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Diversificação deixa de ser opção e vira estratégia para proteger carteiras

Banco Safra recomenda reduzir a exposição a papéis pós-fixados e aumentar a fatia em prefixados, em cenário de oscilações na Bolsa, corte de juros no Brasil e discurso mais duro do Federal Reserve

4 minutos
Safra Report setembro 26

Mesmo com resultado quase estável em agosto, o Ibovespa viveu um dos meses mais voláteis do ano | Foto: Getty Images

O Ibovespa encerrou agosto com queda de apenas 0,33%, aos 177.418 pontos. O número modesto, no entanto, disfarça um mês de duas velocidades bem distintas. Logo no início do período, o JP Morgan rebaixou a recomendação para ativos brasileiros de overweight para neutro, citando o esgotamento do ciclo de flexibilização monetária e sinais de desaceleração da atividade econômica. A partir daí, o índice acumulou 11 quedas consecutivas.

A virada só veio no final do mês. Depois de uma sequência intensa de saídas de capital estrangeiro até a metade do período, uma nova onda de recursos externos nas últimas sessões permitiu que o Ibovespa recuperasse parte do fôlego perdido.

Diversificação como estratégia para proteger investimentos

Diante desse cenário, o Comitê de Alocação de investimentos do Banco Safra decidiu ajustar a estratégia de renda fixa, reduzindo a exposição a ativos pós-fixados em favor de papéis prefixados. A lógica, segundo os especialistas, é direta: com a atividade econômica brasileira em processo de arrefecimento e a desinflação ganhando corpo, existe um prêmio relevante embutido na curva de juros.

O ceticismo do mercado em relação ao ritmo de cortes deixou as taxas prefixadas em patamar considerado atrativo. Na avaliação do comitê, o Banco Central deve manter o ciclo de redução de juros ao longo deste ano e também em 2027, cenário que torna o carrego de ativos prefixados mais vantajoso do que o de papéis pós-fixados em um horizonte de médio prazo.

A análise e as recomendações do Banco Safra estão na edição de setembro do Safra Report, o relatório mensal com recomendações para os diferentes perfis de investidores.

Dólar ganha papel de proteção com eleições no horizonte

No front externo, o tom mais duro adotado pelo Federal Reserve reforça o papel do dólar como instrumento de proteção para as carteiras de investimento.

Essa recomendação combina dois fatores: o cenário internacional mais incerto e a proximidade das eleições no Brasil, variável que, segundo o comitê, deve ganhar peso crescente a cada semana que passa.

As demais classes de ativos permanecem inalteradas na recomendação de alocação. O comitê optou por preservar um posicionamento equilibrado enquanto os cenários eleitoral, monetário e geopolítico seguem em processo de acomodação.

Corte de juros e deflação reforçam otimismo com a inflação

O risco eleitoral ganhou espaço no radar dos investidores ao longo de agosto, pressionando os ativos domésticos. Por outro lado, o cenário inflacionário trouxe notícias favoráveis. A prévia da inflação de agosto, medida pelo IPCA-15, registrou deflação de 0,40%, resultado mais intenso do que o esperado pelo mercado e com composição qualitativa considerada positiva pelos analistas.

Esse quadro reforça a perspectiva de continuidade dos cortes na taxa Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom) já havia reduzido os juros em 0,25 ponto percentual em 5 de agosto, levando a taxa básica a 14% ao ano. A ata da reunião manteve a porta aberta para um novo corte em setembro.

Tecnologia impulsiona bolsas americanas, mas Fed surpreende com discurso duro

Enquanto o Brasil navegava entre incertezas eleitorais e sinais econômicos mistos, o mercado americano viveu um agosto positivo, sobretudo para o setor de tecnologia.

No acumulado do mês, o Nasdaq avançou 3,93%, o S&P 500 subiu 2,62% e o Dow Jones ganhou 1,34%, desempenho sustentado pelos resultados corporativos das grandes companhias de tecnologia, que mantiveram o tom otimista mesmo diante de um ambiente geopolítico adverso.

O evento mais relevante do mês, contudo, foi o simpósio de Jackson Hole. Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, surpreendeu os mercados com um discurso mais restritivo do que o antecipado, reafirmando o compromisso com a meta de inflação de 2% medida pelo índice de gastos com consumo pessoal (PCE) e sinalizando que o combate aos preços elevados seguirá como prioridade do banco central americano.

Projeções para 2027: contas externas, inflação e juros

Para 2027, os economistas do banco projetam manutenção da saúde das contas externas brasileiras, sustentadas por um superávit comercial estimado em 81 bilhões de dólares.

A expectativa considera a expansão das exportações de commodities e um arrefecimento da absorção doméstica, fator que deve conter o avanço das importações.

Ainda que persistam incertezas no ambiente internacional e local, o elevado diferencial de juros tem estimulado o ingresso de capital estrangeiro no país.

Ao mesmo tempo, oportunidades identificadas em diversos setores da economia sustentam um fluxo resiliente de investimento direto.

Quanto à inflação, a projeção é de desaceleração de 4,8% em 2026 para 3,9% em 2027, resultado de pressões que caminham em direções opostas: o arrefecimento da atividade econômica, de um lado, e os riscos ligados a eventos climáticos, de outro.

Com a trajetória inflacionária em declínio, os economistas do banco esperam continuidade do ciclo de corte da Selic, que deve encerrar 2026 em 13,25% ao ano e chegar a 11% ao ano até o final de 2027.

A divulgação do IPCA-15 de agosto, com deflação mais intensa do que o previsto e composição favorável, reforça a manutenção de um ambiente benigno na margem.

Nos próximos meses, o banco espera que a moderação crescente da atividade traga alívio inflacionário adicional, principalmente no setor de serviços. Ainda assim, os riscos de pressão nos preços de alimentos, associados ao fenômeno El Niño, continuam no radar.

PIB deve desacelerar no segundo trimestre

Seguindo a tendência observada nos indicadores mensais de atividade ao longo do segundo trimestre, o banco projeta desaceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no período. A estimativa aponta para um comportamento homogêneo entre os componentes da oferta.

Pela ótica da demanda, a leitura é diferente: a expectativa é de expansão da absorção doméstica, com destaque para o consumo das famílias, enquanto o setor externo deve contribuir negativamente para o resultado.

Em relação à produção industrial, o banco projeta retomada parcial em julho, depois de uma queda expressiva registrada no mês anterior. A expectativa é de variações positivas tanto na produção de bens de capital quanto na de bens de consumo, o que deve contribuir para o desempenho da indústria de transformação no período.

Cley Scholz

Editor do portal O Especialista. LinkedIn

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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