Bolsa pode ganhar espaço com diversificação dos mercados emergentes
Em painel da J. Safra Investment Conference, gestores globais apontam valuations atrativos, diversidade e seleção de ações como diferenciais do Brasil
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Painel “A bolsa brasileira sob o olhar do investidor estrangeiro”, na J. Safra Investment Conference, reuniu Jeff García, Samuel Vecht e Ola El-Shawarby, com moderação de Lais Nittolo | Foto: Divulgação
A bolsa brasileira pode se beneficiar de um ambiente mais favorável à seleção de ações nos mercados emergentes, em meio à elevada concentração dos índices em empresas ligadas à inteligência artificial. Essa foi uma das principais mensagens do painel “A bolsa brasileira sob o olhar do investidor estrangeiro”, na J. Safra Investment Conference 2026.
Participaram do debate Jeff García, Partner do Capital Group, Samuel Vecht, Emerging Markets Portfolio Manager da BlackRock e Ola El-Shawarby, Emerging Markets Portfolio Manager da VanEck. A moderação foi de Lais Nittolo, Institutional Equity Sales, Safra Securities NY.
Os gestores seguem construtivos com a inteligência artificial, diante de gargalos ainda existentes em computação, memória e infraestrutura de energia. Mas o avanço das companhias do setor elevou o peso de Taiwan e Coreia do Sul para cerca de metade dos índices de mercados emergentes.
A avaliação apresentada foi que “a IA não precisa perder força para que outras regiões performem”. Mercados com lucros saudáveis, valuations descontados e menor posicionamento dos investidores podem ganhar espaço em uma eventual ampliação dos fluxos globais.
Menos narrativas, mais fundamentos
O painel também trouxe um alerta contra grandes narrativas de investimento. Brasil, China, Índia e, agora, inteligência artificial foram temas que atraíram volumes relevantes de capital em diferentes momentos — nem sempre com retornos proporcionais.
Para os participantes, “identificar corretamente uma tendência estrutural não necessariamente gera bons retornos”. O mais importante é avaliar quanto das expectativa já está incorporada aos preços.
Nesse cenário, a recomendação é priorizar empresas com vantagens competitivas, capacidade de crescimento, boa gestão, geração de caixa e retorno sobre o capital, sem depender apenas de uma tese macroeconômica.
Brasil aparece como oportunidade de diversificação
A América Latina foi destacada como uma alternativa à concentração asiática nos mercados emergentes, apoiada por sua exposição a recursos naturais, energia, agricultura e grandes mercados domésticos.
O Brasil, em particular, foi citado como um mercado com diversidade setorial, empresas de qualidade e valuations atrativos. Segundo os gestores, há espaço para geração de alfa por meio da seleção de companhias capazes de ganhar participação de mercado e entregar retornos acima do custo de capital, mesmo sem uma melhora relevante do cenário macro.
Uma eventual queda dos juros reais, no entanto, seria um catalisador importante para ampliar os fluxos e promover uma reprecificação mais abrangente da Bolsa.
Financeiras estão entre as preferências
O setor financeiro apareceu como um dos principais destaques na América Latina. No Brasil, o foco estaria em instituições com balanços robustos, boa qualidade de ativos e capacidade de conquistar participação de mercado.
Os investidores também citaram oportunidades seletivas em saúde, mineração, industriais e varejo. No caso do varejo brasileiro, porém, os valuations deprimidos precisam ser analisados à luz da alavancagem das famílias e do estágio do ciclo de crédito.
Confiança local pode ser decisiva
Na discussão sobre fluxos, os participantes ressaltaram que “o principal gargalo para o Brasil pode ser a confiança do investidor doméstico”.
Com juros elevados e anos de desempenho fraco da renda variável, parte relevante do capital local segue direcionada à renda fixa ou ao exterior. Uma migração gradual desses recursos para ações poderia ter impacto mais relevante sobre os múltiplos do mercado do que movimentos táticos de investidores estrangeiros.
A mensagem final do painel foi que o Brasil oferece profundidade e oportunidades para o investidor fundamentalista de longo prazo. O caminho, segundo os gestores, é reduzir o peso do ruído de curto prazo e evitar perseguir consensos, concentrando a análise em fundamentos e preço.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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