Choques climáticos afetam empresas de logística de grãos no Brasil
Banco Safra Espera recuperação gradual da Hidrovias do Brasil (HBSA3) e pressão negativa de tarifas para a Rumo (RAIL3), afetadas por choques climáticos
24/02/2026 2 minutos
Comboios de grãos no Rio Madeira, em Porto Velho: além do impacto na produção agrícola, eventos climáticos afetam navegabilidade de hidrovias, sobretudo na Amazônia | Foto: Getty Images
Os choques climáticos se tornaram variável estrutural na avaliação da logística de grãos no Brasil — especialmente para as empresas Rumo (RAIL3) e Hidrovias do Brasil (HBSA3), segundo relatório dos especialistas do Banco Safra.
Além do impacto na produção agrícola, eventos climáticos afetam navegabilidade de hidrovias, sobretudo na Amazônia, onde o Arco Norte ganhou participação relevante.
Isso transformou a volatilidade climática de risco cíclico em determinante estratégico de market share, utilização de ativos e poder de precificação.
Choques climáticos: empresas de logística mais afetadas
O Banco Safra Espera recuperação gradual da Hidrovias e pressão negativa de tarifas para a Rumo. O Banco mantém visão neutra para Hidrovias do Brasil e visão negativa de curto prazo para Rumo, apesar de sua tese estrutural mais defensiva.
El Niño-Oscilação do Sul (ENSO) – El Niño e La Niña passaram a ter impacto material na cadeia logística. Em 2023–24, um El Niño forte provocou níveis historicamente baixos nos rios do norte, reduzindo profundidade >30% e derrubando exportações do Arco Norte (34% das exportações de soja/milho do Brasil em 2025). Milhões de toneladas foram desviados para portos do Sul/Sudeste.
Impacto assimétrico – Hidrovias do Brasil (HBSA3) sofreu: volumes -62% (1.151 kt → 435 kt) e EBITDA do corredor norte foi de +R$ 81,3 mi → -R$ 38,8 mi. Já a Rumo (RAIL3) se beneficiou, aumentando tarifas em 27% A/A e ganhando competitividade.
2026 deve ser mais estável – Só 32% de chance de El Niño moderado+ segundo o Centro Brasil no Clima (CPC); calado do Tapajós acima da média. Sem choques climáticos, tarifas devem normalizar e margens de produtores seguem apertadas.
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