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Cobre ganha protagonismo na era da inteligência artificial

Expansão de data centers, transição energética e oferta restrita reforçam a centralidade do metal vermelho no novo ciclo global de investimentos; veja as ações preferidas do Banco Safra no setor

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cobre

A combinação entre oferta restrita, expansão da eletrificação e avanço de data centers ligados à IA reforça a tese estrutural de alta para o cobre, mas a seleção de empresas segue dependente de execução, custos e disciplina de capital | Foto: Getty Images

O Banco Safra ampliou sua cobertura no setor de mineração para incluir quatro produtoras intermediárias de cobre nas Américas — Hudbay Minerals, Ero Copper, Capstone Copper e Lundin Mining — com uma visão construtiva para a commodity na era da inteligência artificial, mas seletiva para as ações.

Na leitura dos analistas, o mercado global caminha para um aperto estrutural entre oferta e demanda, o que sustenta uma tese positiva para o metal no médio e no longo prazo, embora a materialização desse potencial dependa, nas empresas, de fatores como execução operacional, curva de custos, cronograma de projetos e geração de caixa.

A avaliação parte da percepção de que o cobre deixou de ser apenas uma tese cíclica para assumir também um papel estrutural dentro da transição energética e da expansão da infraestrutura digital.

O Safra trabalha com preço de longo prazo de US$ 5,2 por libra, abaixo do spot recente e também abaixo da estimativa de US$ 5,49/lb para 2026, em termos reais, o que sugere uma abordagem conservadora mesmo em um ambiente favorável.

Oferta limitada e nova demanda reforçam a tese para investimento em cobre

Segundo o relatório, os sinais de aperto na oferta seguem evidentes. Os TC/RCs em mínimas históricas indicam escassez de concentrado, em um contexto marcado por queda de teor mineral, atrasos em projetos e recorrência de interrupções operacionais. Ainda que parte desse estresse tenda a se normalizar com o avanço de novos volumes, a expectativa é de que a recomposição da oferta ocorra apenas de forma parcial.

Do lado da demanda, a tese permanece apoiada na maior intensidade de uso do cobre em vetores como eletrificação, expansão de renováveis e veículos elétricos. O Safra acrescenta um novo componente a esse quadro: o avanço de data centers relacionados à inteligência artificial, que pode ampliar o consumo do metal caso o ambiente macroeconômico siga benigno.

Preço do cobre deve seguir sustentado, mas sem extrapolação no longo prazo

A casa projeta o cobre em US$ 12.200 por tonelada em 2026, pouco abaixo do consenso de mercado, em uma estimativa que combina otimismo com prudência. A mensagem central é que o suporte de preços continua forte nos próximos anos, mas o banco não assume uma perpetuação integral das distorções recentes, parte delas associadas a perdas de oferta prolongadas desde 2025 e à reorganização dos fluxos comerciais após a sinalização de novas tarifas dos Estados Unidos sobre cobre importado.

Hudbay e Ero concentram a preferência do Safra

A principal conclusão da análise é que, entre as mid-caps cobertas, Hudbay Minerals e Ero Copper apresentam hoje a combinação mais atraente de valor, crescimento e potencial de reprecificação.

Hudbay reúne crescimento, custo baixo e exposição adicional ao ouro

A Hudbay Minerals recebeu recomendação Outperform e aparece como a principal escolha do Safra no universo de cobre intermediário das Américas. A tese está apoiada em três pilares: exposição a jurisdições de primeira linha nos Estados Unidos, Canadá e Peru; competitividade de custos; e visibilidade de crescimento de longo prazo.

Na visão do banco, a companhia combina uma plataforma diversificada de cobre e ouro com ativos operacionais e um pipeline capaz de mais do que dobrar a produção na próxima década, com possibilidade de atingir cerca de 500 mil toneladas por ano mais adiante. O custo caixa C1 líquido de subprodutos, estimado em US$ 1,49/lb em 2025, reforça a resiliência do caso de investimento ao longo do ciclo.

Outro elemento distintivo é a maior exposição ao ouro em relação aos pares. Essa característica funciona como diversificação de receita e também como mecanismo de proteção relativa em cenários de cobre mais fraco. Para o Safra, esse componente amplia a atratividade da Hudbay ao combinar a tese de metais básicos com a de metais preciosos.

Ainda assim, o relatório ressalta que a execução segue central, especialmente em Copper Mountain e nos projetos de crescimento nos EUA. A ação negocia a múltiplos considerados descontados no framework do banco, mas o prêmio implícito quando se excluem os projetos de expansão eleva a sensibilidade a eventuais frustrações.

Ero oferece valuation descontado e forte geração de caixa livre

A Ero Copper, também com recomendação Outperform, é tratada como uma história de reprecificação potencial ainda em construção. O Safra vê na companhia uma combinação rara de ativos de alto teor no Brasil, necessidade relativamente menor de capex no curto prazo e geração de caixa livre acima da média do setor.

A expectativa é de que 2026 marque um ponto de inflexão para a empresa, com estabilização de Tucumã, normalização de teores em Caraíba e monetização de estoques de concentrado de ouro de alto teor em Xavantina. Se esses marcos forem entregues, a leitura é que a Ero pode reduzir o desconto imposto pelo mercado após um histórico de maior variabilidade operacional e revisões de guidance.

Em termos de valuation, o banco destaca que a ação negocia a cerca de 4,4 vezes EV/Ebitda de 2026 e 0,8 vez P/NAV, abaixo da média dos pares, apesar de exibir o maior FCF yield projetado do grupo entre 2026 e 2029. O principal limitador para uma reprecificação mais rápida continua sendo a necessidade de restaurar credibilidade operacional.

Capstone e Lundin têm bons ativos, mas menor assimetria

Se Hudbay e Ero lideram em atratividade relativa, Capstone Copper e Lundin Mining ficaram com recomendação Neutral, por motivos distintos.

Capstone vive fase de transição com capex elevado

No caso da Capstone, o Safra reconhece uma plataforma relevante nas Américas e expansão visível no médio prazo, sobretudo por meio de Mantoverde Optimized e Santo Domingo. O problema, na visão do banco, é que a companhia atravessa o período mais intenso de investimentos da cobertura entre 2026 e 2028, o que comprime a geração de caixa livre e limita o potencial de rerating no curto prazo.

Além disso, a empresa aparece como a produtora de custo mais alto entre as pares avaliadas, com custo C1 estimado em cerca de US$ 2,44/lb em 2025, acima da média do grupo. O desconto de valuation, portanto, não parece injustificado, mas sim coerente com a combinação de maior risco de execução, menor competitividade em custos e forte exigência de capital.

Lundin combina qualidade com valuation já esticado

Para a Lundin Mining, o diagnóstico é o de uma companhia de qualidade negociada a um preço que já embute boa parte dessa percepção. A empresa reúne base de ativos diversificada, vida longa de reservas, bom histórico operacional e opcionalidade relevante em Vicuna, um dos maiores sistemas não desenvolvidos de cobre, ouro e prata.

O entrave é o valuation. O papel negocia com P/NAV ao redor de 1,3 vez e com múltiplos de EV/Ebitda acima dos pares intermediários, o que reduz o espaço para nova reprecificação no curto prazo. O Safra avalia que a maior parte dos catalisadores de criação de valor mais expressivos está concentrada na próxima década, à medida que os projetos avancem em cronograma, licenciamento e aproximação de geração efetiva de caixa.

Comparação quantitativa favorece Hudbay e Ero

No scorecard revisado pelo Safra para o setor, o quadro competitivo se mostra mais equilibrado do que uma leitura superficial sobre o tema do cobre poderia sugerir. Ainda assim, Hudbay e Ero emergem como vencedoras relativas.

A Hudbay se destaca pelo crescimento em jurisdições consideradas premium, aliado a uma posição favorável na curva de custos e suporte de subprodutos, especialmente ouro. Já a Ero chama atenção pelo valuation descontado, alto retorno implícito dos projetos e forte geração de caixa livre, embora carregue risco mais elevado de execução.

Capstone oferece crescimento, mas com estrutura de custos e capex menos amigável ao acionista no curto prazo. Lundin, por sua vez, preserva profundidade de portfólio e consistência, mas com menor assimetria após o prêmio já embutido nas ações.

Principais riscos para a tese

O Safra elenca dois grandes grupos de risco para a visão construtiva sobre o setor:

  • Demanda mais fraca do que o esperado, especialmente se houver desaceleração da China ou frustração no ritmo da transição energética;
  • Mudanças no lado da oferta, seja por ramp-up mais rápido de projetos, seja por interrupções operacionais, sociais ou ambientais capazes de alterar o grau de aperto do mercado.
  • Em nível micro, também pesam riscos de guidance, licenciamento, inflação de custos, cronogramas de investimento e execução operacional, particularmente para companhias em fases mais intensas de expansão.

Síntese: tese positiva para o cobre exige seletividade nas ações

A mensagem central da análise é que o cobre continua sendo uma das teses mais robustas dentro do universo de commodities metálicas, sustentada por fundamentos estruturais de oferta restrita e demanda crescente. Isso, porém, não autoriza uma leitura indiscriminada sobre as empresas do setor.

No recorte das produtoras intermediárias das Américas, o Safra entende que a melhor relação entre qualidade, valuation e potencial de valorização está hoje em Hudbay Minerals e Ero Copper. Já Capstone e Lundin permanecem como histórias com méritos operacionais, mas com menor atratividade relativa no preço atual.

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