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Carteira Top IA do Safra para agosto aposta em semicondutores

Estratégia para agosto eleva a exposição a TSMC, Micron e ASML, reduz o peso de big techs e ETFs e mantém a tese de um ciclo prolongado de investimentos em inteligência artificial

7 minutos
Carteira Top IA agosto

Carteira Top IA do Safra combina empresas de semicondutores, computação em nuvem, aplicações digitais, infraestrutura e energia para capturar diferentes etapas da cadeia global de inteligência artificial | Foto: Getty Images

A Carteira Top IA recomendada pelo Banco Safra para agosto de 2026 aproveita a recente correção das ações de tecnologia para aumentar a exposição ao segmento de semicondutores. A estratégia também reduz, marginalmente, a participação em grandes empresas de tecnologia e em fundos negociados em bolsa (ETFs).

A movimentação ocorre após um período de forte valorização dos ativos ligados à inteligência artificial. Em julho e no início de agosto, ações expostas à cadeia de IA sofreram quedas relevantes, em um movimento associado principalmente à redução de alavancagem e à realização de lucros acumulados ao longo do ano.

Na avaliação dos especialistas do Safra, a correção teve caráter predominantemente técnico e não alterou os fundamentos estruturais da tese de investimento. Parte das perdas recentes já começou a ser recuperada, enquanto a demanda por capacidade computacional, memória e serviços de nuvem permanece elevada.

Em julho, a carteira registrou alta de 0,04%, ante avanço de 1,86% do S&P 500. Para agosto, o peso de semicondutores foi elevado de 35% para 38%. A participação em big techs e hyperscalers caiu de 34% para 33%, enquanto a exposição a ETFs recuou de 25% para 23%.

Demanda por inteligência artificial continua em expansão

Modelos mais eficientes podem ampliar o mercado endereçável

Um dos pilares da análise do Safra é a disseminação de modelos abertos de inteligência artificial, como Kimi K3 (modelo de inteligência artificial carro-chefe da startup chinesa Moonshot) e Qwen (da chinesa Alibaba).

A maior eficiência desses modelos, combinada com custos de utilização progressivamente menores, tende a ampliar o número de empresas e desenvolvedores capazes de incorporar IA a seus produtos e serviços.

A redução do custo por tarefa pode produzir um efeito de expansão, e não de retração, sobre a demanda por processamento. Segundo a análise, novas cargas de trabalho passam a ser economicamente viáveis, aplicações existentes ganham intensidade de uso e sistemas mais complexos — como agentes capazes de executar tarefas por períodos prolongados — exigem maior volume de computação por usuário.

A tese dos especialistas do Banco Safra é que o aumento da eficiência dos modelos pode ampliar o mercado total de inteligência artificial e sustentar o consumo agregado de capacidade computacional.

Nuvem mostra crescimento acelerado e melhora de rentabilidade

A demanda também aparece nos resultados das principais plataformas de computação em nuvem. No segundo trimestre, o Google Cloud cresceu 82%, a AWS avançou 37% e o Azure registrou expansão de 45%, conforme os dados apresentados no relatório.

Ao mesmo tempo em que ampliam os investimentos para expandir a oferta de infraestrutura, as plataformas de nuvem vêm apresentando melhora de rentabilidade. Para o Safra, a combinação entre crescimento de receita, expansão de margens e aumento dos investimentos indica que a nova capacidade instalada continua sendo absorvida pelo mercado.

Embora não seja possível observar diretamente o retorno incremental de cada projeto de IA, a evolução conjunta de receitas, margens e utilização oferece, na avaliação do banco, evidências de que as grandes plataformas ainda encontram oportunidades de investimento com retornos atrativos.

Semicondutores ganham espaço na carteira

Para agosto, o Safra elevou a exposição a TSMC, Micron e ASML e retirou os BDRs da Applied Materials da carteira. A mudança representa uma preferência relativa pelos ativos que, na visão dos analistas, oferecem melhor relação entre potencial de crescimento e valuation após a correção recente.

TSMC: exposição abrangente à expansão da IA

A participação da TSMC foi elevada em 3 pontos percentuais, para 7% da carteira. A companhia é considerada uma das formas mais completas de capturar o ciclo de investimentos em inteligência artificial, independentemente de qual fornecedor de aceleradores ou arquitetura de chips ganhe participação.

GPUs, processadores desenvolvidos internamente por grandes plataformas de nuvem e outros chips avançados dependem dos processos de fabricação da TSMC. A oferta de capacidade permanece apertada, enquanto as fábricas operam próximas da plena utilização.

O relatório destaca ainda a migração da produção para tecnologias mais avançadas. Processos de 7 nanômetros ou inferiores já representam 77% da receita de wafers da companhia, enquanto a tecnologia de 2 nanômetros começou a contribuir para a receita no segundo trimestre.

Micron se beneficia da demanda por memória de alto desempenho

A exposição à Micron foi ampliada em 1 ponto percentual, para 7%. A tese de investimento considera a combinação entre crescimento da demanda por inteligência artificial, restrições estruturais de oferta e maior utilização de memórias de alto valor agregado.

A memória HBM — sigla em inglês para memória de alta largura de banda — é essencial para aceleradores de IA por oferecer maior velocidade de transferência de dados do que a DRAM convencional. A Micron está entre as três principais fabricantes globais desse componente, ao lado de Samsung e SK Hynix.

O Safra também destaca o aumento de acordos plurianuais com clientes estratégicos, que podem conferir maior previsibilidade de volumes e preços. A mudança na composição da produção, com maior participação de HBM, tende a restringir a oferta disponível para produtos convencionais e pode elevar o piso estrutural de rentabilidade da companhia.

ASML mantém posição estratégica na litografia

A participação da ASML aumentou em 2 pontos percentuais, para 5%. A companhia é a única fornecedora de equipamentos de litografia EUV, tecnologia indispensável para a fabricação de semicondutores nos nós mais avançados.

Apesar dos avanços chineses em equipamentos DUV, o Safra avalia que permanecem elevadas as barreiras tecnológicas para substituir os sistemas da ASML nas etapas mais críticas da fabricação de chips. A vantagem competitiva envolve não apenas a exposição litográfica, mas também precisão óptica e mecânica, produtividade, confiabilidade e controle de defeitos em produção de alto volume.

A companhia também se beneficia da demanda por sistemas High-NA, necessários para a fabricação de chips abaixo de 2 nanômetros, além do aumento dos pedidos relacionados à infraestrutura de IA e à indústria de memória.

Meta ganha espaço entre as big techs

Dentro do grupo de grandes empresas de tecnologia, o Safra elevou a exposição à Meta em 1 ponto percentual, para 7%, e reduziu a posição em Apple em 2 pontos percentuais, para 3%.

Meta combina publicidade, IA e novas frentes de monetização

A visão positiva para a Meta está relacionada ao uso de inteligência artificial em diferentes etapas do negócio de publicidade digital. Sistemas de recomendação mais eficientes podem elevar o engajamento dos usuários, ampliar o número de impressões e melhorar o retorno obtido pelos anunciantes.

Modelos de IA também podem aprimorar seleção, criação, segmentação e mensuração de campanhas. Na avaliação do Safra, esse ganho de eficiência permite que os anunciantes direcionem uma parcela maior de seus orçamentos às plataformas da companhia.

Além da publicidade, a Meta possui oportunidades de monetização ainda pouco exploradas. O Threads já alcançou 500 milhões de usuários mensais, mas permanece em estágio inicial de geração de receita. O WhatsApp, por sua vez, ainda apresenta baixa monetização em relação ao tamanho da base de usuários e à intensidade das interações entre consumidores e empresas.

A companhia também trabalha com agentes de IA capazes de atender clientes, recomendar produtos e intermediar transações dentro de seus aplicativos. A capacidade computacional construída pela Meta representa outra fonte potencial de valor, seja para uso interno, seja para eventual oferta de capacidade excedente a terceiros.

Apple sofre com pressão de custos de memória

A redução da posição em Apple reflete uma relação entre risco e retorno considerada menos favorável no curto prazo. A elevação dos preços de DRAM e NAND aumenta o custo dos principais dispositivos da companhia, enquanto ainda há incerteza sobre a capacidade de repassar integralmente essa inflação aos consumidores.

Na visão do Safra, a pressão sobre custos pode comprimir a margem bruta de hardware. Por isso, a carteira passou a atribuir peso menor à Apple diante de oportunidades consideradas mais atrativas em outras empresas da cadeia de IA.

Composição da Carteira Top IA para agosto

A carteira reúne ações, BDRs e ETFs com exposição a diferentes segmentos da infraestrutura tecnológica global.

Empresa ou ativoCódigoSegmentoPeso recomendado
AlphabetGOGL34Nuvem10%
NvidiaNVDC34Design de chips10%
MetaM1TA34Modelos e aplicações7%
TSMCTSMC34Fabricação de semicondutores7%
MicronMUTC34Memória e semicondutores7%
MicrosoftMSFT34Nuvem7%
AmazonAMZO34Nuvem6%
ASMLASML34Equipamentos de produção5%
AppleAAPL34Hardware e periféricos3%
BroadcomAVGO34Design de chips3%
AMDA1MD34Design de chips3%
Lam ResearchL1RC34Equipamentos de produção3%
American TowerT1OW34Infraestrutura digital3%
NextEraNEXT34Energia e utilidades3%
MSCI Coreia do SulBEWY39ETF de índice3%
S&P 500IVVB11ETF de índice20%

A composição totaliza 100% e combina exposição direta a empresas protagonistas do ciclo de IA com posições diversificadas em índices acionários.

Infraestrutura, energia e índices complementam a estratégia

A carteira não se limita a fabricantes de chips e empresas de software. O portfólio também inclui companhias ligadas a conectividade, data centers e fornecimento de energia.

A American Tower oferece exposição à infraestrutura de telecomunicações e aos data centers da CoreSite, que podem se beneficiar do aumento da demanda por interconexão e processamento de inferência.

A NextEra, por sua vez, representa a frente de energia. O avanço dos data centers amplia o consumo de eletricidade necessário para alimentar e resfriar servidores de IA. A companhia possui ainda um portfólio relevante de geração renovável e projetos de armazenamento.

O ETF iShares MSCI Korea Index BDR (BEWY39) complementa a exposição a semicondutores e memória por meio do mercado acionário sul-coreano, com participação relevante de Samsung Electronics e SK Hynix. Já o iShares S&P 500 (IVVB11) funciona como uma posição diversificada em empresas de grande capitalização dos Estados Unidos, incluindo companhias de tecnologia, nuvem e IA.

Carteira é revisada automaticamente pelo Safra

Assim como as carteiras de ações, BDRs e dividendos do Safra, a Carteira Top IA é revisada automaticamente pelos especialistas da instituição.

A proposta permite que o investidor acompanhe mudanças táticas e estruturais do mercado sem precisar monitorar continuamente cada ativo da carteira. As alterações podem refletir mudanças em valuation, perspectivas de crescimento, dinâmica competitiva, riscos setoriais e condições macroeconômicas.

A estratégia, contudo, permanece sujeita à volatilidade típica de ativos de tecnologia e semicondutores, segmentos que podem apresentar oscilações expressivas mesmo quando os fundamentos de longo prazo continuam favoráveis.

Principais riscos da tese de investimento

O Safra identifica cinco riscos principais para a Carteira Top IA:

  1. Pressão de custos na cadeia de suprimentos, especialmente em memória, energia, equipamentos e componentes;
  2. Surgimento de novas tecnologias, capazes de reduzir a relevância de soluções atualmente dominantes;
  3. Riscos geopolíticos, com destaque para as tensões envolvendo Taiwan, China e Estados Unidos;
  4. Risco de execução, associado à implantação de novos projetos de data centers, chips e plataformas de IA;
  5. Investimentos excessivos, caso a expansão da capacidade ocorra em ritmo superior ao crescimento efetivo da demanda.

A concentração da carteira em empresas de tecnologia e infraestrutura digital também pode aumentar a sensibilidade a mudanças nas taxas de juros, no ambiente regulatório, no comércio internacional e nas expectativas de crescimento dos lucros.

Conclusão

A Carteira Top IA do Safra para agosto de 2026 aposta que a recente queda das ações de tecnologia representa mais uma correção técnica do que uma deterioração estrutural da tese de inteligência artificial.

A estratégia aumenta a exposição aos semicondutores, considerados o núcleo físico da expansão da IA, ao mesmo tempo em que mantém posições em plataformas de nuvem, modelos, aplicações, infraestrutura digital, energia e índices acionários.

A tese central é que a queda dos custos de uso da IA, a disseminação de modelos mais eficientes e a expansão dos agentes autônomos podem ampliar o mercado endereçável e sustentar a demanda por processamento, memória, conectividade e energia por um período mais longo do que o atualmente precificado pelo mercado.

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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