Na fila da privatização, Copasa tem lucro acima do esperado
EBITDA da CSMG3 avança 14%, mas fica abaixo das projeções do mercado; privatização segue como principal catalisador para as ações.
26/02/2026 2 minutos
O lucro da Copasa superou a expectativa do Banco Safra devido à variação cambial, que afetou o resultado financeiro, e a uma menor taxa efetiva de imposto | Foto: Divulgação
A Copasa (CSMG3) reportou EBITDA de R$ 731 milhões (+14% a/a), excluindo equivalência patrimonial, o que a deixou 5% abaixo da estimativa do Banco Safra e 6% abaixo do consenso. O lucro líquido de R$ 337 milhões (+24% a/a) ficou 13% acima da estimativa Safra (em linha com o consenso).
No geral, os resultados operacionais vieram um pouco abaixo das expectativas devido a maiores despesas relacionadas ao meio ambiente. Ainda assim, o lucro superou a expectativa dos especialistas do Safra devido à variação cambial, que afetou o resultado financeiro, e a uma menor taxa efetiva de imposto.
Além disso, a companhia anunciou a eleição de Gustavo de Oliveira Barbosa como presidente do conselho de administração e Márcia Fragoso Soares como vice-presidente.
Resultados do 4T25 em detalhes
- A receita líquida de CSMG3 (excluindo receita de construção) atingiu R$ 1.882 milhões (+7% a/a), 2% acima da estimativa Safra, ajudada por:
- (i) o reajuste tarifário de 6.42% implementado em 2025 e maiores volumes (+3.5% a/a no volume total), que vieram melhores do que o estimado (+5% acima do Safra). O desempenho dos volumes foi positivamente impactado por mais dias registrados no ciclo de faturamento no 4T25 (95,4 dias, +3,4% q/q) e pelo aumento no número de economias de água e esgoto no LTM;
- (ii) tarifas médias maiores (3% acima das expectativas) como resultado de um mix de vendas mais favorável.
Os custos totais (ex D&A) vieram 6% acima da estimativa dos analistas do Safra e cresceram 3% a/a. As despesas de PMSO ficaram estáveis a/a, mas acima das projeções, refletindo maiores despesas com programas de incentivo fiscal, bem como custos ambientais do Programa PróMananciais.
A inadimplência ficou em 2.9% das receitas vs. 2.3% no 3T25 e acima da estimativa de 2.3%. O lucro acima do esperado foi impulsionado principalmente pela variação cambial, que compensou o aumento das despesas financeiras, e pela menor taxa efetiva de imposto, parcialmente beneficiada pelo JCP no trimestre. A alavancagem aumentou levemente q/q para 2.3x dívida líquida/EBITDA, ante 2.1x.
Visão dos especialistas
O trimestre não teve grandes eventos, com foco na atualização sobre privatização. Os resultados operacionais vieram ligeiramente abaixo das estimativas do Safra, com maior pressão de custos do que o esperado, apesar do bom desempenho de volumes.
Na visão dos especialistas do Safra, o processo de privatização em andamento continua sendo o principal gatilho para as ações da companhia. Após a proposta de reforma estatutária e a divulgação das diretrizes para um modelo de privatização pelo Estado de Minas Gerais, os principais pontos de atenção passam a ser o cronograma para conclusão do processo e os detalhes da venda da participação do Estado.
Atualizações potenciais sobre a negociação de novos contratos de concessão com grandes municípios também serão cruciais para determinar a atratividade do valuation antes da operação. A recomendação segue Neutra para Copasa (CSMG3).
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