Consignado privado cresce como motor de crédito ao consumidor
Análise das prévias operacionais dos principais bancos do País destaca queda do consumo das famílias e crescimento do consignado privado; confira recomendações do Safra
02/02/2026 Atualizado em 04/02/2026 3 minutos
O ciclo de crédito mostrou resiliência em 2025, com crescimento acima de 10% na comparação anual, mas tende a ser mais conservador com os juros atuais | Foto: Getty Images
O consumo das famílias tem perdido fôlego recentemente, e o consignado privado deve ser um importante motor para o crescimento do crédito ao consumidor, segundo a análise do Banco Safra. A análise das prévias operacionais dos bancos brasileiros indicam que a atenção dos investidores deve migrar para o guidance de 2026. Segundo o Safra, ainda não está claro como os bancos estão avaliando o ambiente atual da economia.
Até agora, os índices de inadimplência e o custo de risco (ex BB) têm se comportado bem; porém, para o Safra, qualidade de ativos é um ponto de atenção para 2026.
O ciclo de crédito mostrou resiliência em 2025, com crescimento acima de 10% na comparação anual, mas agora a pesquisa da Febraban aponta expectativa de ~8% A/A para 2026. Assim, o Safra não espera guidances otimistas, mas sim mais conservadores.
No Itaú (ITUB4), o Safra mantém visão construtiva, já que a resiliência do banco deve seguir como peça central da tese de investimento. A despesa operacional deve ser o principal ponto de atenção, pois o banco indicou 7% A/A no mid point do guidance de 2025 (com o 9M25 rodando a 8,5% A/A), já que custos tecnológicos e transacionais seguem elevados — mas investidores veem potencial para crescimento de despesas mais contido daqui para frente.
No Bradesco (BBDC4), embora a linha de receita siga saudável, o Safra esperamos postura mais conservadora em custo de risco e despesas, como parte do caminho gradual do banco para entregar ROEs maiores no futuro, não necessariamente já em 2026.
O guidance do Banco do Brasil (BBAS3) foi revisado em todos os trimestres de 2025; assim, o Safra vê pouco espaço para expectativas elevadas para 2026. O Safra mantém postura cautelosa com relação ao portfólio rural do Banco do Brasil.
Análises das prévias operacionais do bancos
- Santander Brasil (SANB11): recomendação neutra e preço-alvo de R$ 40 por ação
O balanço do Santander sai dia 4 de fevereiro antes da abertura do mercado. O Safra espera lucro sequencial maior, chegando a R$ 4,083 bilhões (ROE 17,5%). A receita líquida de juros (NII) de mercado deve novamente pesar sobre os resultados, enquanto a parcela Cliente deve compensar isso com crescimento sazonal de +3,9% T/T na carteira, liderado por crédito ao consumidor e PMEs. Provisões líquidas devem subir (custo de risco +7bps T/T), com formação de NPL pressionada por PMEs, cartões de baixa renda e rural. O NII ajustado ao risco deve crescer 2,7% T/T, abaixo do aumento de 3,5% T/T do
NII.
- Bradesco (BBDC4): recomendação de compra e preço-alvo de R$ 24 por ação
O balanço do Bradesco sai dia 5 de fevereiro após o fechamento do mercado. O Banco Safra projeta lucro líquido de R$ 6,422 bilhões (ROE 15,1%). O ritmo de crescimento do crédito deve desacelerar levemente para +7% A/A e a inadimplência de 90 dias deve permanecer estável em 4,1%. O Safra projeta alta de 4% T/T no NII Cliente, leve recuperação no NII de mercado (R$
145 milhões) e alta de 2% T/T em provisões. Para o guidance de 2026, esperamos provisões e opex maiores, levando o mid point do lucro líquido para ~R$ 28,2 bilhões.
- Itaú Unibanco (ITUB4): recomendação de compra e preço-alvo de R$ 49 por ação
O balanço do Itaú Unibanco sai dia 4 de fevereiro após o fechamento do mercado. O Safra projeta lucro líquido +4% T/T, chegando a R$ 12,317 bilhões (ROE 24,2%). O Safra prevê expansão sequencial de 2% no NII, com desempenho mais estável no working capital devido ao pagamento de dividendos no fim de dezembro. Qualidade de ativos segue estável, e tanto NPL quanto custo de risco devem ficar praticamente flat T/T. Assim, o NII ajustado ao risco deve crescer 3% T/T. Na carteira, PMEs (+4,4% T/T), impulsionadas por linhas com garantias públicas, e América Latina (+7,2% T/T), favorecida pela depreciação do real no trimestre, devem ser os motores. O Safra espera mid point do guidance de 2026 em R$ 52 bilhões.
- Banco do Brasil (BBSA3): recomendação neutra e preço-alvo de R$ 25 por ação
O balanço do BB sai dia 11 de fevereiro após o fechamento do mercado. O 4T deve mostrar melhora sequencial vs. 3T, mas sem grande inflexão das tendências recentes. Embora a renegociação do portfólio rural avance em bom ritmo (~R$ 20 bilhões), o Safra ainda espera pressão na inadimplência desse segmento e de PMEs (+36bps T/T). Assim, o Safra projeta provisões de R$ 19,9 bilhões (custo de risco de 6,5%), novamente sendo o principal detrator do lucro, com o crescimento de 3% T/T no NII bruto não sendo suficiente para compensar. O Safra estima EBIT estável em R$ 4,366 bilhões e lucro líquido de R$ 3,839 bilhões (+1,4% T/T por menor imposto; ROE 8,4%). O Safra mantém expectativa de lucro de R$ 22 bilhões em 2026 e espera que o guidance venha um pouco mais construtivo que isso, em R$ 23 bilhões.
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