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Copom deve reduzir Selic e manter postura cautelosa, avalia Safra

Atividade resiliente, mercado de trabalho aquecido e riscos do El Niño limitam o ritmo do ciclo de cortes de juros

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Projeções indicam que a taxa básica de juros pode encerrar o ano em 13,50% ao ano, em um cenário de ajuste gradual da política monetária

O Banco Safra avalia que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve adotar uma condução mais cautelosa da política monetária na reunião de junho, em um cenário econômico menos favorável desde o início do atual ciclo de calibração, iniciado em março. A expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que deve encerrar 2026 em 13,50% ao ano.

A avaliação reflete um ambiente marcado por inflação ainda resistente, atividade econômica mais aquecida do que o esperado e riscos adicionais associados a choques externos e ao fenômeno climático El Niño. Segundo o Safra, esses fatores tendem a limitar a velocidade de flexibilização monetária ao longo dos próximos meses.

Atividade econômica pressiona ritmo de cortes

Desde a última reunião do Copom, o cenário doméstico mostrou sinais de maior resiliência da atividade econômica. O crescimento do PIB no início do ano ficou levemente acima das projeções do Banco Central, impulsionado pelo consumo das famílias, beneficiado pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e pelo reajuste do salário mínimo.

Além disso, o mercado de trabalho permanece aquecido, com taxa de desemprego em mínima histórica, o que pode levar a uma revisão marginal do hiato do produto. Para os especialistas do Safra, esse conjunto de dados reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária.

Inflação segue acima da meta com pressões setoriais

O cenário inflacionário continua desafiador. O IPCA de maio superou o teto da meta ao alcançar 4,72% em 12 meses, ainda que os núcleos tenham mostrado estabilidade e leve recuo nas métricas subjacentes. A inflação de serviços permanece em patamar elevado, refletindo a inércia inflacionária e a ausência de folga relevante no mercado de trabalho.

Os riscos prospectivos seguem associados a choques exógenos. A alta recente dos preços do petróleo e de insumos agrícolas, além dos efeitos do El Niño sobre a oferta de alimentos, tende a pressionar as expectativas de inflação, especialmente em 2027. Por outro lado, a perspectiva de maior volume de chuvas no segundo semestre pode aliviar parte das pressões via tarifas de energia.

Projeções indicam convergência apenas em 2028

Considerando uma taxa de câmbio ao redor de R$ 5,10 por dólar e a trajetória da Selic indicada pelo mercado, o Safra projeta que o modelo do Banco Central aponte inflação de 3,7% no quarto trimestre de 2027, acima da meta. Para 2028, a expectativa é de desaceleração gradual, com a inflação convergindo para 3% ao longo do ano.

A partir disso, o Banco Safra avalia que o Copom deve manter uma estratégia de cortes graduais, compatível com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta no horizonte mais longo. A expectativa é que a política monetária siga calibrada, equilibrando o processo de desinflação com a resiliência da atividade econômica e os riscos no cenário internacional.

Assista ao episódio completo do Safra Insights no canal do Banco Safra no YouTube.

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