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Onde investir em maio: carteira fica mais defensiva e aposta em pós-fixados

Carta mensal aos investidores do Banco Safra adota postura mais prudente diante da incerteza macroeconômica e geopolítica, eleva o peso de ativos pós-fixados

5 minutos
safra report maio 26

A edição de maio de 2026 apresenta uma estratégia de alocação mais defensiva, com destaque para pós-fixados, proteção inflacionária e diversificação por perfil de investidor | Foto: Getty Images

A estratégia de investimentos para maio de 2026 recomendada pelos especialistas do Banco Safra foi desenhada para atravessar um ambiente de menor visibilidade, marcado por desaceleração global, pressão inflacionária de curto prazo e aumento das tensões geopolíticas.

Nesse contexto, a orientação central é reduzir riscos sem abrir mão de oportunidades pontuais de retorno.

O principal movimento da carteira foi o aumento da alocação em ativos pós-fixados, que passam a ocupar mais espaço por combinarem remuneração elevada, liquidez e menor volatilidade.

Em paralelo, houve redução da exposição a títulos prefixados, diante da avaliação de que a piora marginal do quadro inflacionário limita o potencial de fechamento adicional das taxas de juros.

Ao mesmo tempo, os ativos atrelados à inflação seguem como a maior alocação da carteira, por sua capacidade de combinar retorno real e proteção contra surpresas no custo de vida.

O relatório também mantém recomendação para fundos multimercado, embora com forte seletividade, e preserva uma visão construtiva para ações brasileiras, especialmente em empresas de tecnologia, inteligência artificial e negócios menos dependentes do ciclo de crédito.

Safra Report: o que sustenta a estratégia de maio

A leitura macroeconômica por trás da alocação é de desaceleração gradual da atividade, tanto no exterior quanto no Brasil, em paralelo a um choque de petróleo que pressiona a inflação no curto prazo.

Nos Estados Unidos, a atividade começou 2026 em ritmo mais moderado, mas os investimentos em inteligência artificial seguem funcionando como vetor de resiliência econômica.

Na Europa, o ambiente continua enfraquecido pela baixa produção industrial e pelo consumo mais contido. Na China, a crise persistente no setor imobiliário continua comprometendo confiança, crédito e consumo.

No Brasil, a projeção é de crescimento de 1,6% do PIB em 2026, com mercado de trabalho ainda firme, mas sinais de moderação à frente. A inflação deve acelerar levemente no curto prazo por causa de combustíveis e alimentos, mas o cenário-base segue sendo de desinflação no segundo semestre.

Com isso, a composição de carteira privilegia instrumentos capazes de defender o patrimônio em um contexto de incerteza, sem abandonar temas estruturais de crescimento.

Pós-fixados ganham espaço na carteira

O reforço em pós-fixados é a principal mensagem prática da alocação de maio. Esses ativos passaram a ser vistos como o núcleo defensivo da carteira, especialmente em um momento de dúvidas sobre a trajetória da inflação, a dinâmica dos juros e a evolução da atividade econômica.

Além da remuneração ainda atrativa, os pós-fixados oferecem liquidez e menor oscilação, o que aumenta sua utilidade em períodos de turbulência.

Prefixados perdem espaço com piora marginal da inflação

A exposição a títulos prefixados foi reduzida. O argumento do relatório é que o choque de combustíveis e a persistência da pressão em serviços diminuem o espaço para fechamento adicional das taxas. Como a curva de juros já embute boa parte dos cortes esperados, o risco assimétrico de curto prazo passa a ser de abertura de taxas caso a inflação surpreenda.

A posição remanescente foi concentrada em vencimentos de três anos, onde a relação entre risco e retorno é considerada mais favorável.

Ativos atrelados à inflação seguem no centro da estratégia

Mesmo com maior ênfase em pós-fixados, a maior fatia da carteira permanece destinada a ativos indexados à inflação. O racional é claro: em um ambiente sujeito a choques de energia e alimentos, esses papéis preservam o retorno real e oferecem proteção adicional para o investidor.

Na prática, o relatório trata essa classe como um dos pilares da alocação em 2026.

Multimercados seguem recomendados, mas a seleção fica mais rigorosa

O comitê continua recomendando multimercados, apesar de reconhecer que a mediana da indústria está abaixo do CDI no ano. A justificativa é que a classe ainda oferece vantagens importantes por permitir maior flexibilidade de gestão diante de mudanças rápidas de cenário.

A recomendação, porém, vem acompanhada de cautela: o investidor deve concentrar a escolha em estratégias e gestoras com maior capacidade de adaptação.

Ações brasileiras seguem preferidas, com foco em qualidade

Na renda variável, a visão continua construtiva para o mercado local. A preferência recai sobre companhias ligadas a tecnologia e inteligência artificial, além de empresas menos dependentes do ciclo de crédito e com fundamentos sólidos.

A mensagem do relatório é de seletividade: o espaço para valorização permanece, mas o investidor deve privilegiar negócios com geração de caixa mais resiliente.

Alternativos ampliam a diversificação

A alocação em ativos alternativos também foi ampliada. Nos fundos imobiliários, os segmentos de logística e recebíveis seguem em destaque por serem considerados mais resilientes em um ambiente de juros ainda elevados.

Produtos sugeridos no relatório

Safra Infra Renda Fixa Ativo

Entre as recomendações de renda fixa, o relatório destaca o Safra Infra Renda Fixa Ativo, fundo de infraestrutura que combina perfil mais conservador com mecanismos de defesa em momentos de maior oscilação do mercado. A estratégia busca retornos acima do CDI por meio de uma carteira majoritariamente composta por debêntures de empresas do setor de infraestrutura. Um dos principais diferenciais apontados é a isenção de Imposto de Renda para pessoa física, além da gestão ativa em renda fixa para capturar oportunidades na curva de juros.

Safra Agilité

Também em renda fixa, o Safra Agilité é apresentado como uma alternativa voltada a crédito privado conservador. O fundo busca seus objetivos por meio de uma carteira líquida, adequada ao prazo de resgate, e apoiada em seleção criteriosa de ativos. O relatório enfatiza os processos proprietários de análise e o histórico de resultados acumulados consistentes ao longo de seis anos, reforçando a proposta de estabilidade dentro da classe.

Manager Kapitalo K10 S

Na classe de multimercados, o destaque é o Manager Kapitalo K10 S, um fundo macro que monta posições a partir da leitura dos cenários macroeconômicos. Segundo o relatório, a estratégia investe de forma ampla em ações, moedas e juros em países do G10 e em mercados emergentes. Em commodities, a atuação se concentra em energia, metais e produtos agrícolas. O diferencial está na combinação de abordagem top-down para ações, juros e moedas, com análise bottom-up para commodities.

J. Safra Inflation Gold SPX

Na frente internacional, uma das estruturas sugeridas é o J. Safra Inflation Gold SPX, descrito como instrumento de diversificação com exposição à Bolsa americana, ao ouro e à proteção contra inflação. A estrutura oferece 100% do capital protegido e, no vencimento, entrega ao investidor a maior variação entre o desempenho do S&P 500, a valorização do ouro ou o IPCA acumulado no período. A proposta combina proteção patrimonial com exposição a três vetores distintos de valorização.

Safra Inteligência Artificial MM

Ainda em internacional, o relatório recomenda o Safra Inteligência Artificial MM, fundo multimercado que investe em empresas e índices diretamente ligados ao universo de inteligência artificial. A estratégia contempla toda a cadeia produtiva do setor, incluindo companhias de semicondutores, software, hardware, data centers e armazenamento. Outro ponto destacado é a presença de proteção ao risco cambial do dólar, o que reduz a volatilidade associada à variação da moeda americana.

Principais argumentos de alocação

Os principais argumentos do relatório para maio podem ser resumidos em cinco eixos:

  • Aumentar a defesa da carteira diante da menor visibilidade para os próximos meses.
  • Elevar o peso de pós-fixados por sua combinação de remuneração, liquidez e menor volatilidade.
  • Preservar forte exposição a inflação como proteção contra choques de preços e defesa do retorno real.
  • Manter multimercados com seletividade, valorizando a capacidade de adaptação dos gestores.
  • Sustentar exposição a ações e internacional de forma criteriosa, com foco em tecnologia, inteligência artificial e negócios mais resilientes.

Conclusão

A alocação de maio de 2026 privilegia uma postura mais defensiva, sem migrar para uma carteira inteiramente conservadora. O desenho da recomendação mostra uma combinação de proteção, liquidez e busca seletiva por retorno.

O aumento dos pós-fixados, a manutenção dos ativos atrelados à inflação como pilar central e a continuidade da exposição a multimercados, ações brasileiras e estratégias internacionais evidenciam uma tentativa de equilibrar cautela e oportunidade.

Em vez de uma retirada ampla de risco, o relatório propõe uma filtragem mais rigorosa das apostas.

Cley Scholz

Jornalista formado pela PUC-PR com pós em gestão de empresas jornalísticas na ESPM. Trabalhou como repórter e editor nos jornais O Estado de S.Paulo, Valor Econômico, O Globo, JT, Agência Estado, revista Veja e portal de Economia do Estadão. LinkedIn

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