BDRs: o que são e como funcionam? Vale a pena investir?
Os BDRs permitem investir em empresas estrangeiras pela B3, em reais, mas exigem atenção à volatilidade, ao câmbio, à liquidez e à tributação
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BDRs permitem acessar empresas globais pela bolsa brasileira, sem a necessidade de abrir uma conta em uma corretora no exterior | Foto: Getty Images
Os BDRs, sigla em inglês para Brazilian Depositary Receipts, permitem ao investidor brasileiro negociar, pela B3, certificados que representam ações e outros valores mobiliários emitidos no exterior. Dessa forma, ampliam a diversificação da carteira sem a necessidade de abrir conta em uma corretora estrangeira.
O investidor compra um certificado listado na B3, e não diretamente a ação estrangeira. Os ativos que servem de lastro permanecem depositados e bloqueados em uma instituição custodiante no exterior, enquanto o BDR é emitido e negociado no mercado brasileiro.
Esse mecanismo permite acessar empresas globais sem a necessidade de enviar recursos para fora do país, abrir conta em uma corretora estrangeira ou realizar diretamente operações em outra moeda.
Como os BDRs funcionam
O funcionamento dos BDRs envolve três partes principais: a empresa estrangeira, a instituição custodiante no exterior e a instituição depositária responsável pela emissão dos certificados no Brasil.
A instituição depositária mantém uma relação com os ativos estrangeiros que servem de lastro para os BDRs. Cada programa possui uma proporção específica entre o certificado negociado no Brasil e a ação mantida no exterior. Por isso, a cotação do BDR não precisa corresponder ao preço nominal da ação estrangeira.
O preço do BDR tende a refletir três fatores principais:
- A variação da ação estrangeira que serve de lastro.
- A oscilação do câmbio entre o real e a moeda do país de origem.
- As condições de oferta e demanda no mercado brasileiro.
Assim, mesmo que a ação estrangeira permaneça estável em sua moeda de origem, o BDR pode subir ou cair em reais por causa da variação cambial.
Tipos de BDRs
Os BDRs podem ser classificados como patrocinados ou não patrocinados.
Nos BDRs patrocinados, a companhia estrangeira participa do programa e mantém algum nível de relacionamento com a instituição depositária brasileira. Já nos não patrocinados, a iniciativa parte da instituição depositária, sem participação direta da empresa estrangeira.
Também existem diferentes níveis de BDRs patrocinados, com regras específicas para registro, divulgação de informações, negociação e oferta pública. A disponibilidade para cada perfil de investidor depende das características do programa e da regulamentação aplicável.
Antes de investir, é importante consultar as informações do programa, o prospecto, os comunicados da instituição depositária e as condições de negociação na corretora.
Quais são as vantagens
A principal vantagem é facilitar o acesso a empresas e setores que não estão representados na bolsa brasileira.
Entre os benefícios estão:
- Diversificação geográfica da carteira.
- Exposição a empresas globais e diferentes setores da economia.
- Possibilidade de investir em reais pela B3.
- Operação por meio de uma corretora brasileira.
- Potencial de valorização da ação estrangeira e do dólar frente ao real.
- Eventual recebimento de proventos, conforme a política da empresa e as regras do programa.
A diversificação internacional pode reduzir a concentração do patrimônio em ativos ligados exclusivamente à economia brasileira. No entanto, BDRs continuam sendo investimentos de renda variável e podem apresentar perdas, inclusive em períodos de maior instabilidade nos mercados globais.
Quais são os riscos
Os BDRs estão sujeitos a riscos semelhantes aos das ações, além de fatores adicionais relacionados ao mercado internacional.
Entre os principais riscos estão a volatilidade da empresa estrangeira que serve de lastro, a variação do dólar ou de outra moeda relevante e os riscos político e regulatório no país de origem. O investidor também deve considerar as diferenças nos horários de negociação entre os mercados, a menor liquidez de alguns papéis, os custos e eventuais descontos relacionados à conversão de proventos, além da assimetria de informações entre o mercado brasileiro e o mercado de origem.
A liquidez merece atenção especial. BDRs com menor volume de negociação podem apresentar maior diferença entre os preços de compra e venda, o chamado spread. Nesse caso, o investidor pode encontrar mais dificuldade para montar ou desmontar uma posição pelo preço desejado.
BDR ou ação no exterior?
O BDR pode ser mais simples para quem está começando a investir no exterior ou deseja manter a operação concentrada no ambiente brasileiro. A compra ocorre pela infraestrutura da B3, com liquidação em reais e acompanhamento pela corretora nacional.
Já a compra direta de ações no exterior pode oferecer acesso a um universo mais amplo de empresas e ativos, mas exige uma estrutura internacional, remessa de recursos, conversão cambial e maior atenção às obrigações fiscais.
A escolha depende do objetivo da carteira, do conhecimento do investidor, dos custos envolvidos, da necessidade de diversificação e do interesse em manter os recursos no Brasil ou no exterior.
Vale a pena investir em BDRs?
Os BDRs podem fazer sentido para investidores que buscam diversificação internacional e aceitam a volatilidade da renda variável. O produto é especialmente útil para quem deseja ter exposição a empresas globais sem abrir uma conta fora do Brasil.
A decisão, entretanto, não deve se basear apenas na popularidade da empresa ou na alta recente de uma ação. Os BDRs funcionam melhor como parte de uma estratégia de diversificação, e não como substitutos de uma carteira equilibrada. A alocação deve respeitar o perfil de risco, o horizonte de investimento e os objetivos financeiros de cada pessoa.
Imposto de Renda sobre BDRs
Os BDRs devem ser informados na ficha de Bens e Direitos da declaração do Imposto de Renda, na categoria de Aplicações e Investimentos. Nas orientações atuais da Receita Federal, os ativos negociados em bolsa no Brasil, exceto ações e fundos, aparecem como uma das opções dessa categoria. O valor declarado deve corresponder ao custo de aquisição, e não à cotação do ativo no último dia do ano.
Na descrição, é recomendável informar o nome do BDR, o ticker, a quantidade de certificados, a instituição financeira ou corretora utilizada, as datas de compra e o custo médio de aquisição. O investidor deve guardar as notas de corretagem e os informes fornecidos pela instituição intermediária.
Quando ocorre uma venda com lucro, o resultado precisa ser apurado na ficha de Renda Variável, no mês correspondente à operação, separando operações comuns e day trade. A Receita Federal estabelece alíquota de 15% para operações comuns e de 20% para day trade. Prejuízos podem ser compensados com ganhos futuros, desde que observadas as regras aplicáveis e mantidos os controles mensais.
Como declarar ganhos e pagar o imposto
Diferentemente da regra aplicável a determinadas operações com ações brasileiras, os ganhos obtidos com BDRs não contam, em regra, com a isenção mensal para vendas de até R$ 20 mil. Portanto, o lucro tributável pode gerar imposto mesmo em operações de menor valor.
O imposto devido deve ser recolhido mensalmente por meio de DARF, normalmente até o último dia útil do mês seguinte ao da apuração do ganho. A declaração anual também deve refletir as posições mantidas, os resultados das vendas, os prejuízos compensados e os eventuais rendimentos recebidos.
Os dividendos e demais proventos exigem atenção adicional. Pode haver retenção de imposto no país de origem da empresa e cobrança de custos pela estrutura de custódia e conversão. Por isso, o investidor deve utilizar o informe de rendimentos da corretora e verificar as regras vigentes para a natureza específica do provento. Em situações complexas, a orientação de um profissional especializado pode evitar erros no preenchimento.
BDRs podem ampliar a diversificação da carteira
Os BDRs oferecem ao investidor brasileiro uma forma prática de acessar empresas e setores globais por meio da B3, combinando exposição internacional com a possibilidade de acompanhar o desempenho de ativos estrangeiros e a variação cambial. Ainda assim, como são investimentos de renda variável, estão sujeitos a riscos de mercado, câmbio, liquidez e tributação.
Por isso, antes de investir, é importante analisar a empresa que serve de lastro, compreender as regras do programa e avaliar o impacto do ativo na carteira. Para quem busca diversificação internacional sem abrir conta no exterior, os BDRs podem ser uma alternativa relevante, desde que estejam alinhados ao perfil de risco, aos objetivos financeiros e ao horizonte de investimento.
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BDR (Brazilian Depositary Receipt) é um certificado que representa ações e outros valores mobiliários emitidos no exterior, permitindo que investidores brasileiros negociem ativos internacionais pela B3 em reais. O funcionamento envolve uma instituição custodiante que mantém as ações estrangeiras bloqueadas no exterior, enquanto a instituição depositária emite e negocia os certificados no Brasil. Cada BDR possui uma proporção específica com a ação estrangeira que o respalda, e seu preço reflete a variação da ação, a oscilação cambial e as condições de oferta e demanda no mercado brasileiro.
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As principais vantagens dos BDRs incluem: diversificação geográfica da carteira sem necessidade de abrir conta no exterior, acesso a empresas globais e setores não representados na bolsa brasileira, possibilidade de investir em reais pela B3 através de uma corretora brasileira, potencial de valorização tanto da ação estrangeira quanto do dólar frente ao real, e eventual recebimento de proventos conforme a política da empresa. Essa diversificação internacional reduz a concentração do patrimônio exclusivamente em ativos da economia brasileira.
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Os BDRs estão sujeitos a riscos semelhantes aos das ações, além de fatores adicionais como volatilidade da empresa estrangeira, variação cambial, riscos político e regulatório no país de origem, diferenças nos horários de negociação, menor liquidez de alguns papéis e assimetria de informações entre mercados. A liquidez merece atenção especial, pois BDRs com menor volume de negociação podem apresentar maior spread (diferença entre preços de compra e venda), dificultando a montagem ou desmontagem de posições pelo preço desejado.
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Os BDRs patrocinados contam com a participação da companhia estrangeira, que mantém algum nível de relacionamento com a instituição depositária brasileira, oferecendo maior transparência e informações. Já os BDRs não patrocinados são iniciativa da instituição depositária, sem participação direta da empresa estrangeira. Existem também diferentes níveis de BDRs patrocinados com regras específicas para registro, divulgação de informações, negociação e oferta pública, sendo importante consultar as informações do programa antes de investir.
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Os BDRs devem ser informados na ficha de Bens e Direitos da declaração de Imposto de Renda como Aplicações e Investimentos, utilizando o custo de aquisição e não a cotação do último dia do ano. Ganhos com vendas são tributados em 15% para operações comuns e 20% para day trade, sem a isenção mensal de R$ 20 mil aplicável a algumas operações com ações brasileiras. O imposto deve ser recolhido mensalmente por DARF até o último dia útil do mês seguinte, e prejuízos podem ser compensados com ganhos futuros, sendo importante manter notas de corretagem e informes da instituição intermediária.
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Os BDRs podem fazer sentido para investidores que buscam diversificação internacional e aceitam a volatilidade da renda variável, sendo especialmente úteis para quem deseja exposição a empresas globais sem abrir conta no exterior. No entanto, a decisão não deve se basear apenas na popularidade da empresa ou em altas recentes, funcionando melhor como parte de uma estratégia de diversificação equilibrada. A alocação deve respeitar o perfil de risco, horizonte de investimento e objetivos financeiros de cada pessoa.
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O BDR é mais simples para iniciantes ou quem deseja manter operações concentradas no Brasil, pois a compra ocorre pela infraestrutura da B3 com liquidação em reais e acompanhamento pela corretora nacional. Já a compra direta de ações no exterior oferece acesso a um universo mais amplo de empresas e ativos, mas exige estrutura internacional, remessa de recursos, conversão cambial e maior atenção às obrigações fiscais. A escolha depende do objetivo da carteira, conhecimento do investidor, custos envolvidos e necessidade de diversificação.
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Diferentemente de algumas operações com ações brasileiras, os ganhos com BDRs não contam com isenção mensal para vendas de até R$ 20 mil, portanto o lucro tributável pode gerar imposto mesmo em operações de menor valor. O imposto deve ser recolhido mensalmente por DARF até o último dia útil do mês seguinte à apuração do ganho. A declaração anual deve refletir as posições mantidas, resultados das vendas, prejuízos compensados e eventuais rendimentos recebidos, sendo importante verificar as regras para cada tipo de provento, pois pode haver retenção de imposto no país de origem e custos de custódia e conversão.
Este material foi preparado e distribuído pelo Banco Safra S.A. O conteúdo disponibilizado em O Especialista possui caráter meramente informativo e educacional, não constituindo oferta, solicitação, recomendação ou aconselhamento de investimento. Antes de investir, verifique seu perfil de investidor, os riscos envolvidos e consulte os documentos dos produtos.
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