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CDI e IPCA: qual a diferença e como diversificar a carteira

Entenda as diferenças entre CDI e IPCA, saiba quando cada índice tende a se destacar e veja como diversificar a carteira de investimentos

4 minutos
CDI e IPCA

Combinar investimentos atrelados ao CDI e ao IPCA pode ajudar a equilibrar liquidez, proteção contra a inflação e previsibilidade na carteira | Foto: Getty Images

A comparação entre CDI e IPCA é comum entre investidores que buscam escolher alternativas de renda fixa. Embora os dois índices sirvam como referência para diferentes produtos financeiros, eles respondem a fatores distintos da economia e cumprem funções complementares em uma carteira.

O CDI acompanha de perto a taxa Selic e tende a refletir o nível dos juros de curto prazo. Por isso, investimentos atrelados ao índice costumam se beneficiar de ciclos de juros elevados.

Já o IPCA mede a inflação oficial do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice acompanha a variação de preços de bens e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos.

Em comparação, o CDI está mais relacionado à rentabilidade nominal e à liquidez, e o IPCA, oferece uma referência para a preservação do poder de compra no longo prazo.

Como funciona um investimento atrelado ao CDI?

Produtos pós-fixados vinculados ao CDI acompanham a variação diária ou mensal dos juros de mercado. Um CDB que paga 100% do CDI, por exemplo, tende a entregar uma rentabilidade próxima à variação do índice no período, antes dos impostos e das taxas aplicáveis.

Entre as principais características dos investimentos atrelados ao CDI estão:

  • Maior previsibilidade em ciclos de juros altos;
  • Possibilidade de liquidez diária em determinados produtos;
  • Adequação à reserva de emergência e a objetivos de curto e médio prazo;
  • Menor sensibilidade à marcação a mercado, especialmente quando o investimento é mantido até o vencimento.

Como funciona um investimento atrelado ao IPCA?

Os investimentos indexados ao IPCA normalmente combinam uma taxa prefixada com a variação da inflação. Um título que remunera IPCA + 6% ao ano, por exemplo, busca entregar a inflação do período acrescida de uma taxa real de 6% ao ano, desde que seja mantido nas condições previstas.

Esse tipo de investimento pode ser utilizado para objetivos de longo prazo, como:

  • Aposentadoria;
  • Formação de patrimônio;
  • Planejamento sucessório;
  • Compra de imóveis;
  • Preservação do poder de compra.

A principal vantagem está na possibilidade de obter retorno real, ou seja, ganho acima da inflação. Entretanto, títulos com vencimentos longos podem sofrer oscilações de preço antes do vencimento. Caso o investidor precise resgatar o dinheiro antecipadamente, a rentabilidade pode ser diferente da contratada no momento da aplicação.

Quando o CDI tende a ganhar do IPCA?

O CDI tende a apresentar vantagem em cenários de juros elevados. Isso ocorre porque a rentabilidade dos investimentos pós-fixados é reajustada conforme o nível das taxas de curto prazo.

Esse ambiente costuma ocorrer quando o Banco Central mantém a Selic em patamar restritivo, a inflação permanece pressionada, o mercado exige juros elevados para controlar as expectativas e o investidor busca liquidez e menor volatilidade.

Para investidores conservadores, o CDI pode funcionar como o núcleo da carteira em períodos de juros altos. Ainda assim, concentrar todo o patrimônio em um único local pode aumentar o risco de perda de oportunidade caso o cenário econômico mude.

Quando o IPCA tende a ganhar do CDI?

O IPCA tende a ser mais interessante quando o investidor busca proteção contra a inflação e tem horizonte de longo prazo. Em determinados ciclos, especialmente quando os juros começam a cair, títulos prefixados e indexados à inflação podem apresentar valorização antes do vencimento.

Esse movimento ocorre porque a queda das taxas de mercado aumenta o preço dos títulos que foram contratados anteriormente com taxas mais elevadas. No entanto, a valorização depende das condições de mercado e não deve ser confundida com a rentabilidade contratada no vencimento.

O IPCA também pode superar o CDI em períodos de inflação elevada e juros reais mais baixos. Por isso, a escolha entre CDI e IPCA não deve considerar apenas a taxa nominal apresentada no momento da aplicação.

Como balancear CDI e IPCA na carteira?

A combinação de índices diferentes pode ajudar a reduzir a dependência de um único cenário econômico. Uma carteira diversificada pode utilizar o CDI para liquidez e estabilidade, enquanto o IPCA contribui para objetivos de longo prazo e proteção do poder de compra.

Abaixo, uma sugestão ilustrativa de alocação para investidores conservadores e moderados:

PerfilPós-fixados ligados ao CDIInvestimentos ligados ao IPCAObjetivo principal
Conservador70% a 85%15% a 30%Liquidez e preservação de capital
Moderado50% a 70%30% a 50%Equilíbrio entre estabilidade e proteção contra a inflação

A proporção ideal depende de fatores como prazo, necessidade de liquidez, renda, patrimônio, tolerância a oscilações e objetivos financeiros.

Para a reserva de emergência, a prioridade deve ser a disponibilidade dos recursos e a baixa volatilidade. Nesse caso, produtos pós-fixados com liquidez diária costumam ser mais adequados.

Para metas de longo prazo, uma parcela atrelada ao IPCA pode ajudar a preservar o valor real do patrimônio. Entretanto, o investidor deve avaliar o prazo de vencimento e evitar comprometer recursos que possam ser necessários no curto prazo.

Diversificação exige revisão periódica

A alocação entre CDI e IPCA não deve ser definida uma única vez. Mudanças nos juros, na inflação, nos objetivos pessoais e na necessidade de liquidez podem alterar a composição mais adequada para cada investidor.

Uma revisão periódica ajuda a verificar se a reserva de emergência continua suficiente, se os prazos dos investimentos estão alinhados aos objetivos, se a carteira mantém equilíbrio entre liquidez e retorno, se a exposição à inflação é compatível com o horizonte de investimento e se o percentual alocado em cada indexador continua adequado ao perfil de risco.

Mais importante do que escolher entre CDI e IPCA é entender a função de cada índice dentro da carteira. O CDI pode oferecer estabilidade e liquidez em ambientes de juros elevados. O IPCA pode contribuir para a proteção do patrimônio no longo prazo. Em muitos casos, a combinação dos dois é mais eficiente do que uma escolha isolada.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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