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Líderes em ensino superior ganham espaço em ciclo mais seletivo

Ambiente mostra-se mais desafiador para o ensino superior em 2026, com pressão sobre preços, mudança no mix de oferta e vantagem crescente para os grandes grupos listados na Bolsa

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Ações de empresas de educação

A recomposição entre ensino presencial, híbrido e a distância e a pressão sobre mensalidades tornam o ambiente mais favorável para grupos educacionais com escala e infraestrutura | Foto: Getty Images

A consultoria Hoper Educação aponta que o mercado brasileiro de educação superior entra em 2026 em uma fase mais exigente. O cenário combina menor tração no ciclo de matrículas, pressão sobre mensalidades, mudança na composição entre modalidades de ensino e um ambiente regulatório mais rigoroso.

Nesse contexto, os grandes grupos do setor listados na Bolsa aparecem mais bem posicionados para atravessar o período e ampliar participação de mercado.

A leitura central é que o setor como um todo enfrenta ventos contrários. Ainda assim, as companhias de maior porte reúnem vantagens estruturais importantes, como escala, infraestrutura e capacidade de execução comercial, em um momento no qual operadores menores tendem a sentir mais intensamente a deterioração do ambiente operacional.

Ciclo de matrículas perde força

De modo geral, o ciclo de ingresso de 2026 ocorre com menos tração do que o de 2025. A desaceleração, porém, não se distribui de forma homogênea entre os diferentes formatos de ensino e perfis de instituição.

Segundo a leitura compartilhada na conversa dos analistas do Banco Safra com a Hoper Educação, as empresas listadas com forte execução comercial vêm reportando tendências de captação que divergem positivamente do mercado como um todo. Isso sugere que, mesmo em um ambiente mais fraco, os grupos mais estruturados seguem em posição mais favorável para capturar demanda.

Presencial avança e EAD perde espaço

O rastreador proprietário de ingressantes da Hoper mostra uma mudança clara na composição por modalidade. Os cursos presenciais recuperam participação, os cursos híbridos se consolidam como uma categoria estrutural e os cursos totalmente a distância continuam perdendo peso relativo.

Parte do avanço dos cursos híbridos, no entanto, reflete uma reclassificação regulatória, e não um aumento incremental de demanda. Ainda assim, a mudança confirma uma reorganização relevante do setor e reforça a necessidade de adaptação por parte das instituições.

Mensalidades recuam em termos reais

A análise também aponta queda real das mensalidades em todas as modalidades. Nos cursos a distância, a retração é de um dígito médio. Nos cursos híbridos, a queda chega a dois dígitos. Já os cursos presenciais operam com mensalidades ligeiramente abaixo dos níveis de 2025.

Em Medicina, por outro lado, as mensalidades permaneceram essencialmente estáveis. Ainda assim, a conclusão é que as empresas listadas operam com dinâmicas de precificação estruturalmente diferentes e contam com mais alavancas para sustentar o ticket médio do que a mediana do mercado sugere.

Enfermagem deve ter efeito limitado

No caso de Enfermagem, a avaliação é que o marco transitório foi bem desenhado, mas deve produzir impacto limitado em volume. A análise indica que as mensalidades dos cursos híbridos de Enfermagem já se sobrepunham ao quartil inferior dos preços dos cursos presenciais.

Isso mostra que o principal obstáculo para a migração de alunos nunca foi a acessibilidade financeira, mas a perda de flexibilidade de horário. Por isso, apenas uma pequena fração dos ex-alunos de Enfermagem a distância deve migrar para cursos presenciais.

Medicina fica mais desafiadora

A captação de alunos em Medicina se torna mais desafiadora, embora a atratividade estrutural do curso permaneça intacta para operadores bem posicionados. A maior parte dos participantes do mercado relata um ciclo de ingressantes mais difícil em 2026, sobretudo em cidades menores.

Além disso, práticas de desconto, historicamente incomuns em Medicina, começam a surgir em alguns nichos. Ao mesmo tempo, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o ENAMED, tende a acelerar a descontinuação de cursos mais fracos e, ao longo do tempo, beneficiar os incumbentes com histórico sólido e sem ressalvas.

Escala deve ampliar a diferença entre vencedores e perdedores

A principal análise é que o ambiente mais exigente do ensino superior tende a reforçar a vantagem competitiva dos grandes operadores. Como os dados da Hoper cobrem todo o mercado, incluindo milhares de instituições pequenas e regionais, a leitura é que as dificuldades desses players frequentemente se traduzem em oportunidades de consolidação para as companhias listadas.

O cenário segue desafiador para o setor, mas pode abrir espaço para ganho de participação de mercado por parte dos líderes. Em um ciclo de menor crescimento, a escala, a infraestrutura e a capacidade de execução ganham ainda mais relevância.

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