Dólar cai 5% em janeiro e IPCA de 2025 fica em 4,26%
Relatório do Banco Safra destaca o impacto dos principais indicadores, como inflação e dólar, no mercado de crédito privado
30/01/2026 3 minutos
Volume de remessas foi menor do que o esperado em dezembro e perspectiva de queda de juros deve contribuir para segurar os investimentos estrangeiros no país, segundo o Banco Safra | Foto: Getty Images
Do início ao fim de janeiro, a cotação do dólar caiu mais de 5% frente ao real. A depreciação da moeda americana também é sentida em outros países emergentes, devido às incertezas que rondam a economia americana, além do baixo nível de preços dos ativos em mercados como o brasileiro.
Apesar do ruído político no final de 2025, o volume de remessas característico de dezembro foi menor do que o esperado e a perspectiva de queda de juros deve contribuir para segurar os investimentos estrangeiros no país.
Confira outros destaques da economia em janeiro
Copom mantém Selic em 15% e sinaliza corte em março. Pela quinta vez, o Comitê de Política Monetária do Banco Central optou pela continuidade do atual patamar da taxa básica de juros (taxa Selic) na primeira reunião do ano, no dia 28 de janeiro, com a justificativa de um mercado de trabalho resiliente e um cenário de elevada incerteza.
No entanto, o ciclo de cortes dos juros deverá começar a partir da reunião de março, motivado pelo câmbio apreciado e pela projeção inflacionária que se encontra dentro da meta.
Inflação em dezembro. O IPCA registrou variação mensal de 0,33%, acima da taxa no mês anterior (0,18%), mas abaixo dos patamares registrados no mês dedezembro desde 2018.
A inflação acumulada no ano de 2025 foi e 4,26% (-0,57 ponto porcentual vs. 2024), valor abaixo do teto da meta (4,5%) e menor valor desde 2018 (3,75%).
O principal grupo em alta no ano de 2025 foi Habitação (+1,02 p.p.), devido ao impacto da energia elétrica e maior prevalência das bandeiras tarifárias. Foi seguido de Saúde (+0,75 p.p.), Despesas pessoais (+0,6 p.p.) e Educação (+0,37 p.p.). Já os produtos alimentares se destacam entre as quedas no ano, com produtos como arroz (-0,2 p.p.) e leite longa-vida (-0,1
p.p.).
Mercado Secundário – Dinâmica de Spreads
A segunda quinzena de janeiro foi marcada pela queda nos spreads de títulos IPCA AAA e AA+, que fecharam 17 bps no período e atingiram patamares próximos aos de out/2025. Essa é uma sinalização de que o mercado de crédito privado deve continuar forte, à medida em que os fundos de crédito permanecem com boa liquidez, enquanto as taxas de juros se mantêm em dois dígitos até o fim do ano e a incerteza eleitoral atrai investidores para a renda fixa.
Houve fechamento relevante no setor de siderurgia, influenciado pela negociação dos papeis de CSN e Aço Verde. CSN registrou queda em seus spreads CDI+, mas comportamento misto nos títulos IPCA, que contaram com redução média de 34 bps na última quinzena.
A companhia anunciou seu plano de reestruturação este mês, prevendo foco em setores mais estáveis como infraestrutura e buscando redução da alavancagem a partir da venda de ativos. As siderúrgicas vêm sendo impactadas pelas importações chinesas, mas podem ser beneficiadas por medidas antidumping, tais quais a Câmara de Comércio Exterior aprovou nesta
quarta-feira (29).
No setor de açúcar e etanol, os ativos também parecem ter sido amparados pela maior demanda no mercado de incentivados, mas o destaque negativo está nos títulos de Raízen. Após downgrading de rating em dezembro, houve aumento da percepção de risco de alavancagem, acompanhado de um ambiente setorial menos favorável.
Os preços de açúcar continuam em baixa, devido à alta oferta internacional, enquanto as vendas de etanol podem ser afetadas pela deterioração da paridade em relação à gasolina.
Por fim, os especialistas do Banco Safra observam fechamento relevante na emissão da Adubos Araguaia, de 132 bps no mês. A alavancagem da Araguaia reduziu para 2,1x (3T25) e as amortizações de 2026 e 2027 geravam um ponto de atenção em relação à liquidez. No último mês, a companhia emitiu um CRA de R$200 milhões que deve equalizar sua estrutura de vencimento no curto prazo
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