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Fim do aperto dos juros se aproxima e Bolsa tende a 170 mil pontos

Especialistas em investimentos do Banco Safra atualizam projeções de juros e crescimento e projetam que a Bolsa brasileira deve subir mais de 40 mil pontos em 12 meses

3 minutos
Safra projeta B3

Especialistas do Safra avaliam os sinais de desaceleração da economia e os efeitos da consequente desaceleração do aperto dos juros | Foto: Getty Images

O Banco Safra atualizou a projeção para o resultado do Ibovespa em 12 meses: em meados de 2026, o índice da Bolsa brasileira deverá alcançar os 170 mil pontos, cerca de 40 mil pontos acima dos atuais 132 mil pontos.

A análise do Safra considera que a perspectiva de fim do ciclo de aperto monetário foi reforçada por sinais de moderação na atividade econômica, resultando em melhora no sentimento do mercado para o primeiro semestre de 2025, atribuída à expectativa de queda nas taxas de juros futuros e de redução do risco-país.

O cenário de fim do ciclo de aperto dos juros levou o Safra a reduzir a premissa de custo de capital para 14,80% (de 15,30%). Além disso, o banco atualizou a premissa de lucro por ação (LPA) para 19.774 pontos que, combinada com a análise top down usando um preço/lucro-alvo de 8,6x, resultou no novo preço-alvo de 170 mil pontos.

Saiba mais

Melhora nos fundamentos e avaliação ainda atrativa no Brasil

Como os indicadores econômicos mostram sinais de desaceleração, mas os resultados corporativos ainda estão saudáveis, o Ibovespa acumula no ano valorização de cerca de 16%, acompanhando as bolsas na China e no México.

Além disso, as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China geraram uma busca por diversificação de portfólios, ponto destacado pelos analistas do Safra no último relatório sobre cenários e oportunidades de médio prazo.

Os analistas do Safra acreditam que esse movimento deva continuar pelos seguintes fatores:

  • (i) o Ibovespa segue sendo negociado 24% abaixo de sua média histórica de 10 anos;
  • (ii) as empresas brasileiras continuam com fundamentos sólidos, a exemplo do desempenho apresentado no primeiro trimestre de 2025, que mostra expansão nos lucros de aproximadamente 13% a/a; e
  • (iii) com a proximidade do fim do ciclo de altas nos juros, podemos esperar resultados mais positivos das companhias em 2026 e maior migração de recursos de investidores locais da renda fixa para renda variável.

Brasil se destaca entre emergentes com um desconto acima da média

Os especialistas do Banco Safra reiteram o cenário cauteloso, porém mais positivo para a inflação. O time de macroeconomia do banco acredita que a taxa de juros continuará estável em 14,75% ao ano até meados do quarto trimestre de 2025 para enfrentar a inflação (IPCA) esperada de 5,1% em 2025, que deve terminar o ano em 13,75% ao ano em virtude dos sinais mais acentuados de desaceleração na inflação.

A condição monetária apertada, com alguns estímulos ao crédito e ao consumo, levou o Safra a ajustar a projeção para o crescimento do PIB para 1,7% em 2025 (de 1,5%), nível ainda abaixo do consenso de mercado (Pesquisa Focus: +2,00%).

As recentes revisões para baixo nas estimativas para o PIB também têm ocasionado uma redução das expectativas de inflação e, consequentemente, dos juros de equilíbrio, levando as projeções do mercado a convergirem para nossas projeções.

Para 2026, o time de especialistas do Banco Safra estima crescimento de 1,8% do PIB, inflação de 3,8% e Selic de 11%, com uma taxa de câmbio do real frente ao dólar de 5,92 no fim de 2026.

Onde investir no atual cenário de juros?

Considerando a valorização do Ibovespa acumulada no ano e a possibilidade de alguma estabilização do índice no curto prazo antes de um novo movimento de alta, o Safra entende que um posicionamento mais balanceado, como o sugerido na carteira Top 10 Ações, faça sentido no momento.

A Carteira Top 10 Ações inclui companhias com ações defensivas (Commodities, Utilidades Básicas, Serviços Financeiros e Shoppings), que representam 32% do total recomendado, assim como alguns nomes mais cíclicos (construção e varejo alimentar).

Para um horizonte de investimento de médio prazo que pode se beneficiar de um cenário de juros mais baixos, o Safra considera como positiva uma maior participação de nomes como Cyrela (Construção), Vivara (Varejo), Yduqs (Educação) e Localiza (Transportes).

Riscos para a tese de investimentos:

  • (i) desaceleração mais forte da economia global (impactando o preço das commodities);
  • (ii) deterioração fiscal adicional no Brasil;
  • (iii) taxa de crescimento econômico mais baixa no país;
  • (iv) piora do ambiente político;
  • (v) maior austeridade da política monetária nos EUA, influenciando o diferencial de juros;
  • (vi) mudanças tributárias que impactem negativamente as companhias; e
  • (vii) acirramento dos conflitos geopolíticos.

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