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Carteira de FIIs do Safra adota postura defensiva em ambiente de juros altos

Com seletividade maior, carteira de fundos imobiliários do Banco Safra busca equilíbrio entre rendimento elevado e controle de risco

3 minutos
Carteira de FIIs reforça foco em renda em meio a juros elevados

O mercado de fundos imobiliários segue marcado por seletividade, com destaque para a busca por renda recorrente e maior previsibilidade em um cenário de juros elevados | Foto: Getty Images

A Carteira Top FIIs de junho de 2026, divulgada pela Safra Corretora, reflete uma estratégia de cautela em meio à reprecificação dos juros no Brasil. Com o mercado passando a projetar uma Selic terminal mais elevada ao fim do ano, a carteira optou por ajustes pontuais de alocação, sem mudanças estruturais relevantes, priorizando previsibilidade de renda e controle de risco.

Desde 8 de maio, a carteira registrou variação de -1,16%, desempenho superior ao do IFIX, índice que mede a performance dos principais fundos imobiliários, que caiu -1,88% no mesmo período. A diferença resultou em um alfa positivo de 0,72 ponto percentual, sinalizando resiliência mesmo em um ambiente menos favorável para ativos imobiliários listados.

Recomendação para junho

FundoSegmentoExposiçãoPreço (05/06/26) (R$/cota)Preço/Valor PatrimonialDividendo Yield Estimado – 2026
JS Real Estate – JSRE11Escritórios10,0%60,800,609,5%
TRX Real Estate – TRXF11Híbridos10,0%91,490,9312,2%
Riza Terrax – RZTR11Híbridos2,5%89,410,9913,4%
Guardian Real Estate – GARE11Híbridos5,0%8,220,8912,1%
JS Ativos Financeiros – JSAF11Fundo de Fundos10,0%7,400,8213,0%
Bresco Logística FII – BRCO11Logística5,0%115,961,029,8%
Patria Log – HGLG11Logística7,5%154,950,938,5%
XP Malls – XPML11Shoppings7,5%106,400,9710,4%
Kinea Unique HY CDI – KNUQ11Ativos Financeiros10,0%103,401,0413,6%
Mauá Cap Recebíveis Imob – MCCI11Ativos Financeiros5,0%95,601,0012,6%
Patria Crédito Imobiliário IP – PCIP11Ativos Financeiros10,0%84,260,9012,7%
Patria Recebíveis Imobiliários – HGCR11Ativos Financeiros10,0%95,060,9912,0%
Kinea Rendimentos Imob – KNCR11Ativos Financeiros7,5%106,611,0412,4%

Ambiente macroeconômico pressiona

A leitura macroeconômica segue como um fator central para a tomada de decisão. A abertura da curva de juros tende a pressionar especialmente os fundos de tijolo, mais sensíveis ao custo de capital e às expectativas de crescimento. Nesse contexto, a carteira reduziu a exposição a segmentos considerados mais vulneráveis ao patamar elevado dos juros.

A saída integral de Vinci Shopping Centers e a redução de posição em Pátria Logística ilustram esse movimento. O segmento de shoppings, em especial, tende a sofrer mais em ciclos de juros altos, enquanto alguns fundos logísticos já negociam próximos ou acima de seus valores patrimoniais, limitando o potencial de valorização.

Ativos financeiros ganham protagonismo

Em contrapartida, a carteira aumentou marginalmente a exposição a fundos de ativos financeiros, com destaque para estratégias indexadas ao CDI. O objetivo é capturar retornos mais atrativos em um cenário de juros elevados por mais tempo, sem abrir mão da qualidade de crédito.

Fundos como Kinea Unique HY CDI e Guardian Real Estate ganharam mais peso na alocação. O primeiro amplia a exposição a recebíveis pós-fixados, enquanto o segundo combina renda urbana e logística, com contratos de longo prazo e alta previsibilidade de resultados.

Mercado imobiliário mostra sinais distintos por segmento

Os dados operacionais do mercado imobiliário seguem heterogêneos. No segmento de escritórios de alto padrão em São Paulo, a absorção líquida permaneceu positiva no primeiro trimestre de 2026, com queda da vacância para 11,38%, puxada por regiões como JK, Pinheiros e Chucri Zaidan. Os preços mostram desaceleração, mas ainda se mantêm elevados nas áreas prime.

Já o mercado de galpões logísticos continua aquecido. A vacância nacional caiu para 5,62%, enquanto os preços médios de locação avançaram, refletindo a forte demanda e a boa aceitação do novo estoque, sobretudo em São Paulo.

Valuation segue atrativo no universo de FIIs

Do ponto de vista de valuation, o mercado de fundos imobiliários ainda negocia com desconto relevante. O valor de mercado dos FIIs apresenta um deságio médio de 10,86% em relação ao valor patrimonial, o que reforça a importância da seletividade na escolha dos ativos.

O dividend yield do IFIX permanece acima da taxa da NTN-B 2035, embora o prêmio tenha diminuído em relação à média histórica. Ainda assim, a renda gerada pelos FIIs segue competitiva frente aos títulos públicos, especialmente para investidores com foco em fluxo de caixa.

Composição da carteira privilegia renda e previsibilidade

A carteira mantém concentração em ativos Financeiros, que representam 42,5% da alocação total. Em seguida aparecem os fundos Híbridos, com 17,5%, Logística, com 12,5%, Fundos de Fundos e Escritórios, ambos com 10%, além de Shoppings, com 7,5%.

O dividend yield estimado da carteira para 2026 é de 11,7%, reforçando o posicionamento voltado à geração de renda em um ambiente macroeconômico mais desafiador.

Destaques recentes de performance

Entre os fundos que mais contribuíram positivamente para o desempenho recente estão Kinea Rendimentos Imobiliários, TRX Real Estate e Guardian Real Estate. A combinação de contratos atípicos, boa qualidade de crédito e gestão ativa explica o papel desses fundos na resiliência da carteira.

Íntegra da Carteira Top FIIs de junho

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