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Como declarar previdência no Imposto de Renda e evitar inconsistências

Veja como declarar previdência no IR, entender a diferença entre PGBL e VGBL e informar aportes, saldo e resgates corretamente

3 minutos

Entender a diferença entre PGBL e VGBL é o ponto central para preencher a declaração do Imposto de Renda sem inconsistências

Contribuintes que buscam entender como declarar a previdência privada no Imposto de Renda (IR) precisam começar por uma distinção essencial: PGBL e VGBL seguem lógicas diferentes na declaração. Enquanto o PGBL pode gerar dedução, dentro das regras da Receita Federal, o VGBL não entra como despesa dedutível e deve aparecer na ficha de bens e direitos. Esse ponto, embora básico, ainda concentra boa parte dos erros de preenchimento.

A organização do informe de rendimentos, a identificação do tipo de plano e a conferência de aportes, saldo e eventuais resgates ajudam a reduzir o risco de inconsistências. O tratamento tributário depende não apenas da modalidade escolhida, mas também da forma de tributação do plano, que pode ser progressiva ou regressiva.

PGBL e VGBL: onde está a diferença

O PGBL, sigla para Plano Gerador de Benefício Livre, permite deduzir as contribuições na declaração pelo modelo completo, respeitado o limite de 12% dos rendimentos tributáveis. Já o VGBL, Vida Gerador de Benefício Livre, não oferece essa dedução. Por isso, os dois produtos exigem lançamentos distintos no ajuste anual.

A Receita Federal esclarece que o PGBL deve ser informado na ficha de pagamentos efetuados. Em paralelo, o VGBL deve ser declarado na ficha de bens e direitos, no grupo 99, sob o código 06. Em outras palavras, o PGBL entra como despesa dedutível, enquanto o VGBL entra como patrimônio financeiro.

Como declarar o PGBL

No caso do PGBL, o contribuinte deve acessar a ficha Pagamentos Efetuados e selecionar o código 36, referente à previdência complementar. Nessa etapa, deve informar se o plano pertence ao titular ou ao dependente, preencher o CNPJ da entidade e lançar o valor total das contribuições feitas no ano-calendário informado no comprovante de rendimentos.

O benefício fiscal, porém, não é automático em qualquer cenário. A dedução do PGBL está limitada a 12% da renda bruta tributável e se aplica ao uso das deduções legais, o chamado modelo completo. Assim, quem opta pelo desconto simplificado não aproveita esse abatimento da mesma forma.

Vale ainda uma cautela prática. Mesmo quando o contribuinte aporta acima do teto dedutível, o valor excedente não desaparece da apuração do plano. O que muda é apenas o limite da parcela que pode reduzir a base tributável na declaração.

Como declarar o VGBL

Para o VGBL, a lógica é diferente. Como não há dedução sobre os aportes, o saldo acumulado em 31 de dezembro deve ser informado na ficha Bens e Direitos, grupo 99, código 06. No campo de discriminação, convém registrar nome da seguradora ou entidade, CNPJ, número da proposta ou apólice e demais dados que ajudem a identificar o plano.

Esse tratamento ocorre porque o VGBL funciona, para fins de declaração, mais próximo de um investimento financeiro com cobertura securitária. Por isso, o saldo patrimonial ganha protagonismo no preenchimento, e não o registro como despesa dedutível.

Resgates e benefícios

Se houve resgate, recebimento de renda ou outro pagamento ao longo do ano, os valores também precisam ser lançados conforme o regime de tributação do plano. Na tributação regressiva, os recebimentos costumam ser informados na ficha Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva. Já na tributação progressiva, a informação tende a ir para a ficha de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica, sempre de acordo com o informe fornecido pela entidade.

No VGBL, a tributação incide sobre os rendimentos, e não sobre o principal investido. Esse é outro ponto que ajuda a explicar por que o tratamento na declaração difere do PGBL, cuja incidência tributária, no resgate ou benefício, alcança o valor total acumulado, conforme as características do produto.

Erros e inconsistências mais comuns

Os equívocos mais comuns se repetem ano após ano. O primeiro deles é lançar VGBL como despesa dedutível. O segundo é omitir o saldo do VGBL em bens e direitos. O terceiro é informar no PGBL um valor diferente daquele que consta no informe de rendimentos. Além disso, muitos contribuintes ignoram a diferença entre tributação progressiva e regressiva na hora de declarar resgates e benefícios.

Outro erro recorrente envolve o uso do modelo simplificado por quem espera aproveitar a dedução do PGBL. Como a dedução depende do modelo completo, a escolha errada pode frustrar o planejamento tributário.

Em um ambiente de maior cruzamento de dados, a coerência entre declaração, informe da fonte pagadora e natureza do plano se tornou ainda mais relevante.

Cuidados importantes antes de enviar

Antes da transmissão, o passo mais eficiente é confrontar o informe de rendimentos com cada campo preenchido na declaração. Também vale verificar se o plano é PGBL ou VGBL, se houve aportes, resgates ou benefício de renda e qual regime de tributação foi adotado. Esse procedimento simples costuma evitar boa parte das inconsistências.

Declarar previdência privada no IR exige menos complexidade do que parece, desde que o contribuinte parta da pergunta correta: o plano é PGBL ou VGBL? A partir dessa resposta, a lógica de preenchimento se torna objetiva e o risco de erro diminui de forma relevante.

Isabella Zanelli

Estudante de jornalismo na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP). LinkedIn

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