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Datacenters impulsionam investimentos no setor elétrico

Incentivos do Redata e avanço da IA reforçam o potencial de expansão do setor, com efeitos para distribuidoras e geradoras de energia

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energia datacenters

Expansão dos data centers deve elevar a demanda por energia no Brasil e ampliar a necessidade de investimentos em geração, transmissão e distribuição | Foto: Getty Images

A expansão da infraestrutura digital, impulsionada pela inteligência artificial e pelo Redata, abre uma nova frente de crescimento para as empresas de utilities.

A expansão dos datacenters no Brasil pode criar uma nova fonte relevante de demanda para o setor elétrico nos próximos anos. O avanço da inteligência artificial, a necessidade crescente de capacidade computacional e os incentivos fiscais previstos no Regime Especial de Tributação para Serviços de DataCenters, o Redata, reforçam a atratividade do país para novos investimentos.

O Brasil já reúne condições competitivas para receber projetos dessa natureza, com disponibilidade de recursos energéticos, conexões por cabos e escala relevante. A combinação desses fatores pode favorecer a instalação de novas estruturas e ampliar os investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia.

Inteligência artificial amplia consumo de eletricidade

Globalmente, a demanda de eletricidade dos datacenters deve crescer 15% ao ano até 2030, segundo estimativas da Agência Internacional de Energia, a IEA. As projeções seguem em revisão para cima diante da adoção acelerada de modelos de inteligência artificial, que exigem maior capacidade de processamento e servidores mais avançados.

Nos Estados Unidos, a maior utilização de servidores voltados a cargas de trabalho de IA contribuiu para que os data centers dobrassem seu consumo de eletricidade. A experiência internacional indica que a infraestrutura digital pode ganhar relevância crescente no planejamento do setor elétrico, sobretudo em regiões que concentram grandes instalações.

Brasil pode alcançar 20 GW até 2035

No Brasil, o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética, a EPE, projeta que o país pode alcançar 20 gigawatts de capacidade instalada de datacenters até 2035. Desse total, 5,6 gigawatts poderiam entrar em operação até 2030.

Os projetos devem se concentrar principalmente em duas regiões. No Sudeste, os destaques são a Grande São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. No Nordeste, Ceará e Sergipe aparecem como áreas com potencial para receber novos investimentos.

Os pedidos de conexão à rede elétrica também sinalizam a dimensão dessa oportunidade. Há 77 projetos relacionados à instalação de datacenters, que somam cerca de 26 gigawatts de capacidade até 2038. O volume equivale a aproximadamente 50% da atual demanda de pico de energia do Brasil.

Redata pode estimular novos investimentos

O Redata instituiu um regime tributário voltado à instalação e à expansão de datacenters no país. A medida prevê a suspensão de tributos federais incidentes sobre equipamentos elegíveis de tecnologia da informação e comunicação. Após a conclusão dos investimentos e o cumprimento dos requisitos aplicáveis, os tributos suspensos poderão ser convertidos em alíquotas zero.

A redução dos custos iniciais dependerá da composição dos equipamentos de cada projeto e das regulamentações que definirão os produtos elegíveis. Ainda assim, o programa pode reduzir parte da desvantagem de custos do Brasil em relação a outros mercados internacionais.

Em contrapartida, as empresas participantes deverão atender requisitos de eficiência hídrica e inovação. Entre as exigências, está o investimento de 2% do valor dos equipamentos incentivados em pesquisa e desenvolvimento local.

Além disso, os beneficiários deverão atender integralmente sua demanda contratada de eletricidade com fontes renováveis ou de baixa emissão, por meio de contratos de fornecimento de energia ou autoprodução. Esse requisito pode favorecer os portfólios diversificados de geração do Brasil, com destaque para ativos hidrelétricos, eólicos e solares.

Utilities podem se beneficiar da nova demanda

A análise do Safra aponta potencial de alta para o setor de utilities a partir da expansão dos datacenters. Considerando a experiência dos Estados Unidos como referência, a demanda por eletricidade no Brasil poderia crescer 2,7% acima do cenário-base da EPE.

A projeção considera uma situação em que os datacenters passam a responder por 8% da demanda total de energia, ante uma participação de 5% no cenário-base. O movimento poderia beneficiar distribuidoras com presença nas regiões que devem concentrar novos projetos, como Enel, CPFL, Light, Equatorial e Energisa.

As geradoras também podem capturar oportunidades. Em algumas regiões dos Estados Unidos, onde a demanda dos datacenters avançou de forma mais intensa, os preços de energia subiram cerca de 30% entre 2020 e 2025. Embora fatores como condições climáticas e custos de combustíveis também tenham influenciado esse movimento, maiores pagamentos por capacidade podem beneficiar empresas como Axia e Copel.

Impacto deve aparecer a partir de 2029

A construção de datacenters costuma levar entre 18 e 48 meses. Por isso, a maior necessidade de energia dessas instalações deve começar a impactar a demanda elétrica de forma mais relevante a partir de 2029.

Até lá, a expansão dependerá da execução dos projetos, da disponibilidade de conexão à rede, da contratação de energia renovável ou de baixa emissão e da regulamentação complementar do Redata.

A expansão dos datacenters pode, portanto, representar uma nova etapa para o setor elétrico brasileiro. Além de elevar o consumo de energia, o avanço dessas estruturas tende a reforçar a importância de ativos de geração limpa, infraestrutura de rede e capacidade de atendimento a grandes consumidores.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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