Duplicata escritural: o que muda no mercado de crédito
Com proximidade da estreia, novo modelo digital de duplicata entra no radar das companhias e promete mexer com garantias, custo do crédito e gestão de recebíveis.
2 minutos Publicado emNovo modelo de duplicata digital terá registro centralizado e deve ampliar a rastreabilidade dos recebíveis usados como garantia em operações de crédito | Foto: Divulgação
A duplicata escritural, apontada como uma das principais mudanças em curso no mercado de crédito empresarial brasileiro, está mais perto de entrar na rotina das companhias. Com a produção assistida prevista para começar no segundo semestre de 2026 e a obrigatoriedade programada para 2027, empresas já começam a se preparar para a migração do modelo tradicional em papel para uma estrutura totalmente digital.
Em entrevista ao Safra Insights, Fábio Barros, especialista em soluções de crédito empresarial da Safra Corretora, afirma que a duplicata escritural representa a evolução da duplicata tradicional para um ambiente digital homologado pelo Banco Central, com controle centralizado e rastreabilidade de ponta a ponta.
Segundo ele, a mudança deve trazer efeitos práticos sobre a concessão de crédito, ao reforçar a qualidade das garantias e reduzir fragilidades históricas do mercado, como fraudes e duplicidade de títulos.
Registro centralizado deve ampliar transparência
Na prática, a duplicata escritural nasce a partir de uma transação mercantil ou de prestação de serviços. Após a emissão, o título passa a ser registrado em ambiente centralizado autorizado, ficando visível para os agentes envolvidos, como empresa emissora, pagador e instituições financeiras.
Esse modelo tende a ampliar a transparência na cadeia de recebíveis e a melhorar a leitura dos bancos sobre a agenda de pagamentos das empresas. A expectativa é que, com uma garantia mais robusta e verificável, o crédito possa ser ofertado de forma mais precisa e eficiente.
Janela de adaptação começa em 2026
De acordo com Barros, a transição será escalonada. A partir de meados de 2026, com o início da chamada produção assistida, as empresas poderão aderir ao novo sistema de forma facultativa. A obrigatoriedade fica para 2027.
A fase intermediária foi desenhada para evitar uma transição abrupta e permitir que companhias ajustem processos, integrem sistemas e escolham parceiros de escrituração e registro antes da adoção compulsória.
O que muda para as empresas
Entre os principais ganhos esperados com a duplicata escritural estão:
- crédito mais assertivo;
- redução de fraudes e duplicidades;
- melhor precificação das operações;
- mais transparência na gestão dos recebíveis;
- maior eficiência operacional e segurança jurídica.
Para as empresas, a mudança exigirá adaptação tecnológica e revisão de processos internos ligados à emissão, controle e conciliação de duplicatas.
Safra quer atuar como parceiro na transição
Na entrevista, Barros afirma que o Safra vem se preparando para apoiar clientes em toda a jornada de adaptação ao novo modelo. Segundo ele, o banco está investindo em tecnologia e conectividade para facilitar a escrituração de duplicatas, a gestão da agenda de recebíveis e a oferta de soluções de crédito mais inteligentes.
A proposta, afirma o especialista, é reduzir o impacto operacional da mudança e transformar a nova infraestrutura de informações em melhores condições de financiamento para as empresas.
Mudança deve ganhar relevância nos próximos meses
Com a aproximação da produção assistida, a duplicata escritural tende a ganhar espaço nas discussões de tesouraria, crédito e gestão financeira das companhias. Mais do que uma exigência regulatória futura, o novo modelo começa a ser tratado como uma preparação estratégica para um mercado de recebíveis mais digital, transparente e padronizado.
-
-
A duplicata escritural é a evolução digital da duplicata tradicional em papel, registrada em um ambiente centralizado homologado pelo Banco Central. Diferentemente do modelo tradicional, ela oferece controle centralizado, rastreabilidade de ponta a ponta e visibilidade para todos os agentes envolvidos na transação, como empresa emissora, pagador e instituições financeiras.
-
-
A duplicata escritural nasce a partir de uma transação mercantil ou de prestação de serviços. Após a emissão, o título é automaticamente lançado no sistema eletrônico (escriturado) e registrado em ambiente centralizado autorizado, ficando visível para os agentes envolvidos. O título pode então ser negociado com qualquer financiador, como bancos, fintechs, FIDCs e securitizadoras.
-
-
A duplicata escritural seguirá um cronograma escalonado. A produção assistida começará no segundo semestre de 2026, permitindo que as empresas aderissem de forma facultativa. A obrigatoriedade está programada para 2027, oferecendo uma janela de adaptação para que as companhias ajustem processos, integrem sistemas e escolham parceiros de escrituração antes da adoção compulsória.
-
-
Os principais ganhos esperados incluem crédito mais assertivo e preciso, redução significativa de fraudes e duplicidades de títulos, melhor precificação das operações, maior transparência na gestão dos recebíveis, eficiência operacional aumentada e segurança jurídica reforçada. O registro centralizado também amplia a transparência na cadeia de recebíveis e melhora a leitura dos bancos sobre a agenda de pagamentos das empresas.
-
-
O modelo centralizado com rastreabilidade de ponta a ponta elimina fragilidades históricas do mercado de crédito. Com um registro centralizado e verificável, fica impossível duplicar títulos ou cometer fraudes, pois todas as transações são visíveis para os agentes envolvidos. Essa robustez nas garantias permite que o crédito seja ofertado de forma mais precisa e eficiente.
-
-
As empresas precisarão realizar adaptação tecnológica e revisão de processos internos ligados à emissão, controle e conciliação de duplicatas. Será necessário integrar sistemas, escolher parceiros de escrituração e registro, e ajustar procedimentos de gestão de recebíveis. A fase de produção assistida (a partir de meados de 2026) oferece tempo para que as companhias façam essas adaptações antes da obrigatoriedade em 2027.
-
-
A duplicata escritural reforça a qualidade das garantias e melhora a leitura dos bancos sobre a agenda de pagamentos das empresas. Com informações mais transparentes e verificáveis, as instituições financeiras podem oferecer crédito de forma mais assertiva e com melhor precificação. Isso tende a resultar em melhores condições de financiamento para as empresas que adotarem o novo modelo.
-
-
A implementação da duplicata escritural visa modernizar o mercado de crédito empresarial brasileiro, tornando-o mais digital, transparente e padronizado. A mudança busca eliminar fraudes, duplicidades e fragilidades históricas do sistema tradicional em papel, enquanto amplia a transparência na cadeia de recebíveis e melhora a eficiência operacional do mercado de crédito como um todo.
Leia também