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Crédito imobiliário cresce e favorece ações de construtoras em 2026

Banco Safra projeta um ambiente mais construtivo para as construtoras de média e alta renda no ano de 2026, com o avanço do ciclo de queda de juros

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crédito imobiliário

Com ciclo de corte de juros em 2026, a Abecip projeta expansão anual de 16% no volume de crédito | Foto: Getty Images

O Monitor de Crédito Imobiliário do Banco Safra analisa os dados de janeiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e de dezembro do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

O relatório apresenta os números mais recentes sobre a saúde do crédito e a disponibilidade de funding tanto no FGTS (destinado a famílias
de baixa renda) quanto no SBPE (voltado para famílias de média e alta renda).

Atenção às próximas revisões do Minha Casa, Minha Vida

O governo está preparando uma nova rodada de incentivos do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) para melhorar a capacidade de compra dos consumidores. Esses ajustes incluem um aumento do teto de renda em todas as faixas — com as Faixas 1 e 2 provavelmente subindo para cerca de R$ 3,2 mil (de R$ 2,85 mil) e cerca de R$ 5,0 mil (de R$ 4,7 mil), respectivamente.

Para a Faixa 3, há rumores de que tanto o teto de renda quanto o teto de preço (R$ 8,6 mil e R$ 350 mil) devem ser elevados em dois dígitos (~11%–14%). Parte desses incentivos pode ser aprovada já na próxima reunião do Conselho Curador do FGTS, marcada para 24 de março.

Além das revisões das faixas de renda, discussões dentro das entidades do setor indicam que o orçamento habitacional de 2026 pode atingir um recorde de cerca de R$ 210 bilhões (ante R$ 175 bilhões), provavelmente reforçado por recursos adicionais do Fundo Social (~25% do total).

Notavelmente, esses recursos adicionais devem ser usados para ajudar o governo federal a atingir sua meta de financiar 1 milhão de unidades pelo programa até o fim
do ano.

Contratações de crédito imobiliário via FGTS

Os desembolsos para habitação de baixa renda alcançaram R$ 9,7 bilhões em janeiro (-9% m/m e +7% a/a), ou R$ 127,4 bilhões no acumulado de 12 meses (+5% a/a). As originações de crédito para construtoras (“crédito PJ”) representaram cerca de 32% do crédito habitacional total (vs. 21% em janeiro de 2025 e 24% em dezembro de 2025), acima da média de 24% dos últimos 12 meses.

Enquanto isso, o funding para unidades usadas via FGTS chegou a R$ 1,1 bilhão em janeiro (+28% m/m e -29% a/a), representando apenas 11% do volume desembolsado no mês (vs. 8% em dezembro de 2025 e 17% em janeiro de 2025), em linha com a média de 12 meses (12%).

Minha Casa, Minha Vida – Faixa 4

As originações mensais atingiram R$ 0,9 bilhão em janeiro (-24% m/m), ou R$ 8,7 bilhões no acumulado de 12 meses. Embora esperemos uma retomada das originações nos próximos meses, entidades do setor e o Ministério das Cidades discutem possíveis ajustes para estimular a demanda.

Isso pode incluir aumento dos tetos de renda e preço, além de redução das taxas de financiamento (atualmente TR + 10%), considerando a maior participação dos recursos do Fundo Social, que reduz o custo total do funding.

Cadernetas de poupança e taxas hipotecárias

As contas de poupança registraram saída líquida de R$ 18,8 bilhões em janeiro, acumulando R$ 61 bilhões nos últimos 12 meses (+139% a/a). As originações do SBPE fecharam 2025 em R$ 156 bilhões (-13% a/a), refletindo quedas de 35% a/a nos empréstimos a construtoras e de 9% a/a nos empréstimos para pessoas físicas.

Para 2026, os especialista do Banco Safra projetam um ambiente mais construtivo para o segmento de média e alta renda com o avanço do ciclo de queda de juros.

A Abecip projeta expansão de 16% a/a no volume de crédito em 2026. O relatório do Safra também destaca os recentes, ainda que modestos (~10–20 bps), cortes nas taxas hipotecárias por alguns grandes bancos privados (Itaú e Santander), que juntos representaram 36% do total de crédito concedido a pessoas físicas em 2025.

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