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El Niño intenso eleva riscos para logística de grãos

Nova projeção climática eleva para 81% a chance de um evento extremo de El Niño, cenário que pode pressionar hidrovias do Norte e redirecionar fluxos de exportação para o Arco Sul

2 minutos
El Niño eleva risco logístico no Brasil

Aumento da probabilidade de El Niño muito forte no fim de 2026 eleva riscos para hidrovias do Norte e pode favorecer corredores ferroviários ligados ao Porto de Santos | Foto: Getty Images

A probabilidade de um evento climático El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026 subiu para 81%, segundo atualização do Climate Prediction Center (CPC). Com isso, aumentam os riscos para a logística de grãos no Brasil, sobretudo nos corredores hidroviários da região Norte.

Na avaliação dos especialistas do Banco Safra, um ambiente climático mais adverso tende a limitar o potencial de valorização de Hidrovias do Brasil (HBSA3) no curto prazo. Por outro lado, o cenário pode beneficiar a Rumo (RAIL3). Isso porque o redirecionamento de cargas para os portos do Arco Sul tende a elevar volumes e sustentar ganhos de precificação.

Probabilidade de El Niño sobe para 81%

O CPC elevou de 62% para 81% a probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026. Além disso, a projeção para o período entre setembro e novembro avançou de 48% para 71%.

Segundo o Safra, a revisão reforça a expectativa de um padrão climático mais disruptivo no último trimestre do ano.

Historicamente, episódios moderados e fortes de El Niño reduzem os níveis dos rios da região Norte. Como consequência, a profundidade de navegação cai mais de 17%. Em eventos muito fortes, porém, a retração supera 30%, comprometendo o fluxo logístico de grãos nos corredores hidroviários.

Níveis dos rios seguem próximos da média histórica

Apesar do aumento do risco climático, os indicadores hidrológicos ainda permanecem próximos dos padrões históricos.

As leituras mais recentes mostram profundidade de 6,29 metros no rio Tapajós, em Itaituba. O nível permanece estável na comparação anual e alinhado à média histórica.

Em Santarém, também no Tapajós, a profundidade atingiu 6,71 metros. O patamar ficou cerca de 2% abaixo do registrado há um ano.

Já no rio Amazonas, a profundidade chegou a 7,17 metros. O nível ficou 1% abaixo do observado no mesmo período de 2025 e 3% inferior à média histórica.

Redirecionamento de cargas pode favorecer ferrovias

Na visão do Safra, a piora das condições de navegação pode levar exportadores a buscar rotas alternativas. Nesse cenário, os portos do Arco Sul, especialmente Santos, tendem a ganhar relevância.

Com isso, a Rumo (RAIL3) aparece como uma das potenciais beneficiárias. A avaliação do banco é que a maior demanda por transporte ferroviário pode impulsionar volumes e ampliar o poder de precificação no quarto trimestre de 2026.

Além disso, o cenário ocorre em um ambiente de capacidade mais restrita nas rotas alternativas. Dessa forma, o contexto pode reforçar os ganhos operacionais da companhia no período.

Recomendação segue neutra para Hidrovias do Brasil

O Safra manteve recomendação Neutra para Hidrovias do Brasil. Segundo o banco, o aumento do risco hidrológico e a possibilidade de interrupções prolongadas ainda limitam uma visão mais positiva para a ação no curto prazo.

Ao mesmo tempo, os especialistas consideram que a atualização climática representa um vetor relevante para a tese de investimento da Rumo. Caso as projeções de El Niño se confirmem, a companhia pode se beneficiar do aumento no redirecionamento de fluxos de exportação no fim de 2026.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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