Carteira Top IA do Safra para agosto aposta em semicondutores
Estratégia para agosto eleva a exposição a TSMC, Micron e ASML, reduz o peso de big techs e ETFs e mantém a tese de um ciclo prolongado de investimentos em inteligência artificial
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Carteira Top IA do Safra combina empresas de semicondutores, computação em nuvem, aplicações digitais, infraestrutura e energia para capturar diferentes etapas da cadeia global de inteligência artificial | Foto: Getty Images
A Carteira Top IA recomendada pelo Banco Safra para agosto de 2026 aproveita a recente correção das ações de tecnologia para aumentar a exposição ao segmento de semicondutores. A estratégia também reduz, marginalmente, a participação em grandes empresas de tecnologia e em fundos negociados em bolsa (ETFs).
A movimentação ocorre após um período de forte valorização dos ativos ligados à inteligência artificial. Em julho e no início de agosto, ações expostas à cadeia de IA sofreram quedas relevantes, em um movimento associado principalmente à redução de alavancagem e à realização de lucros acumulados ao longo do ano.
Na avaliação dos especialistas do Safra, a correção teve caráter predominantemente técnico e não alterou os fundamentos estruturais da tese de investimento. Parte das perdas recentes já começou a ser recuperada, enquanto a demanda por capacidade computacional, memória e serviços de nuvem permanece elevada.
Em julho, a carteira registrou alta de 0,04%, ante avanço de 1,86% do S&P 500. Para agosto, o peso de semicondutores foi elevado de 35% para 38%. A participação em big techs e hyperscalers caiu de 34% para 33%, enquanto a exposição a ETFs recuou de 25% para 23%.
Demanda por inteligência artificial continua em expansão
Modelos mais eficientes podem ampliar o mercado endereçável
Um dos pilares da análise do Safra é a disseminação de modelos abertos de inteligência artificial, como Kimi K3 (modelo de inteligência artificial carro-chefe da startup chinesa Moonshot) e Qwen (da chinesa Alibaba).
A maior eficiência desses modelos, combinada com custos de utilização progressivamente menores, tende a ampliar o número de empresas e desenvolvedores capazes de incorporar IA a seus produtos e serviços.
A redução do custo por tarefa pode produzir um efeito de expansão, e não de retração, sobre a demanda por processamento. Segundo a análise, novas cargas de trabalho passam a ser economicamente viáveis, aplicações existentes ganham intensidade de uso e sistemas mais complexos — como agentes capazes de executar tarefas por períodos prolongados — exigem maior volume de computação por usuário.
A tese dos especialistas do Banco Safra é que o aumento da eficiência dos modelos pode ampliar o mercado total de inteligência artificial e sustentar o consumo agregado de capacidade computacional.
Nuvem mostra crescimento acelerado e melhora de rentabilidade
A demanda também aparece nos resultados das principais plataformas de computação em nuvem. No segundo trimestre, o Google Cloud cresceu 82%, a AWS avançou 37% e o Azure registrou expansão de 45%, conforme os dados apresentados no relatório.
Ao mesmo tempo em que ampliam os investimentos para expandir a oferta de infraestrutura, as plataformas de nuvem vêm apresentando melhora de rentabilidade. Para o Safra, a combinação entre crescimento de receita, expansão de margens e aumento dos investimentos indica que a nova capacidade instalada continua sendo absorvida pelo mercado.
Embora não seja possível observar diretamente o retorno incremental de cada projeto de IA, a evolução conjunta de receitas, margens e utilização oferece, na avaliação do banco, evidências de que as grandes plataformas ainda encontram oportunidades de investimento com retornos atrativos.
Semicondutores ganham espaço na carteira
Para agosto, o Safra elevou a exposição a TSMC, Micron e ASML e retirou os BDRs da Applied Materials da carteira. A mudança representa uma preferência relativa pelos ativos que, na visão dos analistas, oferecem melhor relação entre potencial de crescimento e valuation após a correção recente.
TSMC: exposição abrangente à expansão da IA
A participação da TSMC foi elevada em 3 pontos percentuais, para 7% da carteira. A companhia é considerada uma das formas mais completas de capturar o ciclo de investimentos em inteligência artificial, independentemente de qual fornecedor de aceleradores ou arquitetura de chips ganhe participação.
GPUs, processadores desenvolvidos internamente por grandes plataformas de nuvem e outros chips avançados dependem dos processos de fabricação da TSMC. A oferta de capacidade permanece apertada, enquanto as fábricas operam próximas da plena utilização.
O relatório destaca ainda a migração da produção para tecnologias mais avançadas. Processos de 7 nanômetros ou inferiores já representam 77% da receita de wafers da companhia, enquanto a tecnologia de 2 nanômetros começou a contribuir para a receita no segundo trimestre.
Micron se beneficia da demanda por memória de alto desempenho
A exposição à Micron foi ampliada em 1 ponto percentual, para 7%. A tese de investimento considera a combinação entre crescimento da demanda por inteligência artificial, restrições estruturais de oferta e maior utilização de memórias de alto valor agregado.
A memória HBM — sigla em inglês para memória de alta largura de banda — é essencial para aceleradores de IA por oferecer maior velocidade de transferência de dados do que a DRAM convencional. A Micron está entre as três principais fabricantes globais desse componente, ao lado de Samsung e SK Hynix.
O Safra também destaca o aumento de acordos plurianuais com clientes estratégicos, que podem conferir maior previsibilidade de volumes e preços. A mudança na composição da produção, com maior participação de HBM, tende a restringir a oferta disponível para produtos convencionais e pode elevar o piso estrutural de rentabilidade da companhia.
ASML mantém posição estratégica na litografia
A participação da ASML aumentou em 2 pontos percentuais, para 5%. A companhia é a única fornecedora de equipamentos de litografia EUV, tecnologia indispensável para a fabricação de semicondutores nos nós mais avançados.
Apesar dos avanços chineses em equipamentos DUV, o Safra avalia que permanecem elevadas as barreiras tecnológicas para substituir os sistemas da ASML nas etapas mais críticas da fabricação de chips. A vantagem competitiva envolve não apenas a exposição litográfica, mas também precisão óptica e mecânica, produtividade, confiabilidade e controle de defeitos em produção de alto volume.
A companhia também se beneficia da demanda por sistemas High-NA, necessários para a fabricação de chips abaixo de 2 nanômetros, além do aumento dos pedidos relacionados à infraestrutura de IA e à indústria de memória.
Meta ganha espaço entre as big techs
Dentro do grupo de grandes empresas de tecnologia, o Safra elevou a exposição à Meta em 1 ponto percentual, para 7%, e reduziu a posição em Apple em 2 pontos percentuais, para 3%.
Meta combina publicidade, IA e novas frentes de monetização
A visão positiva para a Meta está relacionada ao uso de inteligência artificial em diferentes etapas do negócio de publicidade digital. Sistemas de recomendação mais eficientes podem elevar o engajamento dos usuários, ampliar o número de impressões e melhorar o retorno obtido pelos anunciantes.
Modelos de IA também podem aprimorar seleção, criação, segmentação e mensuração de campanhas. Na avaliação do Safra, esse ganho de eficiência permite que os anunciantes direcionem uma parcela maior de seus orçamentos às plataformas da companhia.
Além da publicidade, a Meta possui oportunidades de monetização ainda pouco exploradas. O Threads já alcançou 500 milhões de usuários mensais, mas permanece em estágio inicial de geração de receita. O WhatsApp, por sua vez, ainda apresenta baixa monetização em relação ao tamanho da base de usuários e à intensidade das interações entre consumidores e empresas.
A companhia também trabalha com agentes de IA capazes de atender clientes, recomendar produtos e intermediar transações dentro de seus aplicativos. A capacidade computacional construída pela Meta representa outra fonte potencial de valor, seja para uso interno, seja para eventual oferta de capacidade excedente a terceiros.
Apple sofre com pressão de custos de memória
A redução da posição em Apple reflete uma relação entre risco e retorno considerada menos favorável no curto prazo. A elevação dos preços de DRAM e NAND aumenta o custo dos principais dispositivos da companhia, enquanto ainda há incerteza sobre a capacidade de repassar integralmente essa inflação aos consumidores.
Na visão do Safra, a pressão sobre custos pode comprimir a margem bruta de hardware. Por isso, a carteira passou a atribuir peso menor à Apple diante de oportunidades consideradas mais atrativas em outras empresas da cadeia de IA.
Composição da Carteira Top IA para agosto
A carteira reúne ações, BDRs e ETFs com exposição a diferentes segmentos da infraestrutura tecnológica global.
| Empresa ou ativo | Código | Segmento | Peso recomendado |
|---|---|---|---|
| Alphabet | GOGL34 | Nuvem | 10% |
| Nvidia | NVDC34 | Design de chips | 10% |
| Meta | M1TA34 | Modelos e aplicações | 7% |
| TSMC | TSMC34 | Fabricação de semicondutores | 7% |
| Micron | MUTC34 | Memória e semicondutores | 7% |
| Microsoft | MSFT34 | Nuvem | 7% |
| Amazon | AMZO34 | Nuvem | 6% |
| ASML | ASML34 | Equipamentos de produção | 5% |
| Apple | AAPL34 | Hardware e periféricos | 3% |
| Broadcom | AVGO34 | Design de chips | 3% |
| AMD | A1MD34 | Design de chips | 3% |
| Lam Research | L1RC34 | Equipamentos de produção | 3% |
| American Tower | T1OW34 | Infraestrutura digital | 3% |
| NextEra | NEXT34 | Energia e utilidades | 3% |
| MSCI Coreia do Sul | BEWY39 | ETF de índice | 3% |
| S&P 500 | IVVB11 | ETF de índice | 20% |
A composição totaliza 100% e combina exposição direta a empresas protagonistas do ciclo de IA com posições diversificadas em índices acionários.
Infraestrutura, energia e índices complementam a estratégia
A carteira não se limita a fabricantes de chips e empresas de software. O portfólio também inclui companhias ligadas a conectividade, data centers e fornecimento de energia.
A American Tower oferece exposição à infraestrutura de telecomunicações e aos data centers da CoreSite, que podem se beneficiar do aumento da demanda por interconexão e processamento de inferência.
A NextEra, por sua vez, representa a frente de energia. O avanço dos data centers amplia o consumo de eletricidade necessário para alimentar e resfriar servidores de IA. A companhia possui ainda um portfólio relevante de geração renovável e projetos de armazenamento.
O ETF iShares MSCI Korea Index BDR (BEWY39) complementa a exposição a semicondutores e memória por meio do mercado acionário sul-coreano, com participação relevante de Samsung Electronics e SK Hynix. Já o iShares S&P 500 (IVVB11) funciona como uma posição diversificada em empresas de grande capitalização dos Estados Unidos, incluindo companhias de tecnologia, nuvem e IA.
Carteira é revisada automaticamente pelo Safra
Assim como as carteiras de ações, BDRs e dividendos do Safra, a Carteira Top IA é revisada automaticamente pelos especialistas da instituição.
A proposta permite que o investidor acompanhe mudanças táticas e estruturais do mercado sem precisar monitorar continuamente cada ativo da carteira. As alterações podem refletir mudanças em valuation, perspectivas de crescimento, dinâmica competitiva, riscos setoriais e condições macroeconômicas.
A estratégia, contudo, permanece sujeita à volatilidade típica de ativos de tecnologia e semicondutores, segmentos que podem apresentar oscilações expressivas mesmo quando os fundamentos de longo prazo continuam favoráveis.
Principais riscos da tese de investimento
O Safra identifica cinco riscos principais para a Carteira Top IA:
- Pressão de custos na cadeia de suprimentos, especialmente em memória, energia, equipamentos e componentes;
- Surgimento de novas tecnologias, capazes de reduzir a relevância de soluções atualmente dominantes;
- Riscos geopolíticos, com destaque para as tensões envolvendo Taiwan, China e Estados Unidos;
- Risco de execução, associado à implantação de novos projetos de data centers, chips e plataformas de IA;
- Investimentos excessivos, caso a expansão da capacidade ocorra em ritmo superior ao crescimento efetivo da demanda.
A concentração da carteira em empresas de tecnologia e infraestrutura digital também pode aumentar a sensibilidade a mudanças nas taxas de juros, no ambiente regulatório, no comércio internacional e nas expectativas de crescimento dos lucros.
Conclusão
A Carteira Top IA do Safra para agosto de 2026 aposta que a recente queda das ações de tecnologia representa mais uma correção técnica do que uma deterioração estrutural da tese de inteligência artificial.
A estratégia aumenta a exposição aos semicondutores, considerados o núcleo físico da expansão da IA, ao mesmo tempo em que mantém posições em plataformas de nuvem, modelos, aplicações, infraestrutura digital, energia e índices acionários.
A tese central é que a queda dos custos de uso da IA, a disseminação de modelos mais eficientes e a expansão dos agentes autônomos podem ampliar o mercado endereçável e sustentar a demanda por processamento, memória, conectividade e energia por um período mais longo do que o atualmente precificado pelo mercado.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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