Ranking da B3: as ações que mais subiram e mais caíram no 1º semestre
Levantamento da consultoria Economatica mostra forte dispersão entre ações brasileiras no primeiro semestre de 2026, com ganhos concentrados em petróleo, energia e saneamento, enquanto siderurgia, varejo e consumo sofreram perdas expressivas
3 minutos Publicado em Atualizado emPetrobras liderou a geração de valor de mercado no primeiro semestre de 2026, adicionando mais de R$ 109 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da Economatica | Foto: Getty Images
O mercado acionário brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 marcado por uma forte dispersão de desempenho entre os ativos negociados na B3. O movimento refletiu diferenças relevantes entre setores mais expostos ao ciclo doméstico e empresas beneficiadas pelo avanço das commodities, pela resiliência operacional e pela busca dos investidores por ativos considerados defensivos.
Levantamento da consultoria Economatica, com base no retorno total ajustado por proventos entre 31 de dezembro de 2025 e 30 de junho de 2026, mostra que ações de energia, petróleo, saneamento e utilities dominaram as maiores altas do período. Em contrapartida, empresas ligadas ao varejo, construção civil, tecnologia e siderurgia concentraram as perdas mais acentuadas.
A Usiminas (USIM5) liderou os ganhos semestrais entre os papéis analisados, com valorização de 42,02%, seguida por Copasa (CSMG3), que avançou 38,51%, e Eneva (ENEV3), com alta de 32,41%.
A Petrobras (PETR4) também figurou entre os destaques positivos do semestre. As ações preferenciais da estatal (PETR4) acumularam alta de 26,44%, impulsionando em mais de R$ 109 bilhões o valor de mercado da companhia — o maior ganho absoluto entre todas as empresas analisadas.
Petrobras impulsiona geração de valor na Bolsa
O desempenho da Petrobras reforçou o peso das companhias ligadas ao petróleo na sustentação do Ibovespa ao longo do semestre. Além da estatal, empresas privadas do setor também registraram valorização relevante.
A Prio (PRIO3) avançou 25,91%, enquanto Vibra (VVBR3) e Ultrapar registraram ganhos superiores a 20%, em um ambiente de maior estabilidade operacional e manutenção da relevância do segmento energético na composição do índice brasileiro.
No setor elétrico e de infraestrutura, Copel (CPLE3) e Caixa Seguridade (CXSE3) também apareceram entre os destaques positivos, refletindo a preferência do mercado por companhias com geração consistente de caixa e perfil mais defensivo diante da volatilidade macroeconômica.
Maiores altas do primeiro semestre de 2026
| Ticker | Empresa | Retorno |
| USIM5 | Usiminas | +42,02% |
| CSMG3 | Copasa | +38,51% |
| ENEV3 | Eneva | +32,41% |
| PETR4 | Petrobras | +26,44% |
| PRIO3 | Prio | +25,91% |
| UGPA3 | Ultrapar | +24,69% |
| CPLE3 | Copel | +24,44% |
| CXSE3 | Caixa Seguridade | +23,42% |
| ASAI3 | Assaí | +21,66% |
| VBBR3 | Vibra | +21,18% |
Varejo, siderurgia e consumo sofrem pressão
Na ponta negativa, a CSN (CSNA3) liderou as perdas do semestre, com queda de 48,32%, em um período de maior pressão sobre empresas ligadas à siderurgia e à atividade industrial.
O Magazine Luiza (MGLU3) também registrou forte desvalorização, com recuo de 47,16%, refletindo desafios persistentes do varejo de consumo discricionário em um ambiente ainda marcado por juros elevados, competição acirrada e desaceleração do consumo.
Outras companhias expostas ao mercado doméstico também apresentaram desempenho negativo relevante. MRV (MRVE3), Vivara (VIVA3), Hapvida (HAPV3), Cogna (COGN3) e Totvs (TOTS3) encerraram o semestre com perdas superiores a 28%.
A Totvs, apesar de manter posição consolidada no segmento de tecnologia corporativa, perdeu mais de R$ 7,4 bilhões em valor de mercado no período — uma das maiores destruições absolutas de valor da amostra.
Maiores quedas do primeiro semestre de 2026
| Ticker | Empresa | Retorno |
| CSNA3 | CSN | -48,32% |
| MGLU3 | Magazine Luiza | -47,16% |
| BEEF3 | Minerva | -35,08% |
| MRVE3 | MRV | -32,22% |
| VIVA3 | Vivara | -31,17% |
| TOTS3 | Totvs | -31,02% |
| HAPV3 | Hapvida | -30,69% |
| CSAN3 | Cosan | -30,45% |
| AZZA3 | Azzas 2154 | -28,93% |
| COGN3 | Cogna | -28,45% |
Dispersão reflete seletividade do investidor
A amplitude entre as maiores altas e baixas da B3 no semestre evidencia um mercado mais seletivo, em que investidores priorizaram empresas com geração previsível de caixa, exposição a commodities e capacidade de distribuição de dividendos.
Ao mesmo tempo, setores mais dependentes do crédito, do consumo interno e da atividade econômica doméstica continuaram sujeitos à volatilidade operacional e à revisão de expectativas de crescimento.
O comportamento das ações no período também reforça a concentração de desempenho em setores específicos, fenômeno observado em ciclos de maior incerteza macroeconômica e de reprecificação de ativos na Bolsa brasileira.
Metodologia
O levantamento da consultoria Economatica considera ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) negociadas na B3, com retorno total calculado entre 31 de dezembro de 2025 e 30 de junho de 2026, ajustado por dividendos, juros sobre capital próprio, bonificações e demais eventos corporativos.
Foram excluídos ativos de baixa liquidez ou negociação esporádica, com o objetivo de garantir maior representatividade estatística e comparabilidade entre os papéis analisados. Os dados possuem caráter exclusivamente informativo e não configuram recomendação de investimento, segundo a Economatica.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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