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CSN avança na desalavancagem, mas minério pressiona CMIN

Relatório do Safra aponta melhora na credibilidade da estratégia financeira da CSN diante do avanço do aço e da força do negócio de cimento, mas mantém recomendação neutra para a companhia e de venda para a CSN Mineração em meio à fragilidade do minério de ferro e à pressão sobre geração de caixa

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CSN Mineração

Ações da CSN acumulam forte queda desde a última revisão do Safra, refletindo o aumento da alavancagem e o encarecimento da rolagem de dívida, enquanto CSN Mineração enfrenta deterioração dos fundamentos do minério de ferro | Foto: Getty Images

A CSN (CSNA3) começa a recuperar parte da confiança do mercado ao apresentar uma trajetória de desalavancagem considerada mais crível pelos especialistas do Banco Safra, embora o banco ainda avalie que os resultados concretos da estratégia precisam aparecer antes de uma mudança de recomendação para a ação.

Em relatório publicado em 17 de julho, os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro mantiveram recomendação neutra para a siderúrgica, mas reduziram o preço-alvo de R$ 11,30 para R$ 6,10 por ação para o fim de 2026. O novo valor implica potencial de valorização de cerca de 19% sobre o fechamento mais recente.

Desde a última atualização do banco, os papéis da companhia acumulam queda de 47%, desempenho muito inferior ao Ibovespa, que avançou 10% no período. Segundo o Safra, a deterioração refletiu principalmente o aumento da percepção de risco financeiro, impulsionado pela abertura dos spreads de crédito e pelo encarecimento da rolagem da dívida corporativa.

A dívida líquida da CSN atingiu R$ 40,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, enquanto a alavancagem chegou a 3,4 vezes dívida líquida sobre EBITDA.

Venda de ativos e melhora do aço sustentam tese de recuperação

Apesar do ambiente ainda pressionado, o Safra avalia que alguns vetores operacionais começam a favorecer a companhia.

O principal deles é a melhora do mercado doméstico de aço. O banco projeta continuidade do fortalecimento das vendas internas, acompanhada pela redução das importações e pela recuperação dos preços domésticos. Há ainda um potencial gatilho adicional relacionado à possibilidade de adoção de medidas antidumping sobre bobinas laminadas a quente até o fim de 2026.

Negócio de cimento ganha relevância estratégica

Outro ponto central da tese é o desempenho da operação de cimento, considerada hoje um dos principais ativos defensivos da companhia.

O Safra estima o negócio de cimento em mais de R$ 10 bilhões, valor relevante diante dos cerca de R$ 22 bilhões em vencimentos concentrados entre 2026 e 2028. A avaliação é de que uma eventual monetização parcial do ativo poderia aliviar as preocupações de liquidez e melhorar as condições de refinanciamento da dívida.

Além disso, o banco vê espaço para novas iniciativas de desinvestimento, incluindo:

  • Venda de participações em ativos de logística, com potencial de levantar cerca de R$ 7 bilhões;
  • Monetização de fatias adicionais da CSN Mineração;
  • Possível entrada de recursos provenientes da disputa judicial envolvendo a Ternium, estimada entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões.

“O plano de desinvestimentos ganhou força e torna a trajetória de desalavancagem mais plausível”, destacam os analistas.

Mineração perde força e limita revisão positiva para CSN

Se aço e cimento começam a compensar parte da pressão financeira, o segmento de mineração segue como principal foco de preocupação.

O Safra reduziu suas estimativas para mineração, logística e energia nos próximos dois anos, movimento que compensou parcialmente a revisão positiva para aço e cimento.

A projeção consolidada de EBITDA da CSN para 2026 e 2027 caiu para R$ 22,5 bilhões, refletindo:

  • Queda esperada em mineração;
  • Menor contribuição logística;
  • Pressão sobre energia;
  • Continuidade da queima de caixa livre.

A instituição também projeta fluxo de caixa livre negativo para os acionistas ao longo dos próximos anos, o que mantém a companhia em situação financeira delicada apesar da melhora operacional em algumas frentes.

Safra reitera venda para CSN Mineração

O cenário é ainda mais cauteloso para a CSN Mineração (CMIN3). O Safra reiterou recomendação de venda para a companhia, com preço-alvo de R$ 5,40 por ação.

Embora os papéis tenham acumulado recuperação de cerca de 34% desde as mínimas recentes, impulsionados pelo programa de recompra de ações, o banco considera que os fundamentos permanecem frágeis.

A principal preocupação está na perspectiva para o minério de ferro. O Safra estima preço médio de US$ 99 por tonelada em 2027, abaixo do nível implícito nas cotações atuais da ação.

Na avaliação dos analistas, os múltiplos de mercado da CMIN ainda embutem um cenário excessivamente otimista para a commodity.

Pressão sobre caixa e investimentos no P15

Outro fator de preocupação é a deterioração esperada do fluxo de caixa livre diante da aceleração dos investimentos no projeto P15.

O Safra projeta queda de 20% no EBITDA da mineradora em 2026, ao mesmo tempo em que estima aumento gradual da alavancagem até 2029.

Além disso, persiste no mercado a percepção de que a CSN Mineração pode continuar sendo utilizada como fonte de liquidez para a controladora, o que reduz a atratividade da tese para investidores minoritários.

Comparação com pares reforça visão conservadora

Na comparação com concorrentes globais e domésticos, o Safra avalia que a CSN negocia em múltiplos relativamente descontados, mas ainda sem catalisadores suficientes para justificar uma recomendação mais otimista.

A CSN é negociada a 4,1 vezes valor da firma sobre EBITDA estimado para 2026, abaixo de pares internacionais como Nucor e Steel Dynamics, mas próxima de Usiminas e Gerdau.

Já a CSN Mineração aparece negociando a 6,3 vezes EV/EBITDA de 2026, acima da Vale e de outras mineradoras globais relevantes, mesmo com perspectivas mais frágeis para geração de caixa.

Mercado acompanha execução da desalavancagem

A leitura predominante entre investidores passa agora pela capacidade da CSN de executar sua agenda de desalavancagem em um ambiente ainda desafiador para crédito corporativo e commodities metálicas.

Embora o Safra reconheça sinais de melhora na qualidade operacional e no portfólio de ativos da companhia, o banco considera que a materialização de vendas de ativos, redução efetiva da dívida e melhora consistente do fluxo de caixa serão determinantes para uma eventual revisão positiva da tese de investimento.

Para a CSN Mineração, o cenário permanece mais adverso, diante da combinação entre minério de ferro pressionado, aumento de custos operacionais e necessidade crescente de investimentos.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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