Carteira Top 10 ações ajusta posições para enfrentar volatilidade pré-eleitoral
Carteira recomendada passa por três substituições, com entrada de BTG Pactual, Caixa Seguridade e Gerdau, em movimento que busca proteção diante de maior volatilidade pré-eleitoral e seletividade no ciclo doméstico
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Ambiente de maior volatilidade orientou os ajustes da Carteira Safra Top 10 Ações para setembro de 2026 | Foto: Getty Images
O Banco Safra realizou três substituições na Carteira Safra Top 10 Ações recomendada para setembro de 2026, em uma estratégia voltada a reduzir a sensibilidade do portfólio a ativos mais expostos ao ciclo de crédito, aos juros domésticos e à volatilidade associada à proximidade das eleições.
Saíram da carteira Itaúsa (ITSA4), Porto (PSSA3) e Motiva (MOTV3). Em seus lugares, entraram BTG Pactual (BPAC11), Caixa Seguridade (CXSE3) e Gerdau (GGBR4). Também houve ajustes de peso em nomes já presentes, com aumento de exposição a WEG (WEGE3) e Equatorial (EQTL3), além de redução em Vale (VALE3) e Copel (CPLE3).
O movimento indica uma carteira mais defensiva em crédito, mas ainda exposta a temas de crescimento, dolarização de receitas, dividendos e setores com valuation considerado atrativo pela casa.
Revisão mensal automática é diferencial da estratégia
Um dos principais diferenciais da Carteira Safra Top 10 Ações é a sua estrutura operacional. Após a aplicação inicial, o investidor não precisa realizar ajustes manuais para acompanhar as mudanças recomendadas pelos estrategistas.
A carteira passa por revisões mensais automáticas e conta com execução e rebalanceamento conduzidos pela equipe especializada do Banco Safra. O modelo busca oferecer praticidade ao investidor, garantindo que a alocação permaneça alinhada às avaliações mais recentes sobre cenário macroeconômico, resultados corporativos e perspectivas setoriais.
Crédito perde espaço; serviços financeiros seguem na carteira
A exclusão de Itaúsa e Porto reflete uma leitura mais cautelosa da Safra sobre a dinâmica do crédito. No caso de Itaúsa, a corretora afirma seguir construtiva em relação à tese de longo prazo da companhia, mas optou por abrir espaço para empresas menos sensíveis à deterioração do ciclo de crédito.
A retirada de Porto também segue essa lógica. Além da maior inadimplência observada em Porto Bank, a Safra cita o aumento da concorrência no segmento de seguros de automóveis como fator adicional para reduzir a exposição ao papel.
BTG Pactual preserva exposição financeira com menor risco de crédito
A entrada de BTG Pactual mantém a exposição da carteira ao setor financeiro, mas com uma estrutura considerada menos dependente do crédito tradicional. Segundo a Safra, a diversificação dos negócios do banco permite sustentar retorno sobre patrimônio líquido, ou ROE, acima de 25%, mesmo em um ambiente mais desafiador para áreas como Sales and Trading e banco de investimento.
Com peso de 15%, BTG Pactual passa a ser uma das maiores posições da carteira em setembro.
Caixa Seguridade entra como alternativa defensiva e pagadora de dividendos
A inclusão de Caixa Seguridade reforça o componente defensivo da carteira. A companhia é vista pela Safra como uma alternativa de menor beta, ou seja, com menor sensibilidade relativa às oscilações de mercado.
Outro ponto relevante é o retorno ao acionista. A corretora projeta dividend yield superior a 7% para 2027, patamar semelhante ao esperado para 2026, ano em que parte relevante da distribuição já foi anunciada. A ação estreia na carteira com peso de 10%.
Gerdau amplia dolarização e diversificação em mineração e siderurgia
A entrada de Gerdau adiciona exposição ao setor de siderurgia e mineração, mas com uma tese distinta da de Vale. O foco está na operação de aço na América do Norte, que, segundo a Safra, segue apresentando margens robustas e contribuindo para resultados resilientes.
A corretora destaca ainda uma visão divergente do consenso de mercado: a expectativa de manutenção das margens elevadas no mercado de aço, com contribuição positiva para os resultados no segundo semestre de 2026.
Com isso, Gerdau também amplia a exposição da carteira a receitas dolarizadas, aspecto relevante em um ambiente de maior volatilidade doméstica.
WEG ganha peso com demanda externa e data centers no radar
Entre os ajustes de peso, a Safra elevou a participação de WEG de 10% para 12%. A tese combina expectativa de aceleração do crescimento no segundo semestre de 2026, normalização de bases de comparação no segmento de energia solar, início do ramp-up da fábrica de Betim e demanda externa ligada a data centers.
A companhia também se beneficia de receitas dolarizadas, atributo valorizado pela Safra na composição da carteira para setembro.
Vale e Copel têm pesos reduzidos
A posição em Vale foi reduzida de 12% para 10%, movimento explicado pela necessidade de equilibrar a exposição setorial após a entrada de Gerdau. Ainda assim, a Safra mantém visão positiva para a mineradora, apoiada em melhora de produção e custos no segundo semestre, minério de ferro próximo de US$ 100 por tonelada e possibilidade de suporte ao preço da ação por dividendos ou recompras.
Em utilidades básicas, a Safra reduziu Copel de 10% para 8% e elevou Equatorial de 10% para 12%. A preferência relativa por Equatorial ocorre após a correção recente das ações, que tornou o valuation mais atrativo na avaliação da casa.
Equatorial é favorecida por valuation e histórico de alocação
A Safra destaca o histórico de alocação de capital da Equatorial e a diversificação das atividades após movimentos envolvendo Sabesp e Copasa. A corretora também cita uma agenda positiva apresentada no último Investor Day e afirma que a companhia negocia com TIR real de 13,3% ao ano, acima da média setorial e de seu padrão histórico.
Petrobras, Multiplan e Direcional seguem na carteira
A Petrobras (PETR4) foi mantida com peso de 10%. A Safra avalia que a empresa oferece indexação ao Ibovespa e segue com resultados robustos no curto e médio prazos, beneficiada pelo choque do petróleo. A casa também considera o valuation atrativo, com desconto frente a pares internacionais e forte geração de caixa.
A Multiplan (MULT3) permanece com peso de 10%. A tese se apoia na qualidade do portfólio de shoppings, na resiliência em ambientes inflacionários e no potencial benefício da reforma tributária, em razão da exposição atual a PIS/Cofins e da possibilidade de captura de créditos no novo modelo de IVA.
A Direcional (DIRR3) segue com peso de 8%, sustentada pelo dinamismo do segmento de baixa renda, pela execução operacional e pelo impacto positivo do programa Minha Casa, Minha Vida. A Safra também avalia que a companhia tende a sofrer menos que pares com a inflação da construção, devido à velocidade de vendas e ao controle de custos.
Composição da Carteira Safra Top 10 para setembro
| Código | Companhia | Setor | P/L 2026E | Peso atual |
| WEGE3 | WEG | Bens de Capital | 33,3x | 12% |
| BPAC11 | BTG Pactual | Serviços Financeiros | 10,3x | 15% |
| CXSE3 | Caixa Seguridade | Serviços Financeiros | 12,5x | 10% |
| DIRR3 | Direcional | Construtoras | 5,8x | 8% |
| VALE3 | Vale | Siderurgia e Mineração | 6,9x | 10% |
| PETR4 | Petrobras | Óleo e Gás | 4,4x | 10% |
| MULT3 | Multiplan | Shoppings Centers | 12,8x | 10% |
| GGBR4 | Gerdau | Siderurgia e Mineração | 5,9x | 5% |
| CPLE3 | Copel | Utilidades Básicas | 16,3x | 8% |
| EQTL3 | Equatorial | Utilidades Básicas | 14,2x | 12% |
Desempenho mostra vantagem no ano
Em agosto, a Carteira Safra Top 10 teve alta de 0,07%, enquanto o Ibovespa recuou 0,33% e o CDI avançou 1,04%. No acumulado de 2026, a carteira registra ganho de 11,63%, acima dos 10,11% do Ibovespa e dos 8,88% do CDI.
Nos últimos 12 meses, porém, a carteira acumula valorização de 21,42%, abaixo dos 25,45% do Ibovespa, mas superior aos 14,03% do CDI. Desde o início da série, em janeiro de 2012, o desempenho acumulado é de 371,54%, contra 203,94% do Ibovespa e 289,59% do CDI, considerando reinvestimento de dividendos.
A carteira superou o Ibovespa em 102 dos 176 meses acompanhados, equivalente a 58% do período.
Leitura de mercado: seletividade antes do ciclo eleitoral
A composição de setembro revela uma estratégia de equilíbrio entre defesa e crescimento. De um lado, há redução da exposição a crédito e a ativos mais sensíveis ao ciclo doméstico. De outro, a carteira preserva exposição a grandes temas de mercado, como commodities, energia, infraestrutura elétrica, baixa renda, shopping centers de alta qualidade, dividendos e receitas dolarizadas.
A proximidade das eleições aparece como variável relevante para a Safra, sobretudo pelo potencial de aumento da volatilidade em ativos ligados a juros e à economia doméstica. Nesse contexto, empresas com menor beta, geração de caixa resiliente, exposição externa ou valuation descontado ganham espaço relativo.
A mensagem central da carteira é de maior seletividade: não se trata de abandonar risco, mas de buscar risco mais bem remunerado em um ambiente em que crédito, juros e política podem pesar mais sobre os preços dos ativos brasileiros.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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