Superquarta tem corte de juros no Brasil e aumento nos Estados Unidos
Banco Central reduz a taxa básica para 13,75% ao ano, enquanto o Federal Reserve promove a primeira alta de juros em três anos; Safra vê espaço para continuidade da flexibilização monetária no Brasil
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Decisões do Copom e do Federal Reserve reforçam a divergência entre os ciclos de juros no Brasil e nos Estados Unidos | Foto: Getty Images
A superquarta levou as políticas monetárias do Brasil e dos Estados Unidos a direções opostas. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano.
A decisão ocorre em um ambiente de desaceleração da atividade econômica, inflação mais comportada e estabilidade do câmbio. Esse conjunto de fatores abre espaço para a continuidade do ciclo de redução dos juros no Brasil.
A expectativa do Banco Safra é de que o arrefecimento da atividade e a melhora dos indicadores de preço permitirão a continuidade dos cortes de juros para 13,25% ao ano até o final de 2026.
Segundo Matheus Rosignoli, da área de Macroeconomia do Banco Safra, o Copom tende a preservar o ritmo recente de cortes, embora mantenha cautela diante das incertezas domésticas e externas.
“O conjunto de variáveis permite a continuidade do ciclo”, afirma o economista. Entre os principais indicadores monitorados estão a moderação do consumo, a trajetória da inflação e o comportamento da taxa de câmbio.
Fed eleva juros pela primeira vez em três anos
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve, Fed, elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão marcou a primeira alta dos juros americanos em três anos.
O movimento reforça a importância da política monetária americana para os mercados globais e, em especial, para os ativos brasileiros. Juros mais elevados nos Estados Unidos podem aumentar a atratividade dos títulos americanos, fortalecer o dólar e pressionar moedas de países emergentes.
Ainda assim, o Banco Safra avalia que a alta dos juros americanos não deve alterar o rumo do afrouxamento monetário no Brasil, diante dos fundamentos domésticos que sustentam a redução da Selic.
Economia brasileira deve desacelerar nos próximos trimestres
Para os próximos trimestres, os especialistas do Banco Safra projetam continuidade da desaceleração da economia brasileira. O cenário considera os efeitos defasados de uma política monetária ainda contracionista e a perda de impulso dos estímulos que sustentaram a atividade no início do ano.
O Safra mantém a projeção de crescimento de 1,9% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e de 1,4% em 2027. A expectativa do banco é que a Selic encerre 2026 em 13,25% ao ano. Em 2027, a previsão considera novas reduções da taxa básica, até o patamar de 11% ao ano em meados do período.
Comunicado reforça cautela sobre rumo dos juros
No comunicado sobre a decisão, o Copom avalia que a economia brasileira segue em desaceleração gradual e que a inflação apresentou alguma melhora recente.
Apesar disso, o Comitê manteve um tom cauteloso. A atividade e o mercado de trabalho ainda mostram resiliência, enquanto as expectativas de inflação para 2026 e 2027 permanecem acima da meta. Além disso, o ambiente externo ganhou incerteza com conflitos no Oriente Médio, volatilidade de commodities e dúvidas sobre a condução dos juros em economias avançadas.
O Banco Central destacou que os riscos para a inflação continuam elevados e com viés de alta. Entre eles estão uma possível persistência da inflação de serviços, a desvalorização prolongada do real, choques nos preços de petróleo, alimentos e energia, além de estímulos ao consumo que possam sustentar a atividade acima do esperado.
Por outro lado, uma desaceleração mais forte da economia brasileira ou global e a queda das commodities poderiam contribuir para reduzir a inflação.
Com isso, o Copom afirmou que os próximos passos da política monetária dependerão da evolução dos dados. O Comitê seguirá calibrando o ciclo de cortes para conduzir a inflação à meta, preservando uma postura de cautela diante das expectativas ainda desancoradas e do cenário fiscal e externo mais incerto.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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