Pesquisa mostra investidor cauteloso com a Bolsa e atento à tecnologia global
Levantamento com assessores do Safra Invest indica expectativa de alta moderada do Ibovespa até o fim de 2026, e atenção às oportunidades da tecnologia global com o crescimento da inteligência artificial
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Pesquisa do Safra Invest mostra que assessores mantêm visão cautelosa para os ativos locais, mas veem oportunidades em tecnologia global e na infraestrutura necessária para a expansão da inteligência artificial | Foto: Getty Images
A bolsa brasileira vive uma combinação de otimismo moderado e prudência dos investidores em relação ao cenário local, mas também de atenção à tecnologia global de inteligência artificial, considerada a principal oportunidade no cenário atual. Pesquisa realizada pelo Safra Invest com assessores de investimentos aponta expectativa de valorização limitada para o Ibovespa até dezembro, enquanto as incertezas fiscais e eleitorais mantêm os investidores em posição defensiva.
Cerca de 90% dos participantes esperam que o principal índice da B3 encerre o ano acima dos 160 mil pontos. A maior parcela, porém, 58,6%, projeta o Ibovespa entre 160 mil e 180 mil pontos. O resultado sugere que o mercado ainda encontra espaço para ganhos, mas sem afastar os riscos que condicionam a precificação dos ativos brasileiros.
Tecnologia global ganha espaço nas carteiras
A tecnologia global foi apontada como a principal oportunidade de investimento para o segundo semestre por 35,1% dos entrevistados. A bolsa americana apareceu em seguida, com 16,2%, enquanto as ações brasileiras receberam 13,5% das indicações.
O destaque para a tecnologia não se limita às grandes empresas do setor. Mais da metade dos assessores, 53,2%, considera que a infraestrutura será a principal beneficiária da corrida global de inteligência artificial. O grupo inclui segmentos ligados a energia elétrica, datacenters, capacidade computacional e armazenamento de dados.
Big techs e fabricantes de semicondutores receberam 19,8% das respostas cada, sinalizando que o mercado vê oportunidades distribuídas ao longo de toda a cadeia de inteligência artificial.
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Ibovespa tem perspectiva moderadamente positiva
A correção observada entre julho e agosto foi interpretada por parte dos assessores como oportunidade de entrada na bolsa brasileira. Entre os entrevistados, 58,6% pretendem manter a alocação em renda variável local e 28,8% indicam intenção de ampliá-la. Apenas 12,6% planejam reduzir a exposição.
Ainda assim, a disposição para assumir risco permanece contida. Mais da metade dos respondentes, 52,3%, adota posicionamento neutro em relação ao beta das carteiras para os próximos 12 meses. Outros 36,9% preferem uma estratégia defensiva, enquanto somente 10,8% assumem perfil mais agressivo.
O quadro reforça a busca por seleção de ativos, em vez de uma exposição ampla e indiscriminada à bolsa.
Juros altos favorecem renda fixa
A expectativa de juros elevados é outro fator central na construção das carteiras. Para 87,4% dos assessores consultados, a taxa Selic encerrará 2026 entre 13% e 14%.
Esse cenário preserva a atratividade da renda fixa, especialmente de títulos indexados à inflação e de papéis prefixados. Na pesquisa, os ativos atrelados ao IPCA+ receberam 21,6% das indicações como principal oportunidade para o segundo semestre, enquanto os prefixados somaram 13,5%.
A permanência de juros reais elevados amplia a concorrência da renda fixa com a bolsa e contribui para uma postura mais seletiva em ativos de risco.
Setores defensivos lideram preferências
Os serviços financeiros aparecem como o segmento mais citado para investimentos em ações brasileiras, com 32,4% das respostas. Telecomunicações e tecnologia ficaram em segundo lugar, com 23,4%, seguidas por utilidades básicas, com 18%, e commodities, com 17,1%.
A escolha reflete a preferência por companhias com resultados mais previsíveis, capacidade de geração de caixa e maior resiliência operacional. Setores ligados ao ciclo doméstico, como consumo, educação e construção civil, ficaram entre os menos procurados.
Nesse ambiente, a avaliação dos fundamentos das empresas ganha relevância. Qualidade de gestão, disciplina financeira, geração consistente de caixa e capacidade de atravessar períodos de volatilidade tendem a diferenciar os ativos.
Risco fiscal e eleições dominam o cenário local
A situação fiscal brasileira e as eleições de 2026 dividiram a liderança entre os principais riscos apontados pelos assessores. Cada tema recebeu 37,8% das respostas, o que representa, em conjunto, 75,6% das preocupações mapeadas pela pesquisa.
Além disso, 54,1% dos participantes avaliam que as eleições terão efeito negativo sobre a bolsa brasileira. Outros 25,2% esperam impacto neutro, enquanto 20,7% projetam influência positiva.
A leitura indica que a evolução do quadro fiscal e a definição do cenário político devem seguir como vetores relevantes para o apetite ao risco e para os preços dos ativos locais nos próximos meses.
Clientes mantêm perfil conservador
A cautela também aparece no comportamento dos clientes finais. Para 60,4% dos assessores, os investidores estão mais conservadores do que há seis meses. Outros 17,1% os classificam como conservadores, enquanto apenas 6,3% percebem maior disposição para assumir risco.
O fluxo de recursos acompanha essa leitura. Embora 55% dos profissionais relatem estabilidade na captação, 30,6% observam mais resgates, percentual superior aos 14,4% que identificam aumento das entradas.
A pesquisa do Safra Invest sugere, portanto, um mercado dividido entre a busca por oportunidades pontuais em bolsa e tecnologia global e a necessidade de preservar uma estrutura de carteira equilibrada diante de juros altos e incertezas domésticas.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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