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Brasil pode se tornar polo global de datacenters para inteligência artificial

Painel da J. Safra Investment Conference discutiu como o Brasil pode atrair data centers de grande escala e avançar na cadeia de inteligência artificial

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Hyperscale datacenters: a oportunidade que o Brasil não pode perder

Painel “Hyperscale datacenters: a oportunidade que o Brasil não pode perder” debateu os caminhos para o Brasil se posicionar na infraestrutura global de inteligência artificial | Foto: Divulgação

No painel “Hyperscale datacenters: a oportunidade que o Brasil não pode perder”, da J. Safra Investment Conference, Aguinaldo Ribeiro, deputado federal pelo PP, Marcos Peigo, cofundador e CEO da Scala Data Centers, e Rafael Werner, head de Investimentos Ilíquidos do Banco Safra, discutiram o potencial do Brasil em um cenário de expansão acelerada da inteligência artificial.

O avanço da tecnologia vem elevando a demanda global por capacidade de processamento, energia e infraestrutura digital, e, na avaliação dos participantes, o país reúne condições para ocupar uma posição relevante nesse mercado.

A discussão ocorreu dias após a sanção do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata. A nova legislação prevê incentivos para a instalação de datacenters no país e busca estimular investimentos em uma infraestrutura considerada essencial para a economia digital.

Redata abre espaço para novos investimentos

Para Aguinaldo, o avanço regulatório representa uma oportunidade para que o Brasil deixe de ocupar somente a posição de consumidor de tecnologia e passe a fornecer capacidade de processamento para outros mercados.

“A inteligência artificial avança em ritmo acelerado no mundo todo. Tenho convicção de que o Brasil pode se consolidar como um grande centro de processamento de dados, atendendo à demanda de diversos países, em vez de permanecer apenas como consumidor desse mercado.”

Na avaliação de Aguinaldo, a regulamentação traz ganhos importantes ao reduzir a carga tributária e criar estímulos para a produção nacional, sem recorrer ao protecionismo. A medida, segundo ele, pode fortalecer a competitividade do país na disputa global por investimentos em infraestrutura digital.

O Redata prevê incentivos tributários vinculados à instalação e à ampliação de datacenters, além de contrapartidas relacionadas a investimentos e pesquisa no Brasil, sustentabilidade e oferta de capacidade ao mercado interno.

Energia é fator decisivo para a expansão

A energia foi apontada como o principal fator para a expansão dos datacenters. Marcos afirmou que o Brasil tem vantagens competitivas relevantes, como a oferta de energia renovável, a extensão territorial e a disponibilidade de subestações.

Segundo ele, os primeiros datacenters voltados à inteligência artificial ainda estão em construção no país. A perspectiva é que o mercado possa crescer entre cinco e seis vezes somente para atender às cargas locais de IA, o que evidencia o tamanho da demanda potencial.

Oportunidade para desenvolver a cadeia local

Além da infraestrutura energética, Marcos destacou a oportunidade de desenvolver uma cadeia produtiva mais completa no Brasil, reduzindo a dependência de equipamentos importados.

“Podemos integrar no Brasil toda essa cadeia, dos chips e servidores aos equipamentos de refrigeração e aos ecossistemas de datacenters. Hoje, a maior parte desses itens é importada, mas há espaço para desenvolver essa capacidade no país.”

Para o executivo, há espaço para que essa indústria se desenvolva no Brasil, inclusive fora dos países que hoje concentram a infraestrutura global de tecnologia. A atração de investimentos em datacenters, segundo ele, pode se tornar uma das maiores oportunidades para geração de empregos e desenvolvimento industrial no país.

Da promessa de futuro à execução no presente

Aguinaldo reforçou a necessidade de velocidade na execução dessa agenda.

“O Brasil é o país do futuro. Não queremos mais ser o país do futuro; queremos ser o país do presente, e de forma rápida. Quando falamos de tecnologia, essa velocidade é ainda mais necessária.”

A avaliação do painel é que o Brasil reúne atributos para participar da nova onda de investimentos impulsionada pela inteligência artificial. O desafio agora é transformar vantagens como energia renovável, território e mercado em projetos, infraestrutura e capacidade produtiva local.

J. Safra Investment Conference 2026

Isabella Zanelli

Jornalista em formação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP). LinkedIn

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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