Braskem enfrenta margens pressionadas e crise de subsidiária
Petroquímica trabalha com spreads petroquímicos comprimidos e enfrenta dificuldades com credores de subsidiária mexicana
20/01/2026 3 minutos
Após a apresentação de uma contraproposta pelos credores da subsidiária mexicana da Braskem, as negociações foram interrompidas, sem acordo entre as partes | Foto: Getty Images
A Braskem (BRKM5) segue operando em um ambiente desafiador, marcado por spreads petroquímicos comprimidos e margens pressionadas, segundo análise do Banco Safra.
O Governo Federal sancionou o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), com efeitos positivos para as companhias do segmento a partir de 2027. Mas, vetou a antecipação dos incentivos para 2025–26, limitando os ganhos no curto prazo e postergando potenciais benefícios operacionais.
Em paralelo, a Braskem Idesa, subsidiária da companhia no México, informou que as negociações com credores não avançaram, em um contexto de pressões operacionais persistentes, o que reforça a necessidade de uma solução estrutural de longo prazo para a subsidiária.
Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química
No final de dezembro de 2025, o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq) foi sancionado pelo Governo Federal.
O novo programa prevê a concessão de créditos financeiros a empresas do setor, vigorando entre 2027 e 2031. O programa tem um teto de R$ 3 bilhões anuais para serem concedidos, sendo R$ 2,5 bilhões para a modalidade industrial, com créditos de até 6% sobre o valor de aquisição de insumos químicos, e R$ 500 milhões para projetos de investimentos, créditos de até 3% da receita bruta, limitados ao valor do investimento.
A Braskem, uma das principais indústrias petroquímicas do Brasil, deve se beneficiar da nova medida. No entanto, a extensão dos efeitos do programa para 2025 e 2026 foi vetada, mantendo os incentivos correntes atuais de 0,73% para esses períodos.
No curto prazo, o veto é negativo, já que adia um EBITDA incremental de cerca de US$ 300 milhões, segundo estimativas do
time de Óleo e Gás do Safra, para 2026, em um cenário de spreads pressionados e margens reduzidas.
Por outro lado, no longo prazo os incentivos beneficiam os resultados da Braskem com a redução do capex relativo à modernização e expansão.
Renegociação dos títulos emitidos pela Braskem Idesa
A Braskem Idesa, subsidiária da Braskem no México, anunciou no início de janeiro que as negociações com seus credores não avançaram, após a companhia rejeitar os termos apresentados na contraproposta dos credores.
O impasse ocorre em um momento delicado da operação mexicana, que enfrenta pressões relevantes sobre margens e rentabilidade, refletindo um ciclo prolongado de compressão dos spreads petroquímicos, além de restrições no fornecimento de matéria-prima (etano) no México.
Esses fatores têm elevado os custos operacionais e limitado a taxa de utilização da planta. O plano originalmente proposto pela Braskem Idesa contemplava aproximadamente US$2,2 bilhões em linhas de financiamento e incluía a reestruturação dos títulos de dívida, com alongamento dos prazos de vencimento, definição de novas condições de remuneração, aportes de
capital pelos acionistas e a previsão de haircut para credores que optassem pela saída antecipada dos ativos.
No entanto, após a apresentação de uma contraproposta pelos credores, as negociações foram interrompidas, sem acordo entre as partes.
A renegociação dos títulos deve ser retomada na medida em que as projeções operacionais divulgadas pela companhia não apontam para uma recuperação dos fundamentos no curto prazo.
Esse cenário reforça a necessidade de uma solução estrutural de longo prazo, que assegure liquidez adequada e uma estrutura de capital mais leve, permitindo à companhia atravessar um ambiente de spreads petroquímicos mais comprimidos.
O Safra destaca que a renegociação em curso não envolve os títulos emitidos pela controladora Braskem.
Rebaixamento do rating da Braskem pela Fitch
No final de dez/25, a agência realizou uma nova revisão do rating da companhia, rebaixando o rating em escala nacional de CCC+(bra) para CC(bra), com a incerteza em relação à propensão da Braskem honrar suas obrigações de dívida próximas ao vencimento e a possibilidade de uma reestruturação da dívida no curto prazo.
Mercado Secundário
Os títulos locais emitidos pela Braskem apresentaram um volume de negociações de cerca de R$ 2 milhões na primeira quinzena de janeiro, ficando abaixo dos R$177 milhões registrados no mesmo período de 2025.
No 4T25, os títulos negociaram R$ 280 milhões. Os spreads indicativos, por sua vez, permaneceram estáveis em cerca de 1200/1300 bps sobre a NTN-B de referência.
Os bonds da Braskem tiveram um leve fechamento dos spreads médios desde o final de dezembro, após a companhia realizar o pagamento de cupons de juros em janeiro.
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