronaves KC-390 da Eslováquia já estivessem incluídas, o backlog de Defesa teria alcançado US$ 4,8 bilhões, com alta de 14% em base anual e de 4% na comparação trimestral. Nesse cenário, o backlog consolidado da Embraer subiria para US$ 32,5 bilhões, avanço de 23% na comparação anual e de 3% frente ao trimestre anterior.
Em outras palavras, a fotografia atual da carteira ainda pode não refletir integralmente o potencial de crescimento de curto e médio prazo da divisão de defesa, especialmente se parte dessas negociações for convertida em contratos efetivos.
O que os números sinalizam para investidores
Para investidores, a combinação de backlog recorde, entregas em aceleração e mix comercial mais favorável reforça a percepção de que a Embraer entra em 2026 com base operacional mais robusta.
A Aviação Comercial segue como principal motor de expansão, enquanto Serviços & Suporte consolida papel relevante na diversificação de receitas. Em Defesa, permanece a expectativa de novas incorporações à carteira à medida que negociações avancem para a fase contratual.
Embora o avanço trimestral do backlog tenha sido mais modesto na margem, de 2%, o crescimento anual de 22% e a manutenção de recordes sucessivos sugerem demanda ainda firme pelos produtos e serviços da companhia.
Para o mercado, o ponto central passa a ser a capacidade de transformar essa carteira em receita, margem e geração de caixa ao longo dos próximos trimestres.
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