Diplomata dos EUA quer o Brasil no Conselho de Segurança da ONU
Nicholas Burns, embaixador dos Estados Unidos na China entre 2021 e 2025, analisou o avanço da IA e o comércio global na J. Safra Investment Conference
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Marcos Troyjo apresentou Nicholas Burns como ‘um dos diplomatas mais importantes do mundo’ | Foto: Divulgação
Nicholas Burns, embaixador dos Estados Unidos na República Popular da China entre 2021 e 2025, foi apresentado na J. Safra Investment Conference como ‘um dos diplomatas mais importantes do mundo’, nas palavras de Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco de Desenvolvimento dos Brics que moderou o debate no evento realizado no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo.
Solicitado a analisar o cenário econômico atual, Burns começou citanto o líder revolucionário russo Vladimir Ilitch Lênin (1870-1924): “Há décadas em que nada acontece, e há semanas em que décadas acontecem”.
“Acho que estamos numa dessas semanas, com inteligência artificial, guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, relações delicadas entre os EUA e China e outros fatores que mostram que estamos numa época de grande transformação”.
Brasil no conselho de segurança da ONU
Ele defendeu a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, para alterar a mesa de governança na diplomacia internacional e colocar mais países representativos na mesa de negociações.
Também lamentou que a ordem liberal do pós-Segunda Guerra tenha sido quebrado por acontecimentos recentes, que acabaram com as salvaguardas e certezas para as empresas. Ele citou a perda de autoridade da ONU e da OMC, que levaram a uma desordem internacional que prejudica o comércio e a relação diplomática entre países.
“O comércio internacional virou um faroeste liderado pelos Estados Unidos, que impõe tarifas altas para todos os parceiros comerciais”, comentou. “Tenho dúvidas se conseguiremos reconstruir um mundo de ordem global novamente”.
Inteligência artificial revoluciona a economia
Segundo o diplomata, a inteligência artificial tende a ser o agente transformador mais poderoso desde a revolução industrial do século XIX, e maior do que a revolução da computação. Ele comenta que empresas de biotecnologia estão avaliando possibilidades para os desafios do setor com o uso da IA, e a tecnologia deve melhorar a vida de todos, de forma democrática.
Porém, ele destacou o outro lado da moeda, lembrando o alerta sobre os riscos da IA feitas há poucos dias por Dario Amodei, fundador da Anthropic. O alerta foi apoiado por Elon Musk, da SpaceX e Tesla, e Sam Altman, fundador da OpenAI.
“Nos EUA, os setores econômicos nunca foram a favor da regulação do governo, é a primeira vez que vejo isso, mas no dia seguinte o presidente Donald Trump declarou que não pretende regulamentar a IA”.
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Riscos geopolíticos
O diplomata alertou sobre os perigos no Oriente Médio, com o Irã tentando dominar o estreito de Hormuz, o que é desastroso para o comércio global. “Há mais de um século o estreito é uma passagem livre para o comércio, mas o Irã agora quer um pedágio, e não há solução militar para o problema”, disse, lembrando que também é inaceitável a posição da Rússia em relação à Ucrânia.
Para Burns, a estabilidade da relação dos presidentes dos EUA e da China é positiva em relação a temas como a IA e as terras raras. “Temos ainda muitas divergência, mas precisamos garantir essa relativa estabilidade”.
Relação entre Brasil e EUA
Nicholas Burns disse acreditar na boa relação entre o Brasil e os Estados Unidos. “Nós nunca brigamos, e deveríamos continuar amigos como nos últimos 500 anos. Somos amigos, parceiros e acredito que possamos voltar a isso. Não acredito em tarifas para amigos e palavras desagradáveis nas relações de amizades. As democracias do mundo precisam trabalhar em conjunto”, afirmou.
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