CSN tem espaço para recuperação com avanço da desalavancagem
Banco Safra vê espaço para recuperação da ação da siderúrgica CSN (CSNA3) com avanço da desalavancagem da empresa
26/12/2025 3 minutos
A CSN Mineração (CMIN3) se beneficiou dos preços do minério de ferro em 2025, que devem se estabilizar em 2026 | Foto: Getty Images
As ações da CSN (CSNA3) foram negligenciadas devido às fracas perspectivas de fluco de caixa livre (FCL) até 2029 (retorno médio de FCL de -35 % em 2026–2028E), mas o Banco Safra vê espaço para recuperação com avanço da desalavancagem.
A desalavancagem de fato é incerta, mas o Banco Safra avalia o cronograma e prioridades mais claros. No entanto, uma recomendação de Compra só viria após a execução.
As margens de aço podem melhorar em 2026, segundo o Safra, com a solidez dos segmentos de Cimento e Logística, e os riscos de liquidez podem diminuir com a venda da participação na MRS e o refinanciamento da dívida.
Já a CSN Mineração (CMIN3) se beneficiou dos preços do minério de ferro em 2025, que devem se estabilizar em 2026, reduzindo o EBITDA (-16 % a/a), enquanto juros aumentam com a aquisição da participação na MRS e o aumento do capex P15.
Pode haver excesso de oferta de ações devido à revenda de ~53 mi de ações em tesouraria (cerca de 10 dias de negociação). CSN: recomendação elevada para Neutra e preço-alvo de BRL 11,30/ação (de BRL 8,30) para 2026.
O fraco fluxo de caixa livre da CSN (-35% em média em 2026–2028) é claro, mas pode ganhar força com a desalavancagem.
As margens do aço podem reverter em 2026 devido a preços mais altos – com base em informações de distribuidores (tentativa de aumento de 5%–10% em janeiro) e montadoras (0%–5% em janeiro e abril) –, medidas antidumping sobre aço plano e aumento das vendas no mercado interno.
CSNA3: logística e cimento surpreenderam
O risco de liquidez deve diminuir com a venda da participação na MRS, criando uma reserva de BRL 3,8 bi para títulos que vencem em 2026–
2027, possibilitando o refinanciamento da dívida (76% detida por bancos) e reduzindo o risco de rebaixamento do rating de crédito.
Esse é o passo inicial para lidar com os R$ 8,1 bi em títulos com vencimento em 2028. Embora paliativo em relação à dívida líquida (R$ 37,5 bi no 3T25), a desalavancagem poderia acelerar via suspensão de dividendos, venda de ativos e IPOs de subsidiárias. Indenização do processo contra Ternium adiciona opcionalidade (BRL 3–4 bi).
Execução no curto prazo é incerta, mas foco da gestão é claro
CMIN: recomendação rebaixada para Venda e novo preço-alvo de R$ 5,80/ação (de R$ 5,30) para 2026. O rebaixamento reflete menor potencial de valorização pelo fluxo de caixa descontado (FCD) e pior desempenho das ações, já que a posição de caixa líquida deve se inverter em 2026 com EBITDA mais fraco, maior capex e aquisição da participação na MRS – ainda não incluída em nas projeções atuais, já que a venda não foi concluída.
A revenda de 53 mi de ações em tesouraria (cerca de R$ 300 mi) não seria suficiente para compensar essas saídas de caixa, pois o Safra estima a transação com a MRS, por si só, em R$ 2,5 bi a BRL 3 bi.
O baixo free float e o volume médio de negociação diário da CMIN aumentarão o efeito da revenda de ações sobre seu preço e poderão levar os
múltiplos a se aproximar dos de pares de minério de ferro (5,3x vs. 5,7x EV/EBITDA da CMIN em 2026)
O excesso de oferta de ações da CMIN pode aumentar se a CSN vender participação adicional na subsidiária. A situação financeira da CMIN
é muito mais sólida do que a da CSN, mas o Safra acredita que as ações da CSN terão desempenho melhor em função desses eventos marginais.
Números da CSN
O Banco Safra elevou as projeções de EBITDA para a CSN para R$ 10,9 bi em 2026 (+20%; 2% abaixo do consenso). A melhora nos resultados da CSN deve-se aos resultados mais altos de Mineração (+8%), Cimento (+39%) e Logística (+29%), que compensaram os números mais fracos de Energia (-20%).
O Safra manteve inalteradas as estimativas para Aço. Para a CMIN, o banco elevou a projeção de EBITDA para R$ 5,3 bi (+10%; 4% acima do consenso) em 2026, devido principalmente a projeções mais altas para preços realizados (US$ 53/t FOB, +9%), e manteve os volumes de vendas em 43 mi de toneladas.
Riscos: (i) Preços de minério de ferro e aço diferentes das expectativas; (ii) alterações no cronograma de projetos de minério de ferro; (iii) decisões diferentes de alocação de capital; (iv) mudanças nas políticas, incluindo medidas antidumping e regulamentações ambientais.
Leia também