PIB da China desacelera aumenta pressão por estímulos econômicos
Crescimento de 0,9% entre abril e junho marca o pior desempenho trimestral da economia chinesa desde 2011, excluindo a pandemia, enquanto consumo e investimento seguem fragilizados
3 minutos Publicado em
Exportações de automóveis chineses superaram 1 milhão de unidades em junho, reforçando o papel do setor externo como principal vetor de crescimento da economia do país | Foto: Getty Images
A economia chinesa perdeu tração no segundo trimestre de 2026, em um movimento que reforça as dúvidas do mercado sobre a capacidade do país de atingir sua meta oficial de crescimento para o ano. O Produto Interno Bruto (PIB) da China avançou 0,9% entre abril e junho, abaixo da expansão de 1,3% registrada no primeiro trimestre.
Excluindo o período da pandemia, o resultado representa o pior desempenho trimestral desde o início da série histórica atual, em 2011. Em termos anualizados, o crescimento ficou em 3,6%, abaixo do intervalo entre 4,5% e 5,0% perseguido pelo governo chinês.
Mantido o ritmo atual na segunda metade do ano, a expansão da economia chinesa em 2026 seria de aproximadamente 4,4% em relação ao ano anterior, ligeiramente abaixo da banda inferior da meta oficial, segundo análise dos especialistas do Banco Safra. O cenário aumenta a expectativa de investidores por novas medidas de estímulo econômico por parte de Pequim.
Exportações sustentam atividade em meio à fraqueza doméstica
O setor externo continua sendo o principal suporte para a atividade econômica chinesa. Após um período de estagnação em meados de 2025, as exportações voltaram a ganhar força e já se aproximam de US$ 4,1 trilhões acumulados em 12 meses.
Embora parte do avanço reflita preços mais elevados, os volumes exportados também cresceram de forma relevante. O setor automotivo se destaca nesse movimento. Em junho, as exportações de veículos ultrapassaram pela primeira vez a marca de 1 milhão de unidades.
Indústria automotiva amplia protagonismo global
O desempenho do segmento reforça o avanço da indústria chinesa em mercados internacionais. No primeiro semestre de 2026, a produção total de automóveis no país alcançou 15 milhões de unidades, sendo aproximadamente um terço destinado ao exterior.
O crescimento das exportações ocorre em um contexto de ganhos contínuos de produtividade industrial e competitividade internacional, especialmente em setores ligados à transição energética e manufatura de maior valor agregado.
Crise imobiliária continua afetando consumo das famílias
Enquanto o setor externo mostra resiliência, os desequilíbrios domésticos seguem pressionando a economia. O mercado imobiliário permanece em retração, com queda nos preços dos imóveis e redução nas vendas, fatores que afetam diretamente o patrimônio das famílias chinesas.
Esse ambiente tem levado consumidores a adotarem postura mais conservadora. A renda disponível per capita avançou 1,3% no trimestre, mas o consumo cresceu apenas 1,0%, indicando maior propensão à poupança.
Como consequência, a taxa de poupança das famílias voltou a subir e atingiu o maior nível desde o fim de 2022. A maior parte desses recursos tem sido direcionada para depósitos bancários, o que reduz pressões sobre o sistema financeiro em um ambiente de juros baixos.
Investimento e varejo seguem sem reação consistente
Os dados mais recentes mostram que tanto o consumo quanto o investimento continuam sem sinais robustos de recuperação.
As vendas no varejo registraram leve alta nominal em junho, mas insuficiente para garantir crescimento relevante no acumulado do trimestre. Já os investimentos em ativos fixos seguem em retração expressiva, tanto entre empresas estatais quanto privadas.
O quadro evidencia que os estímulos implementados até o momento ainda não foram capazes de restaurar de forma consistente a confiança do setor privado e das famílias.
Inflação baixa reforça espaço para novas medidas de estímulo
A fragilidade da demanda doméstica também mantém a inflação em níveis reduzidos. Apesar da alta recente dos preços das commodities ter pressionado os preços ao produtor, o repasse para o consumidor final permanece limitado.
A cautela das empresas diante da dificuldade de ampliar vendas no mercado interno tem restringido reajustes de preços, contribuindo para uma inflação ao consumidor moderada nos últimos meses. Em junho, o índice de preços ao consumidor registrou variação mensal negativa.
Esse ambiente amplia o espaço para eventuais medidas de estímulo monetário e fiscal por parte do governo chinês, especialmente diante do risco crescente de descumprimento das metas de crescimento estabelecidas para 2026.
Mercado monitora resposta de Pequim
O desempenho da economia no segundo trimestre acendeu um sinal de alerta entre investidores globais. A combinação de demanda doméstica fraca, crise imobiliária persistente e inflação baixa reforça a percepção de que o crescimento chinês depende cada vez mais do setor externo.
Sem novas iniciativas de estímulo econômico, os especistas do Banco Safra avaliam que a economia pode encerrar o ano abaixo da meta oficial. O desafio para Pequim será equilibrar medidas de suporte à atividade sem ampliar excessivamente os riscos financeiros e o endividamento estrutural do país.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
Leia também