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Ação da Bemobi (BMOB3) tem potencial de valorização de 36,5%

Banco Safra vê espaço para expansão em pagamentos recorrentes, aumento de penetração em clientes já contratados, geração de caixa elevada e dividend yield superior a 9%

4 minutos
Bemobi

Plataforma da Bemobi (BMOB3) atua na digitalização de pagamentos recorrentes, como contas de energia, água, telecomunicações, educação e saúde | Foto: Getty Images

O Banco Safra iniciou a cobertura de Bemobi (BMOB3) com recomendação de Compra e preço-alvo de R$ 35 em 12 meses, o que representa potencial de valorização de 36,5% em relação ao preço de R$ 25,60 considerado no relatório.

Na avaliação dos analistas do Safra, a tese combina crescimento em um mercado pouco digitalizado, modelo de baixa necessidade de investimento, geração de caixa robusta e valuation descontado frente a pares globais de pagamentos.

O banco avalia que Bemobi (BMOB3) oferece um ponto de entrada atrativo para investidores que buscam exposição a uma companhia de tecnologia com receitas recorrentes, expansão de margem e potencial de distribuição relevante de dividendos.

Mercado pouco digitalizado

A principal oportunidade para Bemobi (BMOB3) está no mercado brasileiro de contas recorrentes. Embora o Brasil tenha desenvolvido um dos sistemas de pagamentos mais sofisticados do mundo, com forte avanço do Pix, muitas contas essenciais ainda dependem de boleto bancário, débito automático e processos legados.

Esse universo inclui contas de energia, água, telecomunicações, mensalidades escolares, planos de saúde e outras cobranças recorrentes. Segundo estimativas do Safra, o mercado total endereçável para Bemobi (BMOB3) se aproxima de R$ 1 trilhão, enquanto o mercado atendível soma cerca de R$ 42 bilhões.

A companhia processa atualmente perto de um terço desse volume atendível. Para o Safra, isso indica uma avenida relevante de crescimento, especialmente porque Bemobi (BMOB3) já atende 15 dos 20 maiores prestadores de serviços essenciais recorrentes do Brasil.

A tese de curto prazo não depende apenas da conquista de novos clientes. O Safra projeta crescimento a partir da maior penetração dentro da base já contratada, com o volume total de pagamentos, ou TPV, avançando de R$ 15,6 bilhões em 2026 para R$ 34 bilhões em 2030.

Clientes capturam valor

A proposta comercial de Bemobi (BMOB3) parte de uma dor concreta dos emissores de cobrança: arrecadar mais, reduzir custos e diminuir a inadimplência. A plataforma integra meios como Pix, Pix Automático, cartões, carteiras digitais, WhatsApp, aplicativos, web e pontos físicos, além de se conectar aos sistemas legados dos clientes.

De acordo com o relatório do Safra, as implementações da companhia indicam aumento de cerca de 30% na conversão, redução aproximada de 35% nos custos de transação e queda de até 40% na inadimplência em determinados casos de uso.

O banco destaca que a taxa cobrada por Bemobi (BMOB3) substitui custos que o emissor já incorre com boleto, cobrança, conciliação e recuperação de pagamentos em atraso. Dessa forma, o serviço tende a se pagar para o cliente, o que reduz a necessidade de concessões comerciais para sustentar o crescimento.

Além disso, a integração profunda da plataforma aos sistemas de faturamento, cobrança e conciliação cria custos de troca relevantes. Na visão do Safra, essa característica fortalece a retenção da base e aumenta a barreira competitiva frente a bancos, adquirentes e gateways horizontais.

Pix Automático amplia a tese

O avanço do Pix Automático pode acelerar a digitalização das contas recorrentes no Brasil. Para o Safra, o novo instrumento amplia o mercado potencial para Bemobi (BMOB3), pois transfere parte do fluxo de contas antes concentrado em boleto e débito automático para uma infraestrutura multibanco.

A adoção do Pix também traz um efeito ambíguo. Por um lado, tende a pressionar gradualmente a taxa média, já que o Pix possui custo inferior ao cartão. Por outro, aumenta a necessidade de uma camada de orquestração capaz de integrar diferentes bancos, meios de pagamento, regras de autorização, retentativas e canais de cobrança.

O Safra incorpora essa mudança em suas projeções, com a taxa média de pagamentos recuando de 2,9% em 2026 para 2,5% em 2030. Ainda assim, o banco vê espaço para expansão relevante do TPV, sustentada pela migração das contas essenciais para meios digitais.

A companhia também usa inteligência artificial em sua plataforma. O relatório cita Grace, agente conversacional de pagamentos no WhatsApp, como exemplo de solução que combina atendimento, cobrança, integração com ERP e pagamento em uma mesma jornada.

Crescimento com caixa

O Safra projeta que a receita líquida ajustada de Bemobi (BMOB3) alcance R$ 919 milhões em 2026 e R$ 1,079 bilhão em 2027, com crescimento de 26% e 17%, respectivamente. A vertical de pagamentos deve responder pela maior parte da expansão, enquanto SaaS contribui com maior recorrência e previsibilidade.

A mudança de mix também deve favorecer margens. O banco estima margem EBITDA ajustada de 34,4% em 2027 e 35,7% em 2030, apoiada em alavancagem operacional e escala da plataforma.

Outro ponto central da tese está na geração de caixa. Como Bemobi (BMOB3) opera com baixa necessidade de capital fixo, o Safra estima conversão de EBITDA em caixa operacional, antes da variação de capital de giro, acima de 80% em 2026 e 2027.

Essa dinâmica sustenta a expectativa de dividendos próximos de R$ 200 milhões por ano em 2027 e 2028. Segundo o relatório, isso equivale a dividend yield superior a 9% ao preço atual considerado na análise.

Valuation e riscos

O Safra avalia que Bemobi (BMOB3) negocia com desconto em relação a pares globais de pagamentos. Pelas estimativas do banco, a ação é negociada a 5,7 vezes EV/EBITDA projetado para 2027, abaixo de empresas internacionais selecionadas, mesmo com crescimento de receita, margem EBITDA elevada, posição de caixa líquido e retorno em dividendos.

Na análise por soma das partes, o Safra também vê valor na separação entre a unidade de pagamentos e SaaS e os negócios legados de assinaturas digitais e microfinanças. Em diferentes abordagens de valuation, o banco encontra potencial de valorização para a ação.

Entre os principais riscos, o relatório aponta a compressão de taxas com o avanço do Pix, a concentração de clientes, o ritmo de expansão da base contratada, a possibilidade de bancos oferecerem Pix Automático diretamente aos emissores, o impacto da inteligência artificial sobre custos de desenvolvimento, o cenário macroeconômico e a liquidez da ação.

Ainda assim, o Safra conclui que Bemobi (BMOB3) combina pequena participação em um mercado amplo, produto com retorno mensurável para clientes, modelo de baixa intensidade de capital e valuation atrativo. Por isso, o banco inicia a cobertura com recomendação de Compra.

Cley Scholz

Editor do portal O Especialista. LinkedIn

Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.

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