Ressaca da Copa do Mundo derruba vendas do varejo
Varejo brasileiro devolveu parte do avanço registrado antes da Copa do Mundo, com queda concentrada em móveis, eletrodomésticos, vestuário e papelaria, segundo o IBGE
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Consumidores anteciparam a compra de televisores, itens de vestuário e produtos ligados à Copa do Mundo nos meses anteriores ao torneio, o que elevou a base de comparação para julho | Foto: Getty Images
As vendas do comércio varejista restrito recuaram 0,8% em julho em comparação a junho, na série com ajuste sazonal do IBGE. O resultado ficou em linha com a projeção do Banco Safra, de queda de 0,9%, e abaixo do consenso de mercado, que indicava recuo de 0,3%.
O desempenho reforça uma trajetória de alta volatilidade e baixo crescimento do varejo ao longo do ano. Já o comércio varejista ampliado, que inclui segmentos como veículos, materiais de construção e atacarejo, avançou 0,4% no mês.
A alta do indicador ampliado ficou abaixo da projeção do Banco Safra, de 0,8%, e em linha com a expectativa do mercado, de 0,5%.
Avaliação dos especialistas do Banco Safra
Para os especialistas do Banco Safra, os dados de julho reforçam o diagnóstico de arrefecimento gradual da demanda doméstica após um início de ano mais forte. A dissipação dos efeitos do impulso fiscal e a manutenção de uma política monetária restritiva limitam uma aceleração mais expressiva do consumo.
O Banco Safra avalia que o varejo deve manter uma trajetória de crescimento moderado nos próximos meses. A expectativa é de desempenho mais fraco nos segmentos mais sensíveis ao crédito e de maior estabilidade nas categorias essenciais.
Nesse cenário, o banco projeta crescimento de 1,9% para o Produto Interno Bruto, o PIB, em 2026. A leitura considera também um mercado de trabalho em gradual moderação.
Bens duráveis concentram a maior queda
Móveis e eletrodomésticos registraram queda de 4,9% em julho, resultado abaixo da projeção do Banco Safra. O desempenho confirma a maior sensibilidade do segmento às condições de crédito.
Vestuário recuou 2,7% no mês e também ficou abaixo das estimativas. O resultado reforça a fraqueza das categorias discricionárias, que dependem mais da renda disponível e da confiança dos consumidores.
Combustíveis e lubrificantes avançaram 0,3%, em ritmo inferior ao projetado pelo banco. O movimento sugere acomodação do segmento após oscilações anteriores de preços.
Consumo básico mostra maior resiliência
As vendas de supermercados caíram 0,2% em julho, na série com ajuste sazonal. Ainda assim, o resultado superou a projeção do Banco Safra e indica maior resiliência do consumo básico.
A diferença entre o desempenho de supermercados e o de móveis, eletrodomésticos e vestuário evidencia um mercado desigual. Enquanto as categorias essenciais preservam maior estabilidade, os segmentos ligados a bens duráveis e compras não essenciais enfrentam maior volatilidade.
Varejo ampliado tem avanço concentrado
No varejo ampliado, as vendas de veículos cresceram 0,3% em julho, acima da projeção do Banco Safra. O avanço, porém, ficou concentrado em poucos segmentos, o que indica uma recuperação heterogênea.
O principal desvio negativo em relação às estimativas veio do atacarejo. O segmento cresceu 2,1% em 12 meses, abaixo da expectativa de alta de 6,8%.
Como a série do atacarejo não conta com ajuste sazonal e tem apresentado maior volatilidade, suas oscilações exercem impacto relevante sobre o resultado do varejo ampliado.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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