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Duplicata escritural chega para revolucionar o mercado de crédito

Duplicata escritural totalmente eletrônica facilita acesso ao crédito para empresas, melhora o fluxo de caixa, reduz juros e funciona em um ambiente mais moderno, transparente e seguro

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duplicata escritural

Com a Duplicata Escritural, as vendas a prazo se transformam em garantias confiáveis e podem ser utilizadas para obter crédito com agilidade | Foto: Getty Images

Por décadas, as duplicatas eram emitidas em papel: um documento físico, sujeito a erros, extravios, falsificações e à burocracia das assinaturas, carimbos, protestos e cobranças manuais. Essa versão tradicional, chamada de duplicata cartular, cuja comprovação depende da posse do documento físico, sempre dificultou que empresas transformassem vendas a prazo em crédito. A Duplicata Escritural, que começa a entrar em vigor neste ano, é totalmente digital, e deve motivar uma revolução no mercado de crédito.

No Brasil são emitidas por ano cerca de 5 bilhões de duplicatas, num valor total entre R$ 11 trilhões e R$ 13 trilhões. Mas, apenas R$ 3 trilhões hoje são usados como garantia. Com a duplicada eletrônica, o mercado de crédito tende a crescer e os spreads devem cair.

A lei que criou a duplicata escritural foi aprovada em 2018, e o Banco Central, como regulador, desenvolveu infraestrutura que está atualmente em testes e já começa a ser colocada em prática. Confira abaixo o que muda com a inovação:

O que é a Duplicata Escritural?

É um título representado exclusivamente por lançamentos eletrônicos em um sistema autorizado, no qual a duplicata é “escriturada”, isto é, registrada e controlada digitalmente. É por isso que recebe o nome de “escritural”: porque sua existência e sua validade se baseiam na escrituração eletrônica — e não em um documento impresso.

Impacto no crédito

Com a Duplicata Escritural, as vendas a prazo se transformam em garantias confiáveis e podem ser utilizadas para obter crédito com agilidade, transparência e liberdade. Ao substituir o documento físico por um registro eletrônico seguro, o instrumento viabiliza a obtenção de crédito com maior previsibilidade e menor risco de fraude, promovendo um ambiente de negócios mais eficiente e competitivo.

Segurança do sistema

Regulada pelo Banco Central, a duplicata escritural digitaliza todo o processo, conectando a duplicata à nota fiscal eletrônica ou a outro documento fiscal que contenha a fatura, ao meio de pagamento (como boleto) e à operação de crédito, tudo em um ambiente seguro e transparente. O resultado é um ciclo de crédito mais ágil, confiável e competitivo.

Como funciona na prática?

Empresas passam a emitir duplicatas escriturais, que são automaticamente lançadas no sistema eletrônico (“escrituradas”) e notificadas ao comprador/sacado. Assim, a duplicata ganha vida no mercado, podendo ser negociada com qualquer financiador (bancos, fintechs, FIDCs, securitizadoras etc.). Isso abre espaço para ampliar o crédito e reduzir taxas de juros, aumentando a margem e a liquidez da empresa.

Quem faz a escrituração?

As escrituradoras são centrais na nova infraestrutura da Duplicata Escritural. Autorizadas e supervisionadas pelo Banco Central, elas garantem que cada duplicata escritural seja única, rastreável e segura, criando uma única “fonte da verdade” confiável, acessível e interoperável. Isso reduz fraude, evita duplicidade de recebíveis e dá segurança a financiadores, destravando crédito com mais velocidade e melhores taxas.

A Duplicata Escritural representa uma nova lógica de mercado:

  • Fornecedores ganham previsibilidade e poder de escolha;
  • Compradores têm mais controle e segurança;
  • Financiadores reduzem riscos e aumentam competição;
  • A economia se beneficia: mais crédito circulando, maior segurança jurídica, menos
  • informalidade, maior competitividade e inclusão financeira.

Etapas da implementação

A adoção da Duplicata Escritural será feita em etapas, cujos prazos estimados são:

  • 1º trimestre de 2026: adesão voluntária para todas as empresas;
  • Final de 2026: obrigatória para grandes empresas;
  • Até final de 2027: obrigatória para médias e pequenas.

Vantagens da mudança

Quem se antecipar colherá frutos antes: ganha acesso mais rápido a crédito, melhora o fluxo de caixa, reduz juros e passa a operar em um ambiente mais moderno, transparente e seguro.

Para começar, a empresa precisa escolher uma escrituradora – entidade que fará o registro e a gestão eletrônica das duplicatas. As instituições financeiras já estão integrando a Duplicata Escritural em seus serviços e soluções para empresas.

A Duplicata Escritural não é apenas uma inovação — é um novo capítulo na história do crédito no Brasil.

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