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Distribuidoras de combustíveis melhoram margens e ganham mercado

Dados de março de 2026 indicam combinação favorável para Vibra, Raízen e Ipiranga, em meio aos efeitos da crise geopolítica no Oriente Médio

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Vendas combinadas de diesel, gasolina e etanol somaram 10,5 milhões de metros cúbicos, enquanto grandes distribuidoras ampliaram participação de mercado em um ambiente de margens mais altas | Foto: Getty Images

Distribuidoras de combustíveis ampliam margens e participação

O mercado brasileiro de combustíveis encerrou março de 2026 com sinais construtivos para as grandes distribuidoras, apesar da leve retração mensal no consumo agregado.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que os volumes vendidos de diesel, gasolina e etanol somados recuaram 1% na comparação com fevereiro, para 10,5 milhões de metros cúbicos.

Ainda assim, o ambiente operacional do setor melhorou de forma relevante, com expansão de margens, redução de importações de diesel e avanço da participação de mercado dos principais incumbentes.

A leitura é particularmente relevante em um contexto de maior tensão geopolítica no Oriente Médio, diante da crise entre Estados Unidos e Irã, que adiciona volatilidade às referências internacionais de energia.

Nesse quadro, a manutenção dos preços domésticos de diesel e gasolina desde o último relatório passou a favorecer as distribuidoras com maior acesso ao suprimento da Petrobras, sobretudo em um momento de pressão sobre os custos de importação.

Desconto frente à paridade reforça vantagem competitiva

Os preços domésticos seguem significativamente abaixo da paridade de importação. O diesel é negociado com desconto de 49% em relação ao IPP, enquanto a gasolina apresenta desconto de 72%.

Na prática, esse descolamento reduz a atratividade econômica da importação e amplia a relevância estratégica do abastecimento via Petrobras para os grandes grupos já estabelecidos.

Margens sobem com menor pressão competitiva externa

Desde o último relatório, a margem do diesel avançou R$ 0,58 por litro, enquanto a da gasolina subiu R$ 0,38 por litro.

Parte dessa expansão, especialmente no diesel, pode refletir um repasse mais intenso dos custos de combustíveis importados em comparação com os preços praticados pela Petrobras.

Ainda assim, o movimento reforça a tese de que distribuidoras com maior participação de suprimento doméstico tendem a capturar melhor rentabilidade em ciclos de alta internacional.

Em paralelo, as importações totais de diesel caíram 25% na comparação mensal em março, movimento puxado por uma forte redução dos volumes originados em países que não a Rússia.

A retração ajuda a aliviar a concorrência de produto importado e sustenta um ambiente mais benigno para margens no mercado doméstico.

Vibra, Raízen e Ipiranga ganham espaço

Além da melhora de rentabilidade, março trouxe avanço comercial para as três principais distribuidoras. A Vibra (VBBR3) elevou sua participação de mercado em 200 pontos-base, para 23%.

A Raízen (RAIZ4) avançou 100 pontos-base, para 20%. Já a Ipiranga (UGPA3) ganhou 200 pontos-base, alcançando 19%.

Em direção oposta, as demais distribuidoras perderam, em conjunto, 500 pontos-base de participação.

O desempenho sugere um processo de recomposição competitiva em favor dos incumbentes, em linha com a maior escala logística, capilaridade e capacidade de captura de margens em um ambiente mais complexo para agentes menores ou mais dependentes de importação.

Postos bandeirados ganham relevância

Outro sinal favorável foi a elevação, por parte de todos os incumbentes, da participação das vendas destinadas a postos bandeirados. Esse movimento tende a indicar maior fidelização comercial e melhor capacidade de captura de valor ao longo da cadeia, com efeitos positivos tanto sobre volumes quanto sobre rentabilidade.

No segmento de biocombustíveis, o preço médio do biodiesel em abril permanece praticamente estável em relação à média de março, o que, até o momento, não adiciona pressão relevante de custos ao sistema.

Leitura para o trimestre é positiva

Em conjunto, os dados apontam para um trimestre robusto para as distribuidoras de combustíveis no Brasil. A combinação de margens mais elevadas, ganho de participação de mercado, desconto dos preços domésticos em relação ao IPP e queda das importações de diesel forma um quadro operacional favorável, mesmo diante de um consumo agregado ligeiramente menor no mês.

Para o mercado, a principal implicação é que Vibra, Raízen e Ipiranga entram no período com fundamentos mais fortes, sustentados por vantagens competitivas de escala e suprimento em um ambiente externo ainda marcado por incerteza geopolítica e volatilidade nos preços internacionais de energia.

Principais vetores positivos para o setor:

  • Fatores de suporte no curto prazo
  • Margens mais elevadas de diesel e gasolina.
  • Ganho de participação de mercado por todos os incumbentes.
  • Preços domésticos do diesel com desconto em relação ao IPP.
  • Queda das importações de diesel, reduzindo pressão competitiva no mercado interno.

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