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Clima e economia afetam consumo de cerveja no Brasil

Consumo de cerveja deve cair 6,2% no terceiro trimestre, em comparação ao ano passsado, por causa do clima e das condições macroeconômicas; Ambev tem recomendação neutra

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ABEV3 Ambev

O Safra mantém a recomendação Neutra para ABEV3, que apresenta desconto de 6% em relação aos pares globais | Foto: Getty Images

Os especialistas do Banco Safra esperam outro conjunto fraco de resultados para a Ambev (ABEV3) no 3T25, impulsionado por menores volumes de venda de cerveja no Brasil e pressões de custos.

Condições macroeconômicas desfavoráveis na América Central e Caribe e América Latina Sul e um desempenho fraco da indústria no Canadá também devem contribuir para o tom negativo nos lucros da Ambev do trimestre.

O Banco Safra incorporou as expectativas mais fracas no modelo de análise, ajustando as projeções para os próximos anos. Isso resultou em uma queda média de 2% em nossas estimativas de EBITDA para os próximos três anos, uma redução de 3% emnas estimativas de EPS e uma redução de 3% em no preço-alvo para R$ 14,00/ação (de R$ 14,50).

Saiba mais

O Safra mantém a recomendação Neutra para ABEV3, já que o atual desconto de 6% em relação aos pares globais (P/L 2026) parece justo considerando os seguintes fatores:

  • (i) seus desafios em Cerveja Brasil, Canadá e Argentina;
  • (ii) as crescentes pressões de custo de curto prazo; e
  • (iii) o fato de que um balanço bastante sólido e um dividend yield de 8% devem limitar o risco de queda.

Prévia do 3T25 por divisão da Ambev (ABEV3)

O Banco Safra espera um 3T fraco em cerveja no Brasil, já que o clima desfavorável e as condições macroeconômicas devem reduzir os volumes (-6,2% a/a), com margem de 33,5% (-119bps a/a).

Bebidas não alcoólicas (NAB Brasil) devem apresentar volumes estáveis, crescimento de 6% na receita e margem de 25,5% (-149bps a/a).

Na América Central e Caribe, maior receita por hectolitro deve compensar a pressão nos volumes (principalmente devido às condições macroeconômicas em vários países da América Central), semelhante aos trimestres anteriores, resultando em crescimento de receita de 2% e margem EBITDA de 42,0% (+20bps a/a).

O Safra espera um leve crescimento de volume na América Latina Sul impulsionado por um desempenho sólido na Bolívia, com receitas parcialmente compensadas pela Argentina devido aos efeitos contábeis da hiperinflação. Como resultado, o Safra espera margem de 23,6% (-1bps a/a).

Na Bolívia, os maiores custos carregados devem continuar impactando negativamente os resultados financeiros. No Canadá, a indústria de cerveja continua com desempenho abaixo do esperado, e, portanto, esperamos queda nos volumes e resultados financeiros estáveis, apesar de leves ganhos de preço.

Assim, o Safra espera queda de 2% a/a nos volumes, com margem EBITDA de 29,0% (28bps a/a).

Abaixo do EBITDA

O EBITDA consolidado deve cair 4% a/a, com margens pressionadas por maiores custos de venda por hectolitro. Além disso, os resultados financeiros líquidos devem se deteriorar devido a maiores custos carregados de câmbio, parcialmente compensados por menores alíquotas de impostos.

Como resultado, o lucro líquido deve cair 3% a/a e a margem deve ficar em 15,3% (-13bps a/a).

Valuation

A ação atualmente é negociada a um múltiplo P/L 2026 de 12,3x, um desconto de 6% em relação aos pares. O ambiente competitivo no Brasil, os desafios macroeconômicos na Argentina e as pressões de custo de curto prazo justificam o desconto, na visão dos especialistas do banco Safra.

No entanto, o balanço muito forte e o dividend yield de 8% limitam o risco de queda neste momento, na avaliação do Safra.

Riscos: (i) Reformas tributárias; (ii) custos de commodities e câmbio; (iii) concorrência; (iv) ambiente macroeconômico; e (v) mudança nos hábitos do consumidor.

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