Ações para aproveitar o pipeline de concessões de R$ 500 bilhões em 2026
Ciclo robusto de leilões em rodovias, ferrovias e mobilidade urbana indica Motiva em posição financeira superior e Ecorodovias e Rumo, com estratégias mais seletivas
16/03/2026 3 minutos
Leilões de concessões previstos para 2026 somam mais de R$ 500 bilhões em investimentos potenciais e devem redesenhar o mapa da infraestrutura no Brasil | Foto: Getty Images
O pipeline de concessões previsto para 2026 no Brasil consolida-se como um dos mais relevantes da última década, abrangendo rodovias, ferrovias, hidrovias e projetos de mobilidade urbana. Segundo análise dos especialistas em investimentos do Banco Safra, o portfólio reúne oportunidades estratégicas sobretudo para Motiva (MOTV3), Ecorodovias (ECOR3) e Rumo (RAIL3), ainda que com níveis distintos de apetite ao risco, capacidade financeira e disciplina de capital.
Somados, os projetos mapeados ultrapassam R$ 500 bilhões em investimentos estimados, configurando um ciclo com potencial de impacto estrutural sobre a logística, a mobilidade e a produtividade da economia brasileira.
Um ciclo robusto de investimentos em infraestrutura
O pipeline de concessões previsto para 2026 no Brasil consolida-se como um dos mais relevantes da última década, abrangendo rodovias, ferrovias, hidrovias e projetos de mobilidade urbana. Segundo análise dos especialistas em investimentos do Banco Safra, o portfólio reúne oportunidades estratégicas sobretudo para Motiva, Ecorodovias e Rumo, ainda que com níveis distintos de apetite ao risco, capacidade financeira e disciplina de capital.
Somados, os projetos mapeados ultrapassam R$ 500 bilhões em investimentos estimados, configurando um ciclo com potencial de impacto estrutural sobre a logística, a mobilidade e a produtividade da economia brasileira.
Rodovias concentram volume relevante e testam balanços
No segmento rodoviário, estão programados 16 leilões em 2026, sendo 13 sob responsabilidade do governo federal e os demais distribuídos entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O volume total de investimentos estimado alcança R$ 106 bilhões, tornando o setor um dos principais vetores do pipeline.
Nesse contexto, o Safra destaca a posição diferenciada da Motiva, que entra no ciclo com balanço fortalecido após a alienação de sua plataforma de aeroportos. A expectativa é que a relação dívida líquida/EBITDA da companhia se aproxime de 3,0x, o que amplia sua flexibilidade financeira e o poder de fogo para competir de forma mais agressiva nos leilões.
Motiva mais ativa; Ecorodovias, mais seletiva
A análise indica que a Motiva tende a adotar postura ativa, concentrando esforços em regiões onde já possui operação consolidada, especialmente São Paulo e Rio Grande do Sul. A estratégia combina ganhos de escala, maior previsibilidade operacional e disciplina na alocação de capital.
Já a Ecorodovias deve manter abordagem mais cautelosa, em função de sua estrutura de capital mais alavancada. O Safra avalia que a companhia deve priorizar projetos com forte sinergia operacional, como o Rotas Gerais — interligado a duas concessões existentes — e a Rota Portuária Sul, alinhada ao footprint da Ecovias Sul, cujo contrato se encerra em março de 2026.
Risco de postergações para 2027
O relatório também chama atenção para a possibilidade de adiamento de parte dos leilões. De acordo com interações recentes com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), cresce a probabilidade de que alguns projetos sejam postergados para 2027, o que pode afetar o ritmo de contratação e o cronograma de investimentos do setor.
Mobilidade urbana ganha protagonismo em São Paulo
O estado de São Paulo deve concentrar os principais projetos de mobilidade urbana, incluindo a Linha 16, o Trem Intercidades, o eixo ABC–Guarulhos e a expansão da rede metroviária. Juntos, esses empreendimentos somam cerca de R$ 158 bilhões em investimentos planejados.
O Safra considera a Motiva uma provável participante nos projetos do ABC–Guarulhos e da expansão do metrô, em função do alinhamento estratégico com seu portfólio e do crescente interesse da companhia por concessões orientadas à mobilidade. Ainda assim, a expectativa é de participação via parcerias, mitigando riscos financeiros e operacionais.
Ferrovias marcam ponto de inflexão estrutural
O pipeline ferroviário de 2026 é descrito como um ponto de inflexão estrutural, impulsionado pela recém-estabelecida Política Nacional de Concessões Ferroviárias. Estão previstos oito projetos, com aproximadamente R$ 140 bilhões em investimentos diretos.
Nesse segmento, a Rumo surge como um caso particular. A companhia já executa investimentos relevantes na expansão da Malha Norte em direção a Lucas do Rio Verde, o que reduz a probabilidade de envolvimento em novos projetos greenfield, dada a elevação dos riscos de execução e da complexidade operacional.
Foco no Sul e renovação de contratos
Por outro lado, o Safra vê maior probabilidade de participação da Rumo em leilões na região Sul, onde a empresa já opera, demonstrou interesse em renovações contratuais e detém profundo conhecimento da dinâmica de demanda e da geografia logística local.
Valuation sustenta preferência por Motiva
Entre os nomes de infraestrutura cobertos, o Banco Safra mantém preferência pela Motiva. A recomendação é sustentada por valuation considerado atrativo e pela capacidade da companhia de buscar projetos rentáveis de forma seletiva, preservando disciplina financeira e foco na criação de valor ao acionista.
A estimativa é que a Motiva esteja negociando a uma taxa interna de retorno (TIR) implícita de 12,5%, o que representa um spread de 489 pontos-base em relação às NTN-B 2035. Para a Ecorodovias, a recomendação segue Neutra, com potencial de valorização limitado a 14,5%.
No caso da Rumo, apesar da possibilidade de adição incremental de novos projetos, o Safra adota postura mais cautelosa no curto prazo. A dinâmica mais fraca dos volumes de frete e as elevadas necessidades de capex devem pressionar o fluxo de caixa livre e restringir a capacidade de pagamento de dividendos.