Copom mantém juros em 15% e deixa corte da Selic para 2026
No comunicado, o Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que "não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado"
10/12/2025 Atualizado em 11/12/2025 4 minutos
Decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central já era amplamente esperada pelo mercado financeiro | Foto: Getty Images
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, destacando que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Foi a quarta reunião consecutiva com a taxa Selic no maior patamar desde 2006.
A decisão já era esperada pela maioria dos analistas do mercado financeiro. O Copom justificou a decisão citando o ambiente externo ainda incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais.
Copom reafirma que pode voltar a subir juros, se necessário
No comunicado, o Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.
“O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária”, afirma o comunicado. “O Comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Segundo os analistas do Banco Safra, a inflação oficial medida pelo IPCA deve encerrar este ano em 4,4% e caminhará para 3,7% em 2026. A projeção está abaixo do consenso de mercado divulgada pelo relatório Focus do Banco Central nesta semana. O Safra projeta o início do corte da taxa básica de juros para janeiro, diante dos sinais de queda da taxa de inflação. A perspectiva é de que a taxa caia para 11,5% até o final de 2026.
Nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve (FOMC) voltou a reduziu os juros em 0,25 ponto porcentual nesta quarta-feira, levando a taxa para o intervalo de 3,5% a 3,75%.
Íntegra do Comunicado do Copom
Confira a íntegra da decisão do copom que manteve os juros em 15% ao ano:
“O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, como observado na última divulgação do PIB, enquanto o mercado de trabalho mostra resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.
As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,4% e 4,2%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2% no cenário de referência.
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se:
- (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado;
- (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e
- (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
Entre os riscos de baixa, ressaltam-se:
- (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação;
- (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e
- (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.
O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.
O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante.
Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária.
O Comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.”

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