Como funciona o Copom e sua influência na taxa Selic
Entenda o papel do Comitê de Política Monetária, suas reuniões e como suas decisões impactam juros, inflação e investimentos no Brasil
17/12/2025 4 minutos
O Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne a cada 45 dias para discutir o cenário de juros e inflação | Foto: Getty Images
O Copom, sigla para Comitê de Política Monetária, é um órgão do Banco Central criado em 1996 com a função de definir, entre outros indicadores econômicos, a taxa Selic. A estrutura e as diretrizes do comitê foram inspiradas em modelos semelhantes existentes em países como Estados Unidos e Alemanha.
A cada 45 dias, o mercado e o noticiário econômico voltam suas atenções para a taxa básica de juros da economia, a Selic. Isso porque, nesse intervalo, o Copom se reúne para decidir os rumos da política monetária e, consequentemente, da taxa de juros.
As reuniões normalmente ocorrem em dois dias seguidos precedidas por um período de silêncio e com a ata publicada na semana seguinte. O calendário completo é divulgado pelo Banco Central com antecedência, até o mês de junho do ano anterior.
Entender como funciona e qual a importância das decisões tomadas pelo Copom é fundamental para conhecer melhor a política monetária e o funcionamento da economia nacional.
Como funciona a reunião do Copom?
As reuniões do Copom são realizadas em duas sessões: uma na terça-feira e outra na quarta-feira.
No primeiro dia, ocorre a apresentação de uma análise técnica detalhada do cenário econômico, contemplando indicadores como inflação, nível de atividade, câmbio, finanças públicas e o contexto internacional, entre outros.
Além dos diretores, também costumam marcar presença nas discussões técnicas os chefes dos seguintes departamentos do Banco Central:
- Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban);
- Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab);
- Departamento Econômico (Depec);
- Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep);
- Departamento das Reservas Internacionais (Depin);
- Departamento de Assuntos Internacionais (Derin).
No segundo dia, o chefe do Depep faz uma apresentação técnica sobre o cenário inflacionário. Em seguida, os membros do Copom debatem as informações apresentadas e decidem a meta da taxa Selic por maioria simples.
As reuniões acontecem a portas fechadas, mas, na terça-feira seguinte à decisão, o Banco Central publica as atas das reuniões, disponíveis em português e inglês.
O que é a ata do Copom?
A ata do Copom é o documento que registra, de forma clara e objetiva, as deliberações e decisões tomadas durante a reunião do Comitê de Política Monetária. Nela constam os temas discutidos, a forma como foram abordados e as expectativas do comitê para os próximos passos da economia brasileira.
As atas são publicadas em até quatro dias úteis após a reunião. Como os encontros do Copom ocorrem, tradicionalmente, às terças e quartas-feiras, a divulgação acontece na terça-feira seguinte, às 8h da manhã.
A história do Copom
O Comitê de Política Monetária foi instituído em 20 de junho de 1996 com a missão de estabelecer as diretrizes da política monetária do Brasil e definir a taxa básica de juros da economia, que serve como referência para todas as operações financeiras do país.
Sua criação trouxe maior transparência e aprimorou os processos decisórios do Banco Central. O modelo brasileiro foi inspirado em órgãos equivalentes, como o Federal Open Market Committee (FOMC), do banco central americano (FED), e o Zentralbankrat, do Deutsche Bundesbank, na Alemanha.
Desde sua origem, o regulamento do Copom passou por diversas alterações, envolvendo objetivos, periodicidade das reuniões e competências de seus integrantes.
Um marco importante ocorreu em 21 de junho de 1999, com o Decreto nº 3.088, que instituiu o regime de metas para a inflação como diretriz da política monetária. Desde então, as decisões do Copom têm como objetivo assegurar o cumprimento das metas definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Qual a relação do Copom com a taxa Selic?
O Copom é responsável por definir a taxa básica de juros da economia, conhecida como Selic, em reuniões realizadas a cada 45 dias. Essa taxa é o principal instrumento da política monetária e influencia diretamente o custo do crédito e a rentabilidade das aplicações financeiras.
As decisões do comitê têm como objetivo manter a inflação, medida pelo IPCA, dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Para isso, o Copom analisa o cenário econômico, define a meta da Selic e avalia o Relatório de Inflação.
A variação da Selic impacta o dia a dia dos brasileiros, especialmente os investidores.
Alterações na taxa influenciam produtos como renda fixa e poupança, tornando essencial acompanhar as movimentações do Copom para entender os efeitos sobre investimentos e planejamento financeiro.
Quem define a taxa Selic?
Ao todo, são nove membros do Copom com direito a voto, sendo o presidente do Banco Central e os membros da Diretoria Colegiada do Banco, listados a seguir:
- Diretor de Administração (Dirad);
- Diretor de Política Econômica (Dipec);
- Diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos (Direx);
- Diretor de Fiscalização (Difis);
- Diretor de Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural (Diorf);
- Diretor de Política Monetária (Dipom);
- Diretor de Regulação (Dinor);
- Diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania (Direc).
O papel da taxa Selic no regime de metas para a inflação
Desde 1999, o Brasil adota o regime de metas para a inflação. Cabe ao Conselho Monetário Nacional definir essas metas, enquanto o Banco Central conduz a política monetária necessária para alcançá-las.
A taxa Selic é o principal instrumento para atingir esse objetivo. Em períodos de inflação elevada, o aumento da Selic tende a restringir o consumo e controlar os preços. Já em momentos de atividade econômica mais fraca, a redução da taxa pode estimular o crédito e incentivar a retomada do crescimento.
Os efeitos da política monetária, no entanto, variam conforme o cenário econômico. Além de influenciar preços e consumo, a Selic impacta diretamente os investimentos e o custo do crédito. Como taxa de referência para os juros da economia, ela afeta empréstimos para empresas e pessoas físicas, além de índices como o CDI, utilizado para comparar a rentabilidade de aplicações de renda fixa e fundos multimercados.
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