Carteiras combinam alta acima do Ibovespa, IA e foco em dividendos
Top 10 Ações, Top 10 BDRs e Carteira Dividendos chegam a maio de 2026 com mudanças pontuais na composição, desempenho competitivo em diferentes janelas e propostas distintas para capturar valorização, diversificação internacional e renda recorrente
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As carteiras recomendadas do Safra para maio de 2026 reúnem estratégias complementares em ações brasileiras, BDRs e dividendos, com rebalanceamento periódico, diversificação setorial e foco em retorno ajustado ao perfil de cada investidor
Safra atualiza carteiras de maio com três frentes de alocação
O Banco Safra apresentou para maio de 2026 a atualização de suas principais carteiras recomendadas em renda variável, organizadas em três estratégias complementares: Top 10 Ações, Top 10 BDRs e Carteira Dividendos.
Em comum, os portfólios preservam o viés de gestão ativa, rebalanceamento periódico e seleção orientada por fundamentos. As diferenças aparecem no objetivo de cada produto: capturar valorização na bolsa local, ampliar a exposição internacional e priorizar geração de renda com resiliência.
Top 10 Ações alia execução automática e desempenho acima do Ibovespa
A Carteira Safra Top 10 Ações chega a maio apoiada em dois argumentos centrais: rentabilidade acumulada superior ao Ibovespa em horizontes relevantes e praticidade para o investidor por meio de execução automática.
Nos últimos 12 meses, a carteira entregou alta de 45,48%, acima dos 38,68% do Ibovespa e dos 14,65% do CDI. No acumulado de 2026 até abril, o avanço é de 18,18%, também superior aos 16,26% do principal índice da bolsa brasileira. Desde o início da série, em janeiro de 2012, o portfólio acumula 399,20%, ante 220,89% do Ibovespa e 273,87% do CDI.
Mudança do mês favorece utilities
Para maio, houve apenas uma alteração: sai Telefônica Brasil (VIVT3) e entra Equatorial (EQTL3). A troca reflete a leitura de que o papel de telecomunicações já passou por reprecificação relevante, ao mesmo tempo em que o setor passou a exibir sinais de competição mais intensa. No sentido oposto, a entrada de Equatorial se apoia em valuation considerado mais atrativo, histórico de boa alocação de capital e perspectiva de retorno real estimado em 10% ao ano.
A composição da carteira distribui a exposição entre construção civil, petróleo, serviços financeiros, shopping centers, mineração, utilidades básicas, transportes e consumo básico. A lógica é reduzir a dependência de uma única tese de mercado e equilibrar nomes com perfil de valor, dividendos e resiliência operacional.
Apesar de o resultado de abril ter sido ligeiramente negativo, com queda de 0,34%, ante baixa de 0,08% do Ibovespa, o histórico mais longo mantém intacto o argumento principal da estratégia: seleção ativa e rebalanceamento mensal como mecanismos para gerar valor ao longo do tempo.
Top 10 BDRs reforça a tese global com tecnologia e inteligência artificial
A Carteira Top 10 BDRs chega a maio de 2026 com ênfase em internacionalização e manutenção da exposição a empresas ligadas à inteligência artificial. O principal destaque do mês anterior foi a performance de abril: o portfólio avançou 7,14%, acima dos 6,03% do S&P 500, dos 1,09% do CDI e também do -0,08% do Ibovespa.
A mensagem central é clara: mesmo em ambiente volátil, a combinação entre ações globais selecionadas e instrumentos indexados segue sendo apresentada como uma forma eficiente de acessar tendências estruturais de crescimento, especialmente em tecnologia, nuvem e IA.
As duas mudanças promovidas no mês foram concentradas no setor financeiro. Saem Visa e Goldman Sachs; entram Mastercard e Morgan Stanley. A substituição de Visa por Mastercard se apoia na percepção de melhor ponto de entrada e maior diversificação de receitas. Já a troca de Goldman Sachs por Morgan Stanley indica captura de ganhos na posição anterior e migração para uma tese que combina monetização de ativos de private equity e expansão em gestão de recursos.
Big techs seguem no centro da alocação
A principal característica da carteira continua sendo a exposição relevante às companhias diretamente associadas ao avanço da inteligência artificial. O Safra manteve posições em Microsoft (10%), Alphabet (10%) e NVIDIA (8%).
A defesa dessas teses parte da avaliação de que a IA deixou de ser apenas vetor narrativo e passou a influenciar concretamente receitas, portfólio de produtos e vantagens competitivas das empresas líderes.
Além das ações individuais, o portfólio destina 26% ao IVVB11, ETF que replica o S&P 500. Trata-se do maior peso da carteira e de um elemento de estabilização da estratégia, ao reduzir a dependência exclusiva de acertos específicos em papéis isolados.
Desempenho de longo prazo ainda sustenta o argumento da carteira internacional
Embora a carteira tenha superado o S&P 500 em abril, o acumulado de 2026 até abril ainda mostrava desempenho inferior ao benchmark externo: queda de 6,63%, contra recuo de 5,28% do índice americano. Em 12 meses, a valorização somava 11,26%, abaixo dos 13,13% do S&P 500, mas acima dos 8,47% do CDI.
Ainda assim, a série histórica permanece como um dos pilares da estratégia. Desde junho de 2015, a carteira acumula 701,15%, ante 484,25% do S&P 500, o que reforça o apelo da alocação internacional por meio de BDRs para investidores que buscam diversificação geográfica e exposição a setores pouco representados na bolsa brasileira.
Carteira Dividendos privilegia renda, defesa e potencial de valorização
A Carteira Dividendos foi montada para combinar renda recorrente, resiliência setorial e potencial de valorização, com dividend yield estimado em 7,6%. O portfólio mantém peso igual de 10% por ativo, em uma construção que privilegia equilíbrio e reduz concentração.
As mudanças de maio foram duas: saem Gerdau e Telefônica Brasil; entram Cury e Vibra Energia. A leitura da casa é que ambas as inclusões ampliam o espaço para reprecificação e adicionam novas avenidas de geração de caixa sem descaracterizar o perfil defensivo da estratégia.
A entrada de Cury reforça a tese de empresas que conseguem combinar expansão operacional com distribuição relevante de dividendos. O destaque está no crescimento de lançamentos, elevada rentabilidade e balanço desalavancado. A expectativa de dividendos em torno de 8,4% no ano fortalece a aderência do papel ao perfil da carteira.
Vibra amplia a aposta em melhora operacional
Já Vibra Energia entra como tese de recuperação operacional, ganho de participação de mercado, desalavancagem e potencial de reforço futuro na remuneração ao acionista. Mesmo com yield atual inferior ao de outros nomes da carteira, a inclusão sugere foco mais amplo em geração de caixa e reprecificação do ativo.
A distribuição setorial deixa claro o viés defensivo. Serviços financeiros respondem por 30% da carteira, enquanto utilidades básicas representam 20%. Juntos, os dois segmentos concentram metade do portfólio, sustentando a busca por previsibilidade de resultados e manutenção de proventos ao longo do ciclo.
Histórico de performance reforça a consistência da estratégia de dividendos
Em abril de 2026, a carteira teve retorno de 3,06%, superando Ibovespa (-0,08%), IDIV (-1,18%) e CDI (1,09%). No acumulado do ano até abril, a alta foi de 16,6%, acima de 16,3% do Ibovespa, 13,77% do IDIV e 4,5% do CDI. Em 12 meses, a valorização alcançou 43,5%, contra 38,7% do Ibovespa, 34,08% do IDIV e 14,6% do CDI.
Desde o início da série, em janeiro de 2020, o retorno acumulado é de 96,4%, acima dos 84,29% do IDIV, 79,2% do CDI e 57,7% do Ibovespa. O desempenho histórico fortalece a narrativa de que a carteira busca entregar não apenas proventos, mas também ganho de capital e preservação relativa em janelas mais longas.
Leitura de mercado: três carteiras, três mensagens ao investidor
As três carteiras de maio revelam uma mensagem relativamente coesa sobre a visão do Safra para a alocação em renda variável.
No Brasil, o foco segue em seleção ativa e valor: na Top 10 Ações, a ênfase está em capturar assimetrias em papéis com desconto, capacidade de geração de caixa e equilíbrio entre setores cíclicos e defensivos.
No exterior, tecnologia continua dominante: na Top 10 BDRs, a estratégia reforça a percepção de que inteligência artificial e plataformas globais ainda concentram parte importante do crescimento estrutural do mercado americano, embora com ajustes táticos em setores adjacentes.
Em dividendos, defesa não significa imobilismo: na Carteira Dividendos, a seleção preserva o viés conservador, mas mostra disposição para substituir nomes já mais maduros por teses com potencial adicional de reprecificação e expansão dos pagamentos ao acionista.
Onde encontrar a íntegra das análises
Para o investidor que deseja aprofundar a leitura sobre racional de alocação, valuation, riscos e gatilhos de cada ativo, o caminho natural é consultar a íntegra dos relatórios de cada carteira:
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