Bancos brasileiros sob pressão da inadimplência e provisões no 1T26
Prévia dos resultados do trimestre indica piora na qualidade dos ativos, avanço das provisões e um cenário mais seletivo para investidores no setor bancário; Itaú e Bradesco despontam como refúgios
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A temporada de balanços dos bancos no primeiro trimestre de 2026 deve ser marcada por maior pressão sobre inadimplência, custo do risco e rentabilidade, com desempenho mais defensivo de Itaú e Bradesco | Foto: Getty Images
A temporada de resultados dos bancos brasileiros no primeiro trimestre de 2026 deve ser dominada por um vetor que voltou ao centro das atenções do mercado: a qualidade dos ativos.
Na avaliação dos especialistas em investimentos do Banco Safra, a deterioração da carteira de crédito, tanto em pessoas físicas quanto em empresas, deve pressionar o setor de forma disseminada, com o segmento rural e casos corporativos específicos ainda no radar.
O pano de fundo é menos benigno do que no fim de 2025. Ao contrário do quarto trimestre, a sazonalidade da margem financeira líquida, a NII, não deve oferecer suporte suficiente para neutralizar o aumento do custo do risco.
Para o investidor, isso significa um trimestre em que a leitura dos balanços tende a depender menos da expansão das receitas e mais da capacidade de cada banco em absorver o avanço das provisões sem comprometer excessivamente a rentabilidade.
Nesse ambiente, o Banco Safra avalia que Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) estão mais bem posicionados para enfrentar a piora do ciclo de crédito, apoiados em tendências de receita mais resilientes e em uma exposição a risco mais favorável.
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Já Santander Brasil (SAMB11) e Banco do Brasil (BBAS3) aparecem com perspectivas mais conservadoras, diante de uma pressão maior sobre provisões e lucro líquido.
Itaú e Bradesco aparecem como os nomes mais defensivos
A principal mensagem da prévia é que, em um trimestre mais desafiador para o setor, a dispersão entre os grandes bancos tende a aumentar. Nesse contexto, Itaú e Bradesco surgem como os nomes mais preparados para atravessar um ambiente de maior pressão sobre inadimplência e custo do risco.
No caso do Bradesco, a projeção é de lucro líquido de R$ 6,622 bilhões, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 15,3%. A carteira de crédito deve seguir avançando com tração principalmente em pequenas e médias empresas e no varejo de pessoa física.
A margem com clientes tende a crescer 2% na comparação trimestral, enquanto a contribuição da NII de mercado deve seguir positiva. Com isso, a expectativa é de estabilidade sequencial da NII ajustada ao risco, mesmo em um cenário mais exigente.
Para o Itaú Unibanco, o Safra projeta lucro líquido de R$ 12,177 bilhões e ROE de 24,4%, o mais elevado entre os grandes bancos analisados. A estimativa é de leve recuo de 1% no lucro em relação ao trimestre anterior, em razão de uma pequena queda da margem com clientes, parcialmente compensada pela expansão da NII de mercado.
Ainda assim, o banco segue sustentado por crescimento da carteira de crédito, especialmente em pequenas e médias empresas, e por uma dinâmica de risco relativamente mais controlada.
Bradesco pode ser a exceção positiva entre os incumbentes
Na visão do Safra, o Bradesco deve ser o único banco incumbente com possibilidade de apresentar expansão sequencial de ROE, ainda que modesta. O desempenho tende a refletir uma combinação de crescimento moderado da carteira, estabilidade da margem ajustada ao risco e algum alívio nas despesas operacionais.
Isso não elimina, porém, pontos de atenção. As provisões para contingências legais seguem como entrave, enquanto a operação de seguros deve entregar contribuição praticamente estável, tanto do lado operacional quanto financeiro. Ainda assim, o banco aparece como uma das teses relativamente mais equilibradas para o trimestre.
No Itaú, o diferencial continua sendo a robustez do modelo de rentabilidade. Mesmo com compressão marginal de margem e piora pontual da inadimplência acima de 90 dias, puxada por pequenas e médias empresas e pessoas físicas, o banco mantém indicadores que o colocam em posição defensiva no setor.
Santander e Banco do Brasil devem sentir mais o peso das provisões
Para o Santander Brasil, a estimativa é de lucro líquido de R$ 3,789 bilhões, queda de 7% na comparação trimestral, com ROE de 16,2%. O resultado antes dos impostos deve avançar levemente, mas a linha final tende a ser pressionada por uma alíquota efetiva maior, em meio à redução do efeito positivo de instrumentos fiscais observados anteriormente.
A NII de mercado deve continuar negativa, embora com impacto menor do que no trimestre passado. Ainda assim, o avanço do custo do risco, projetado em 26 pontos-base na comparação trimestral, deve elevar a pressão sobre o resultado. A expectativa é de queda de 5% da NII ajustada ao risco, num movimento apenas parcialmente compensado pela redução de despesas operacionais.
No Banco do Brasil, o cenário projetado é o mais desafiador entre os grandes bancos cobertos. O Safra espera lucro líquido de R$ 3,380 bilhões, o que representaria uma contração de 41% em relação ao trimestre anterior, com ROE de 7,2%. O desempenho deve refletir a combinação entre sazonalidade desfavorável da margem financeira e forte elevação das provisões, estimadas em R$ 19 bilhões.
Crédito rural segue no centro das preocupações dos bancos
O Banco do Brasil continua mais exposto a um vetor específico de deterioração: o crédito rural. Segundo a análise, os dados do sistema já apontam formação ainda elevada de inadimplência acima de 90 dias nesse segmento, pressionando o custo do risco e reduzindo a capacidade de recuperação do resultado no curto prazo.
A projeção é de alta de 30 pontos-base no custo do risco no trimestre. Ao mesmo tempo, fatores de capital caminham em direções opostas. De um lado, há contribuição adicional do programa de renegociação; de outro, permanecem os impactos relacionados ao CGPE/4.966. O efeito líquido esperado é uma queda de 45 pontos-base no índice de capital principal, o CET1, para 11,8%.
O que a prévia do Safra sinaliza para o investidor
A leitura consolidada da prévia aponta para um trimestre em que o mercado deve premiar menos o crescimento e mais a resiliência. Em outras palavras, o foco dos investidores tende a recair sobre a capacidade de preservar rentabilidade em um ambiente de piora da qualidade do crédito e menor suporte da margem financeira.
Isso torna a seletividade ainda mais importante dentro do setor bancário. Itaú e Bradesco aparecem como os nomes mais preparados para absorver o avanço das provisões, enquanto Santander e Banco do Brasil devem enfrentar um período de maior compressão de resultado, com impacto mais visível sobre o lucro líquido.
Mais do que acompanhar a expansão da carteira, o investidor deve observar três variáveis centrais ao longo da temporada de balanços: a evolução da inadimplência, o comportamento do custo do risco e a capacidade de sustentar retorno sobre o patrimônio em meio à piora do ciclo de crédito.
Projeções resumidas por banco
Santander Brasil
- Recomendação Safra: Neutro
- Preço-alvo: R$ 41
- Data do resultado: 29 de abril
- Lucro líquido projetado: R$ 3,789 bilhões
- Variação trimestral: -7%
- ROE projetado: 16,2%
Bradesco
- Recomendação Safra: Outperform
- Preço-alvo: R$ 26
- Data do resultado: 6 de maio
- Lucro líquido projetado: R$ 6,622 bilhões
- Variação trimestral: estável a leve alta
- ROE projetado: 15,3%
Itaú Unibanco
- Recomendação Safra: Outperform
- Preço-alvo: R$ 55
- Data do resultado: 5 de maio
- Lucro líquido projetado: R$ 12,177 bilhões
- Variação trimestral: -1%
- ROE projetado: 24,4%
Banco do Brasil
- Recomendação Safra: Neutro
- Preço-alvo: R$ 28
- Data do resultado: 13 de maio
- Lucro líquido projetado: R$ 3,380 bilhões
- Variação trimestral: -41%
- ROE projetado: 7,2%
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