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Banco do Brasil volta a cortar projeções diante de incerteza no agro

Na avaliação do Safra, corte em projeções do BB evidencia que a situação desafiadora no segmento rural carece de visibilidade quanto ao momento da recuperação

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Banco do Brasil

O Banco do Brasil reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,785 bilhões, acima da estimativa do Banco Safra

O Banco do Brasil (BBAS3) apresentou um lucro antes dos impostos (EBT) 11% abaixo do esperado, com provisões mais uma vez pressionando os números trimestrais.

Na análise do 2T, os especialistas do Banco Safra consideraram que o guidance de lucro líquido fornecido naquela ocasião era pouco plausível, mas os analistas não esperavam outra revisão no 3T (ponto médio R$ 3,5 bi menor).

Durante o videocast de resultados, a gestão mencionou que observou produtores rurais aguardando o programa de renegociação criado pela Medida Provisória nº 1314/25 e, dado o atraso no lançamento, as renegociações foram postergadas.

Como resultado, as provisões ficaram pressionadas no 3T25 e continuaram em outubro, de modo que a gestão acredita ser cedo para esperar um ponto de inflexão no 4T.

Na avaliação do Banco Safra, isso evidencia que a situação desafiadora enfrentada pelo banco no segmento rural carece de visibilidade clara quanto ao momento da recuperação.

Diversas métricas de qualidade de ativos deterioraram no trimestre — inadimplência de curto prazo, formação de NPL, carteira rural rolada — e a carteira de pessoa física segue contaminada pela exposição rural, reforçando nossas preocupações.

A avaliação está atualmente em 0,7x P/VP — com o desempenho recente favorecido por um movimento top-down positivo das ações brasileiras —, e as más notícias devem pesar no pregão de amanhã.

Banco Safra reitera recomendação neutra para BBAS3

O BB divulgou um guidance atualizado, com nova faixa de lucro líquido gerencial esperada entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões (a projeção anterior era de R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões.

A faixa de provisões líquidas foi elevada para R$ 59 bilhões a R$ 62 bilhões (de R$ 53 bi–R$ 56 bi), o que a companhia atribuiu aos desafios no segmento rural e a um caso específico de inadimplência corporativa. Enquanto isso, as demais projeções foram mantidas.

Destaques do balanço do Banco do Brasil no 3t25

O Banco do Brasil reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,785 bi (ROE de 8,4%), estável t/t, -60% a/a, e 9% acima da estimativa do Banco Safra, devido à taxa efetiva de imposto negativa (-31%, imposto de renda positivo em R$ 716
mi).

Enquanto isso, o lucro antes dos impostos (EBT) de R$ 4,322 bi (-18% t/t e -64% a/a) ficou 11% abaixo da estimativa do Safra, refletindo provisões maiores que o esperado.

A renda líquida de juros (NII) de R$ 26,365 bi (+2% a/a) superou a projeção em 2%, impulsionada pela NII não relacionada a crédito.

Por outro lado, as provisões líquidas vieram 4% acima do previsto, com custo de risco de 6,4% (+70bps t/t), cobrindo 83% e 91% da formação de NPL de Estágio 3 e de 90 dias, respectivamente.

As receitas de tarifas caíram -3% a/a, com gestão de ativos dando a maior contribuição. O Opex ficou 1% abaixo da estimativa,
permanecendo estável sequencialmente.

Balanço e qualidade de ativos do BBAS3

A carteira de crédito ficou praticamente estável t/t (+2,3% em varejo, -2,2% em corporativo e -0,8% em rural) e cresceu +6% a/a.

A NPL de 90 dias subiu 72bps t/t para 4,9%. Além do aumento sequencial de 185bps na NPL de 90 dias no segmento rural, o varejo também registrou alta de 42bps.

Enquanto a carteira corporativa melhorou 12bps t/t na NPL de 90 dias, os vintages de MSMB continuaram a deteriorar. A formação consolidada de Estágio 3 e NPL ficou em 5,9% e 7,1%, respectivamente, com forte alta na formação rural para 2,4% (de 0,99% no 2T25), combinada com aumento de 225bps t/t na NPL de 30 dias no rural.

Sobre a posição de capital do BB, o índice CET-1 cresceu 19bps para 11,16%, com contribuição de 16bps de RWA (risco de crédito) e 20bps de marcação a mercado.

Este último efeito está principalmente ligado à reclassificação de BRL 32 bi em títulos (públicos de renda fixa) de FVOCI para custo amortizado, gerando efeito positivo de BRL 1,1 bi no capital, ou +10bps.

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