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Privatização da Copasa avança com diretrizes para o modelo

Minas Gerais prioriza modelo de corporação na privatização da Copasa para evitar risco de tomada hostil, o que seria negativo para minoritários da estatal de saneamento

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Lagoa da Pampulha em BH

Análise do Banco Safra destaca que as diretrizes são positivas e incluem melhorias em relação a outros modelos de privatização recentes | Foto: Getty Images

Em 28 de janeiro, após o fechamento do mercado, a Copasa (CSMG3) anunciou que recebeu do Estado de Minas Gerais as diretrizes para o modelo proposto de privatização. A companhia é responsável pela prestação de serviços de saneamento na maior parte do estado mineiro, que é o seu maior acionista.

Os detalhes da venda da participação do Estado na companhia são fundamentais para atrair participantes ao processo de privatização e podem também impactar sua avaliação futura.

Principais diretrizes da privatização da Copasa

Embora o governo estadual ainda não tenha definido um valuation mínimo para o ativo, a nota trouxe pontos importantes, como:

  • (i) a venda da participação ocorrerá por meio de uma oferta secundária, sem tranche primária (reduzindo o tamanho do follow-on e evitando diluição dos atuais acionistas);
  • (ii) o modelo permitirá ao Estado manter 5% da empresa caso haja um acionista de referência no processo, mas o
    Estado pode vender toda sua participação se não houver tal acionista (na visão do Banco Safra, isso reduz a percepção de risco de overhang por eventuais follow-ons futuros, com possível venda de fatias adicionais);
  • (iii) será permitida a participação de um acionista de referência com ao menos 30% da companhia (algo importante para atrair grandes investidores de infraestrutura);
  • (iv) haverá um período de lock-up de quatro anos para toda a participação adquirida pelo acionista de referência no follow-on e de 50% dessas ações até 2033 ou até o cumprimento das metas de universalização (o que ocorrer primeiro, ajudando o governo a atingir cobertura total de saneamento no Estado); e
  • (v) nenhum acionista poderá deter mais de 45% dos direitos de voto (reduzindo a probabilidade de uma tomada hostil).

Informações adicionais e próximos passos da venda de CSMG3

Agora que o modelo foi estabelecido, os analistas do Banco Safra entendem que o governo do Estado prioriza um modelo de corporação, que evitaria uma possível tomada hostil (que poderia ocorrer em outros modelos) e seria negativo para minoritários.

Ainda assim, o Safra considera importante obter mais informações, como as regras de escolha de acionistas de referência (e como suas propostas competirão com ofertas de minoritários), os requisitos para candidatos a acionistas de referência, o preço mínimo, a opinião do TCE sobre o processo, o cronograma de conclusão e o estatuto proposto com possíveis direitos especiais (e/ou poderes de veto) do Estado caso permaneça como acionista.

Na visão do banco Safra, o processo é positivo e mais próximo do cenário blue sky. Análise do Safra destaca que as diretrizes são positivas e incluem melhorias em relação a outros modelos de privatização recentes, com maior flexibilidade de voto, menor participação do Estado após a privatização e diferentes regras de lock-up que tendem a atrair mais investidores.

O Safra destaca que, na última atualização sobre a ação da companhia, mencionou que — assumindo mais eficiências, melhores resultados de revisões e custo de capital menor, entre outros fatores típicos do pós-privatização — o preço alvo estipulado para a ação (CSMG3) poderia subir para R$ 65.

O banco acredita que o mercado deverá receber bem as diretrizes iniciais, à espera dos detalhes adicionais do processo de prizatização.

CSMG3 entra no índice Ibovespa

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa MG) ingressou no início de janeiro no Ibovespa, o principal índice de desempenho das ações negociadas na B3. A inclusão das ações ordinárias da companhia (CSMG3) na carteira marca o reconhecimento do mercado financeiro à relevância da empresa no cenário nacional. A entrada no Ibovespa distingue-se da listagem comum na B3, da qual a Copasa faz parte desde 2006, por reunir apenas o grupo seleto de ativos com maior liquidez na Bolsa.

Além do Ibovespa, a Copasa mantém presença consolidada em outros indicadores da B3, como o Índice de Dividendos (IDIV), o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), o Índice de Governança Corporativa Trade (IGCT) e o Índice de Carbono Eficiente (ICO2).

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