Carro voador da Embraer chega ao mercado em 2027 e vai custar US$ 5 milhões
Aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical da EVE, subsidiária da Embraer, vai transportar quatro passageiros, piloto e quatro malas de mão, com menos barulho que os helicópteros
19/02/2026 3 minutos
Carro voador já acumulou 47 minutos de voo em mais de 20 voos e iniciou manobras em altitude | Foto: Divulgação
O programa de eVTOL (veículo de decolagem e aterrisagem elétrica vertical) da EVE – subsidiária da Embraer (EMBJ3) – segue dentro do cronograma e busca oferecer uma solução competitiva em termos de custo.
Embora a Joby Aviation, com sede na Califórnia, deva conquistar a certificação primeiro, os operadores devem priorizar eficiência operacional e expertise aeronáutica — áreas em que a EVE se beneficia enormemente da experiência da Embraer, segundo análise do Banco Safra.
A EVE também espera atingir breakeven de fluxo de caixa livre (FCF) em 2029, quando as entregas devem superar 120 unidades
Certificação do eVTOL da EVE deve ser concluída no 2S27
O processo de certificação ainda não começou, pois a empresa aguarda a ANAC finalizar o documento de meios de conformidade, que estabelecerá todos os testes necessários, segundo informação de Lucio Aldworth, tesoureiro corporativo e diretor de RI da EVE. Enquanto isso, a campanha de testes avança rapidamente: desde o voo inaugural, em 19 de dezembro, a aeronave já acumulou 47 minutos de voo em mais de 20 voos até 22 de janeiro e iniciou manobras em altitude, embora ainda sem transição para voo horizontal.
A aeronave acomodará quatro passageiros e piloto
Pela semelhança com um helicóptero, poderá usar cerca de 90% dos helipontos existentes. Contudo, nos primeiros anos, os eVTOLs terão de seguir as mesmas restrições de voo aplicadas a helicópteros em cidades como Nova York. A eronave vai transportar quatro passageios, mais o piloto e quatro malas de mão.
Com o tempo, essas regras devem ser flexibilizadas, considerando que o eVTOL gera 70%–80% menos ruído, tem emissão zero de carbono em operação e apresenta maiores níveis de segurança.
Cenário competitivo para os carros voadores
Pelo ritmo atual de testes, a californiana Joby deve ser a primeira a concluir a certificação, seguida pela EVE e, depois, pela Archer. A gestão não espera que clientes façam novos pedidos para a Joby apenas por certificação antecipada. Em vez disso, acreditam que operadores darão prioridade aos custos operacionais — que, no caso da EVE, são estimados em 30%–40% menores que os da Joby e Archer — além do histórico operacional e experiência de suporte de cada fabricante.
Nesses fatores, a EVE se beneficia do longo histórico da Embraer em desenvolvimento, fabricação e suporte global de aeronaves. Produção deve começar já em 2027.
A produção deve começar em 2027
Com certificação prevista para o segundo semestre, a EVE planeja fabricar cerca de 10 unidades até o fim do ano. A partir de 2028, o plano de ramp up prevê capacidade de 80–100 unidades, aumentando para 250–300 em 2029 e alcançando cerca de 480 aeronaves em 2030.
O preço estimado é de ~US$ 5 milhões por aeronave — abaixo de concorrentes — com margem de 15%–20% (ex serviços). Isso reflete arquitetura mais simples e amplo uso da infraestrutura existente da Embraer.
O breakeven de fluxo de caixa livre (FCF) deve ocorrer com produção anual de 100–120 aeronaves, previsto para 2029. A volta de ~800 engenheiros à Embraer após a certificação deve gerar economia anual de US$ 130–140 milhões.
Financiamento garantido até a certificação
O capital já captado cobre necessidades até meados de 2028, mesmo sem pré-pagamentos de pedidos firmes. Com base nas despesas previstas, o consumo anual de caixa deve ser de ~US$ 250 milhões até a certificação.
Assim, a EVE estima precisar de US$ 1–2 bilhões a menos em capex que seus concorrentes, refletindo estrutura mais enxuta e forte apoio da Embraer.
A aeronave poderá ter usos adicionais no futuro
Embora o programa atual seja voltado apenas a operações comerciais, haverá espaço para desenvolver uma segunda variante para novos usos após a certificação.
A oportunidade comercial por si só é relevante — a empresa estima ~30.000 aeronaves comerciais em operação até 2035. Porém, do ponto de vista técnico, adaptar uma plataforma totalmente certificada para missões militares é um processo relativamente simples, ampliando significativamente o mercado endereçável.
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