CSN estuda venda de divisão de cimentos e tem nota rebaixada pela Moody’s
Agência Moody’s cortou a nota de crédito global da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para B2; siderúrgica pode vender divisão de cimentos para abater dívidas
20/02/2026 2 minutos
Venda de divisão de cimentos melhora a liquidez e acelera a desalavancagem, com benefícios tanto para detentores de títulos quanto para acionistas, avalia o Banco Safra | Foto: Getty Images
A J&F estuda a aquisição da CSN Cimentos, avaliada em um valor mínimo de cerca de R$ 10 bilhões em termos de valor da empresa (EV), segundo informações veiculadas no jornal O Estado de S. Paulo. A venda é o ponto central do plano de desinvestimentos da CSN, já que a companhia busca levantar R$ 16–18 bilhões para reduzir sua dívida líquida de aproximadamente BRL 40 bilhões.
Após a notícia, a agência de classificação de risco Moody’s cortou a nota de crédito global da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de “Ba3” para “B2” e a colocou em perspectiva negativa. Segundo a agência, o rebaixamento reflete a estrutura de capital altamente alavancada da companhia e a necessidade premente de executar iniciativas de desalavancagem para reduzir os níveis de dívida.
A avaliação também levou em conta o plano para vender uma participação minoritária em seus ativos de infraestrutura e uma fatia majoritária em seus ativos de cimento, com a meta de levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, segundo reportagem do Valor Econômico.
Análise da ação da CSN
A venda da da participação na CSN Cimentos pode acelerar a desalavancagem e fortalecer a liquidez, segundo análise dos especialistas do Banco Safra. A CSN
Cimentos registrou R$ 2,9 bilhões em dívida líquida em 2024, e o safra espera uma desalavancagem limitada até o final de 2025, dado o fluxo de caixa livre próximo de zero em 2024 e um EBITDA praticamente estável ano a ano em 2025.
Segundo as estimativas do Banco Safra, o EBITDA da divisão deve alcançar cerca de BRL 1,5 bilhão em 2026, o que implica um múltiplo EV/EBITDA de 6,7x considerando a avaliação reportada de BRL 10 bilhões — dentro da faixa dos pares na América Latina.
Para contextualizar, a venda de uma participação de 60% (a um EV de R$ 10 bilhões) poderia gerar R$ 4,3 bilhões em recursos para a CSN (cerca de 12% da estimativa do Safra de dívida líquida ao final de 2025) e seria suficiente para cobrir as amortizações no mercado de capitais entre 2026–27.
Contudo, o Safra destaca que os R$ 8,1 bilhões em vencimentos no mercado de capitais previstos para 2028 exigirão iniciativas adicionais de desalavancagem.
Os especialistas do Safra vêem a potencial transação como positiva para o crédito, melhorando a liquidez e acelerando a desalavancagem, com benefícios tanto para detentores de títulos quanto para acionistas.
Leia também