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Carrefour amplia vendas e parcelamento pesa nas despesas financeiras

Aumento das vendas parceladas já tem impacto na alavancagem e despesas financeiras; Safra mantém cautela em relação à provisão de R$ 12,3 bilhões

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Carrefour

Safra mantém cautela em relação aos R$ 12,3 bilhões em provisões e passivos contingentes no balanço da empresa | Foto: Getty Images

O Carrefour Brasil faturou R$ 30,5 bilhões (5% de crescimento na comparação anual) devido ao crescimento positivo das vendas de mesmas lojas (crescimento de 6% na comparação anual), que mais do que compensou a redução da pegada no varejo.

As vendas de Cash and Carry (C&C, ou venda sem intermediação do vendedor) somaram R$ 22 bilhões, alta de 10% devido à combinação da expansão do número de lojas e +7,4% nas Vendas de Mesmas Lojas, devido a uma atividade promocional mais forte no trimestre, incluindo um aumento nas vendas de parcelamento.

Por outro lado, as vendas no varejo em R$ 5,9 bilhões caíram 13% na comparação anual, devido a uma redução da área de vendas (conversões para C&C e fechamentos).

Por fim, o Sam’s Club somou R$ 1,7 bilhão em vendas, que cresceram 16% na comparação anual devido ao aumento de 2,5% nas Vendas de Mesmas Lojas, aliado ao crescimento dos usuários ativos.

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O EBITDA ajustado foi de R$ 1,6 bilhões, alta de 20% na comparação anual, com margem de 5,7% (+58bps vs. 2T23) mas ainda 90 pontos base abaixo do primeiro trimestre de 2022 (anterior à aquisição da BIG).

O Carrefour apresentou lucro líquido ajustado de R$ 151 milhões, ante R$ 28 milhões no 2T23 e em comparação com a estimativa do Banco Safra de R$ 113 milhões.

Em relação ao fluxo de caixa, a empresa registrou uma perda líquida nos últimos 12 meses (mudança líquida da dívida) de R$ 2,2 bilhões, principalmente relacionada ao aumento dos recebíveis de vendas com parcelamento pré-pago.

Avaliação do Safra sobre os resultados do Carrefour

Os analistas do banco Safra continuam a ter uma postura mais conservadora sobre as margens de longo prazo, corroborada pelo diferencial de 90 pontos base no trimestre (igual ao do 1T24).

Os especialistas também estão preocupados com o aumento das vendas de parcelamento, que já está impactando a alavancagem e as despesas financeiras. Além disso, o Safra mantém cautela em relação aos R$ 12,3 bilhões em provisões e passivos contingentes no balanço da empresa.

No primeiro semestre de 2024 houve um impacto negativo de R$ 0,5 bilhões no fluxo de caixa relacionado a isso. Assim, o Safra reitera a classificação neutra e preço-alvo de R$ 11,3/ação.

A melhoria das Vendas de Mesmas Lojas no C&C teve um impacto na margem bruta. As vendas totais atingiram R$ 30,5 bilhões, com aumento de 5% no ano, divididas da seguinte forma:

  • (i) C&C registrou vendas de R$ 22 bilhões (10% no ano, +1% vs. Safra) devido à adição de 12 lojas nod últimos 12 meses (orgânica e conversões), juntamente com o crescimento de 7,4% no T&D ao ano;
  • (ii) Varejo (ex Petro) registrou vendas de R$ 5,9 bilhões (-13% no T&D, -1% vs. Safra), pois a redução da pegada mais que compensou o crescimento de +2,3% do T&D;
  • (iii) O Sam’s Club foi o destaque, com vendas de R$ 1,7 bilhão, em linha com a Safra, e as Vendas de Mesmas Lojas subiu 16% a/a, atrás do crescimento de 2,5% no a/a dos usuários ativos; e
  • (iv) as vendas de gasolina chegaram a R$ 811 milhões, inalteradas no ano.

Finalmente, a margem bruta em 18,7% foi de 100bps no ano (-53bps vs. projeção do Safra), impactada negativamente por mais atividade promocional no formato C&C.

Banco Carrefour

As faturas somaram R$ 16,6 bilhões, um crescimento de 13% e 4% acima das estimativas do Safra, com desempenho positivo dos cartões de crédito do Carrefour e do Atacadão e novos clientes do Grupo BIG.

Em relação à inadimplência, houve um aumento de apenas 10 bps t/t para 12% na proporção de dívidas com mais de 90 dias de atraso, mas uma diminuição de 170 bps a/a, devido à política de crédito mais rigorosa da empresa.

A integração continua com os resultados de pressão, que estão no mesmo nível do 1T24. O EBITDA ajustado consolidado atingiu R$ 1,6 bilhões (excluindo R$ 200 milhões, em grande parte relacionado com a reversão de provisões fiscais), +20% a/a, com margem de 5,7% (+58bps a/a) no final das conversões de lojas da BIG, mas vale a pena notar que a margem do EBITDA permanece 90 pontos base menor do que no 1T22 (antes da aquisição da BIG).

A empresa viu um aumento de 98% no custo dos recebíveis descontados de cartões de crédito para R$ 115 milhões devido ao aumento das vendas parceladas na Atacadão. O volume de recebíveis descontados aumentou R$ 2,6 bilhões no 2T24 em relação ao 2T23 e foi a principal razão para o aumento de R$ 2,2 bilhões na dívida líquida nos últimos 12 meses. A empresa registrou lucro líquido ajustado de R$151 milhões vs. R$28 milhões no 2T23.

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