O ingrediente secreto que explica o crescimento do crédito para PMEs
Especialistas do Banco Safra destacam mecanismos de fundos garantidores que reduzem o risco e ampliam o acesso das pequenas e médias empresas ao crédito
24/11/2025 3 Minutos
Enquanto o crédito para micro e pequenas empresas estagnou, as médias empresas impulsionam o crescimento, apoiadas por melhor qualidade de ativos e retornos atrativos | Foto: Getty Images
No período de 2023–2025, as safras de crédito para pequenas e médias empresas (PMEs) superaram significativamente as expectativas, embora, historicamente, a qualidade dos ativos desse segmento tenda a se deteriorar sob condições monetárias mais restritivas.
Na avaliação dos especialistas do Banco Safra, isso é sustentado por mecanismos robustos de fundos garantidores que reduzem materialmente o risco para os credores e ampliam o acesso ao financiamento.
Fundos garantidores ganham espaço
Amparados por fundos como o fundo Garantidor de Investimentos (FGI) e Fundo Garantidor de Operações (FGO), os bancos podem conceder empréstimos com fortes garantias e risco mínimo de colateral, permitindo maior penetração em um segmento tradicionalmente subatendido.
Esses programas evoluíram de medidas emergenciais para pilares permanentes do financiamento às PMEs, apoiados por injeções recorrentes de capital e condições favoráveis.
Para as instituições financeiras, isso se traduz em um alavancador atraente de crescimento do NII (Net Interest Income, ou receita líquida de juros) ajustado ao risco e, portanto, da rentabilidade no segmento.
A originação combinada de FGI PEAC + FGO Pronampe saltou de R$ 25 bilhões em 2021 para estimados R$ 125 bilhões em 2025 (+50% CAGR em 4 anos).
Bradesco e Itaú lideram mercado de crédito para PMEs
A liderança de mercado permanece concentrada, com Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4) capturando 24% e 21%, respectivamente, da safra de 2025.
Enquanto o crédito para micro e pequenas empresas estagnou recentemente, as médias empresas impulsionam o crescimento, apoiadas por melhor qualidade de ativos e retornos atrativos.
Após fortes originações entre 2020–23, o Pronampe mostra sinais de desaceleração diante de uma qualidade de ativos menos favorável e economia prospectiva mais fraca com a expectativa de queda dos juros, enquanto o PEAC ganha tração graças à sua estrutura de taxa fixa, elevando o ROE à medida que o custo de funding cai.
Bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa) estão migrando para o PEAC, enquanto bancos privados aceleram os desembolsos.
O PEAC escalou rapidamente, com saldo de carteira próximo de R$ 200 bilhões, reforçando seu papel como motor estrutural de crescimento no crédito para PMEs.
Banco do Brasil aumenta apetite ao risco
Bancos privados, especialmente Bradesco e Itaú, lideram as originações, alavancando fortes relações corporativas, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) aumenta gradualmente seu apetite por risco.
A dinâmica de participação de mercado mostra o Bradesco na liderança no segmento de pequenas empresas (~28% de market share), o Itaú mais concentrado em médias empresas e o BB ganhando tração nesses dois segmentos.
As garantias governamentais permitem que os bancos atendam perfis ligeiramente mais arriscados (ratings B–C) sem comprometer a qualidade dos ativos, que permanece sólida apesar do aumento nas taxas de inadimplência.
A economia do produto é atraente: taxas fixas e cobertura de garantias sustentam NIMs elevados e tendências benignas de crédito à medida que os juros caem, criando dupla alavanca para a lucratividade.
O PEAC se posiciona como um produto de alto ROE (+30%) para bancos que mantêm disciplina de inadimplência dentro das
faixas garantidas.
Pronampe perde força
O Pronampe vem perdendo força, com saldo de R$ 116 bilhões e originações em queda desde 2023, lideradas por recuos acentuados na Caixa e no BB.
Bancos privados permanecem players marginais e reduzem exposição, em linha com a menor atratividade econômica do Pronampe em comparação ao PEAC.
O crédito está concentrado em capital de giro, enquanto os volumes para micro e pequenas empresas estagnam ou caem.
O aumento no acionamento das garantias sinaliza deterioração da qualidade de ativos, especialmente nos bancos públicos, onde os pagamentos de garantias (repasses dos fundos governamentais aos bancos) estão crescendo.
A análise de rentabilidade feita pelos especialistas do Banco Safra indica ROEs atuais próximos de 26% com Selic a 15%, mas os retornos devem se comprimir com a queda dos juros, tornando o controle da inadimplência fundamental.
Diferentemente do PEAC, o Pronampe carece de vetores estruturais de suporte, reforçando sua tendência de queda e limitando seu papel como alavanca de crescimento para os bancos.
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